Tenho mais cada vez mais a impressão que a nossa vida tem uma forma helicoidal, uma cadeia em espiral. Mais ou menos como o nosso ADN. Às vezes tombámos, deparámo-nos com algo de traumático ao qual o nosso ego se cola como se fosse velcro, mas, por outro lado, o acaso ou a vida em si acaba sempre por proporcionar conforto, amor, segurança. Há que desobstruir a mente. Ou seja, expandimos e contraímos como a espiral que não pára de girar em si mesma. Como a via láctea, como o próprio universo.
Lembrei-me agora da fluidez que é necessária para contornar a tormenta. Acabei de ver árvores tombadas por força da depressão que assolou a região de Leiria e pensei que nem sempre adianta estar "bem enraizado", bem ancorado.
Naturalmente as árvores não se mexem, não se locomovem como nós. Uma lapalissada, eu sei. O Homem tem a capacidade para se desviar, para usar do movimento, da fluidez, temos aqui uma vantagem. Creio que isso também se pode aplicar ao intelecto e à dinâmica das emoções. Não devemos estagnar, não fomos feitos para ficamos no mesmo local (seja físico seja emocional). Vamos dançar, vamos correr, vamos fazer algo.
- Vem aí uma depressão, uma forte tempestade, mau tempo, o trauma beija-me a testa outra vez, o corpo paralisa, oh não, e agora o que vou fazer?
"Keep going", como aconselha essa T-shirt. Em caso de dúvida, continua, sem olhar para trás. Atrás de uma montanha há sempre outra montanha.
Hmmm. Isto é a coisa mais zen que eu escrevi este ano que ainda mal começou.