quarta-feira, novembro 24, 2010
segunda-feira, novembro 22, 2010
A festa de aniversário
Selawsky não era um homem muito palatável, mas ainda assim conseguiu reunir vários amigos no seu aniversário.
- Daria tudo para não ser como tu, Selawsky - disse Ymmij enquanto lambia a colher do seu cappucino.
Selwasky levantou-se e estaladou Ymmij. O lábio inferior do turco começou a tremer, mas conseguiu conter lágrimas.
- Daria tudo para não cheirar como tu, Selawsky - disse Constantino o Bravo, amigo de infância do nosso aniversariante.
Selwasky aproximou-se de Constantino o Bravo e esbofeteou-o. Constantino começou a tremer, mas também não chorou.
- Daria tudo para não bater como tu, Selwaskov, bates como uma menina - disse o russo a que todos chamavam de Deus-filho.
Selwasky arrastou a cadeira para junto de Deus-filho e bateu-lhe na moleirinha. Deus-filho riu-se e ofereceu-lhe a outra moleirinha.
- Daria tudo para não viver no antro em que tu vives Selawsky - disse-lhe Jewel, ex-namorada e a única mulher presente no evento.
Desta vez, o parabenizante não ergueu um dedo, mas apontou com o indicador e o anelar para o peito de Jewel que desatou a chorar. Jewel era muito sensível no que toca a/quando se toca* no seu peito .
Um manto de silêncio sepulcral abateu-se sobre a sala, interrompido aqui e ali pelo som agnóstico de uma retro-escavadora que vinha do fundo da rua.
Subitamente, Selwasky bateu palmas duas vezes e todos os que se encontravam na sala se transformaram em Selwasky's. Depois todos lhe cantaram os Parabéns a uma só voz e tudo acabou bem.
*riscar o que não interessa.
- Daria tudo para não ser como tu, Selawsky - disse Ymmij enquanto lambia a colher do seu cappucino.
Selwasky levantou-se e estaladou Ymmij. O lábio inferior do turco começou a tremer, mas conseguiu conter lágrimas.
- Daria tudo para não cheirar como tu, Selawsky - disse Constantino o Bravo, amigo de infância do nosso aniversariante.
Selwasky aproximou-se de Constantino o Bravo e esbofeteou-o. Constantino começou a tremer, mas também não chorou.
- Daria tudo para não bater como tu, Selwaskov, bates como uma menina - disse o russo a que todos chamavam de Deus-filho.
Selwasky arrastou a cadeira para junto de Deus-filho e bateu-lhe na moleirinha. Deus-filho riu-se e ofereceu-lhe a outra moleirinha.
- Daria tudo para não viver no antro em que tu vives Selawsky - disse-lhe Jewel, ex-namorada e a única mulher presente no evento.
Desta vez, o parabenizante não ergueu um dedo, mas apontou com o indicador e o anelar para o peito de Jewel que desatou a chorar. Jewel era muito sensível no que toca a/quando se toca* no seu peito .
Um manto de silêncio sepulcral abateu-se sobre a sala, interrompido aqui e ali pelo som agnóstico de uma retro-escavadora que vinha do fundo da rua.
Subitamente, Selwasky bateu palmas duas vezes e todos os que se encontravam na sala se transformaram em Selwasky's. Depois todos lhe cantaram os Parabéns a uma só voz e tudo acabou bem.
*riscar o que não interessa.
sexta-feira, novembro 19, 2010
A Força é forte em ti, John Milton
Darth Vader resolveu fazer uma escapadinha de fim-de-semana nos Alpes, cortesia dos seus oficiais superiores.
- Está lá, recepção? Daqui quarto 877 [respiração pesada, arrastada, asmática].
- Bom dia sr. Dr... Darth Vader, em que posso ser-lhe útil?
- Solicitei hoje de manhã o serviço de pequeno-almoço no quarto e trouxeram-me o pequeno-almoço continental [respiração pesada, arrastada, asmática].
- Estou a ver sr. Dr.. Estava tudo do seu agrado?
- Não, não estava. Pedi o pequeno-almoço universal e não o continental [respiração pesada, arrastada, asmática]. Pensava que tinha deixado isso bem claro.
