quarta-feira, junho 12, 2019

Os rosacrucianos e o meu gato

O "meu" gato (baptizei-o de Ozzy se querem mesmo saber) só entra no escritório quando estou a ler algo bom. E quando escrevo bom, refiro-me a Flannery O'Connor, Rabelais, Dickens (nem todos), Hrabal ou qualquer obra de Christian Rosenkreuz. Folheava ontem as "Núpcias Alquímicas de Christian Rosenkreuz" (apenas porque gosto de ler sobre rituais de iniciação) e o gato senta-se no meu colo quase a pedir-me para ler em voz alta. Os rosacrucianos acreditam na reencarnação, talvez o gato esteja muito interessado em saber mais sobre a temática. Uma outra obra que aborda a reencarnação é "A Bela Adormecida" de Perrault que, como é sabido, não escreveu as fábulas ao acaso. Nem os Grimm. Nem o La Fontaine. Muito menos o Carroll.
O Ozzy senta-se sobre a "A Bela Adormecida" e usa-o como um pequeno tapete de ritual onde parece meditar sobre a condição humana (até, naturalmente, escutar o ruído característico do saco da ração a ser aberto).

quinta-feira, junho 06, 2019

Em mudanças. Volto já.

quinta-feira, maio 23, 2019

quinta-feira, maio 02, 2019

sexta-feira, abril 26, 2019

"O Dicionário Kazar"

À espera


Ontem, fui o jovem Aldo no golfo da costa de Sirtes.
Hoje, sou ainda o tenente Giovanni Drogo na fortaleza Bastiani, à entrada do deserto dos tártaros.
Amanhã, serei também o tio Pepin na cidade onde o tempo parou.

quarta-feira, abril 24, 2019

Malabarismo

Tem dias que dou por mim a fazer malabarismo com três bolas.
Já as baptizei: uma chama-se Clarisse L., a outra é a Teresa de Lisieux e a terceira é a Raquel Welch (anos 60, naturalmente). As mulheres e o que elas representam - sempre.
Quando deixo cair uma delas, a minha psique racha um pouco e apanha alguma estática, desligo-me do mundo por uns momentos. Fico paralisado.
E a minha pergunta é muito simples: que força é esta que me faz pegar nas bolas (ou nas tochas, se for menos ambíguo para alguns de vós), sabendo que, mais cedo ou mais tarde, vou deixar cair uma delas? Que fascínio é este?

terça-feira, abril 09, 2019

"Perks"

Um dos muitos prazeres que tenho no meu actual trabalho é poder ir ao wc e verter águas no lavatório "zen" estilizado enquanto recito Fernando Pessoa, o nosso genial poeta e o mais cromo dos gajos. Deixo a porta entreaberta atrás de mim para aumentar o risco de ser caço. É claro que lavo tudo com Cif e faço cho-ku-rei para limpar as baixas energias antes de sair. A minha cara de pau fica completa quando volto para o meu lugar e pergunto ao meu colega da frente se já foi ver o filme "Snu".
Giorgio Manganelli e Alda Merini