- Oh, com certeza sr. Dr.. Irei tratar disso pessoalmente. Lamentamos imenso o transtorno causado.
- [respiração pesada, arrastada, asmática] Com que estou a falar?
- Chamo-me John Milton, sr. Dr., ao seu dispor.
- [respiração pesada, arrastada, asmática] A Força é forte em ti, John Milton.
- ...o sr. Dr. deseja mais alguma coisa?
- Não, é tudo por agora [respiração pesada, arrastada, asmática].
Darth Vader pousou sobre a cama o "O Arranca Corações" ao lado do tabuleiro do pequeno-almoço e olhou através da janela para o eterno e majestoso Monte Branco.
- Está lá, recepção? Daqui quarto 877 [respiração pesada, arrastada, asmática].
- Bom dia sr. Dr... Darth Vader, em que posso ser-lhe útil?
- Solicitei hoje de manhã o serviço de pequeno-almoço no quarto e trouxeram-me o pequeno-almoço continental [respiração pesada, arrastada, asmática].
- Estou a ver sr. Dr.. Estava tudo do seu agrado?
- Não, não estava. Pedi o pequeno-almoço universal e não o continental [respiração pesada, arrastada, asmática]. Pensava que tinha deixado isso bem claro.
- Oh, com certeza sr. Dr.. Irei tratar disso pessoalmente. Lamentamos imenso o transtorno causado.
- [respiração pesada, arrastada, asmática] Com que estou a falar?
- Chamo-me John Milton, sr. Dr., ao seu dispor.
- [respiração pesada, arrastada, asmática] A Força é forte em ti, John Milton.
- ...o sr. Dr. deseja mais alguma coisa?
- Não, é tudo por agora [respiração pesada, arrastada, asmática].
Darth Vader pousou sobre a cama o "O Arranca Corações" ao lado do tabuleiro do pequeno-almoço e olhou através da janela para o eterno e majestoso Monte Branco.
quinta-feira, novembro 18, 2010
O homem do tempo
O meu colega de trabalho é de Aragão e disse-me hoje que em cada província de Espanha os homens do tempo da TV têm honras de chefe de estado. São uma espécie de gurus que pouco ou nada têm a ver com a ciência. Diz ele que uma vez, a meio da década de 80, todos os homens aragoneses saíram à rua aperaltados e a cheirar a Old Spice. O homem do tempo dessa altura (Ibón Bastrillas, creio ser o seu nome) tinha colocado uma daqueles placas aderentes com o sol mesmo em cima dos Pirenéus e previu temperaturas superiores a 30ºC nessa região. No dia seguinte, o céu ficou carregado com nuvens nas terras altas, e as temperaturas estiveram negativas. O que o boletim meteorológico de Bastrillas queria realmente dizer era que haveria boas probabilidades de conhecer mulheres bonitas nesse dia. Noutra ocasião, o homem do tempo tapou Saragoça com a placa que tinha a célebre efígie de Hitchcock. Nos dois dias que se seguiram, a cidade foi invadida por grandes bandos de corvos e gaivotas e ninguém ousou pôr os pés na rua.
terça-feira, novembro 16, 2010
quinta-feira, novembro 11, 2010
quarta-feira, novembro 03, 2010
quinta-feira, outubro 28, 2010
O viúvo
Vivo sozinho e ainda sinto falta da minha mulher. Faz hoje um ano que ela morreu. Hoje vou dormir melhor, estou exausto. Consegui trazer para casa o banco de jardim onde costumávamos namorar. O filho do meu vizinho de baixo ajudou-me a trazê-lo ontem de madrugada. Apesar de todo aquele metal na cara e de cheirar mal, não é mau rapaz. Ele e o pai estão sempre aos berros um com o outro.
Foi neste banco que pedi a minha mulher em casamento. Os meus dois filhos visitam-me de longe a longe, porque não têm paciência para os meus queixumes de velho. Que surpresa, não? Sabemos que estamos velhos quando todos os meses parecem Novembro e quando não controlamos o nosso esfíncter em locais públicos.
Eu cresci para a minha mulher e a minha mulher cresceu para mim. E isso é amor, seus bastardozinhos. Pus o banco no meio da sala de estar, ao lado da cadeira de cabeleireiro onde ela passou quase um quarto da sua vida. Ela era muita vaidosa e ciumenta. É provável que se tenha queixado de mim nesta cadeira. Gostava muito dela. Dois meses depois da sua morte, comprei a cadeira ao salão que ela frequentou durante vinte e um anos. Veio com um daqueles vaporizadores de cabelo que apareceram nos anos sessenta e, apesar de eu ter a cabeça grande, consigo metê-la lá dentro enquanto vejo televisão à noite. Há noites em que adormeço sentado na cadeira e acordo de madrugada com o vidro embaciado. Às vezes, acordo com uma erecção (é verdade, seus bastardozinhos, não tenho porque mentir) e fico acordado a pensar nela até o sol nascer.
Foi neste banco que pedi a minha mulher em casamento. Os meus dois filhos visitam-me de longe a longe, porque não têm paciência para os meus queixumes de velho. Que surpresa, não? Sabemos que estamos velhos quando todos os meses parecem Novembro e quando não controlamos o nosso esfíncter em locais públicos.
Eu cresci para a minha mulher e a minha mulher cresceu para mim. E isso é amor, seus bastardozinhos. Pus o banco no meio da sala de estar, ao lado da cadeira de cabeleireiro onde ela passou quase um quarto da sua vida. Ela era muita vaidosa e ciumenta. É provável que se tenha queixado de mim nesta cadeira. Gostava muito dela. Dois meses depois da sua morte, comprei a cadeira ao salão que ela frequentou durante vinte e um anos. Veio com um daqueles vaporizadores de cabelo que apareceram nos anos sessenta e, apesar de eu ter a cabeça grande, consigo metê-la lá dentro enquanto vejo televisão à noite. Há noites em que adormeço sentado na cadeira e acordo de madrugada com o vidro embaciado. Às vezes, acordo com uma erecção (é verdade, seus bastardozinhos, não tenho porque mentir) e fico acordado a pensar nela até o sol nascer.
Nosferatu

Max Schreck a descansar entre "takes" e a assustar todos no estúdio de rodagem de Nosferatu, A Symphony of Horror, 1922, dir. F.W. Murnau. (via)
Durante as filmagens de Nosferatu, Scherck nunca "saía" da pele do seu personagem, mesmo quando as câmaras não estavam a gravar, e tanto o elenco como a equipa de filmagem nunca viram o actor sem a respectiva maquilhagem e guarda-roupa. Embora esta abordagem envolvente face ao papel seja agora muito comum, não era normal na época, e a sua aparência e comportamento deram origem a rumores de que Schreck era realmente um vampiro.
Se esta foto constituir uma boa prova do comportamento de Schreck em torno de Nosferatu, a cautela da equipa de filmagem parece-nos compreensível.
domingo, outubro 24, 2010
Srilanka
Quando andava no liceu,
tive um cão a que dei
o nome de "Srilanka" -
o cão esticava as orelhas
e rodava a cabeça
sempre que o pivot do telejornal
dizia "Tigres Tamil".
Como era um cão não fazia
muito sentido chamar-lhe
"Tigretamil".
Pouco antes de morrer,
Srilanka apanhou o
meu aparelho dos dentes
em cima da borda da banheira
e pôs-se a lamber
os restos do jantar.
A minha mãe, furiosa,
gritou comigo e
perguntou depois ao meu pai
onde é que se deve pôr
um aparelho dos dentes
com restos de comida,
se no amarelo ou no lixo
orgânico.
tive um cão a que dei
o nome de "Srilanka" -
o cão esticava as orelhas
e rodava a cabeça
sempre que o pivot do telejornal
dizia "Tigres Tamil".
Como era um cão não fazia
muito sentido chamar-lhe
"Tigretamil".
Pouco antes de morrer,
Srilanka apanhou o
meu aparelho dos dentes
em cima da borda da banheira
e pôs-se a lamber
os restos do jantar.
A minha mãe, furiosa,
gritou comigo e
perguntou depois ao meu pai
onde é que se deve pôr
um aparelho dos dentes
com restos de comida,
se no amarelo ou no lixo
orgânico.
quinta-feira, outubro 21, 2010
segunda-feira, outubro 18, 2010
sexta-feira, outubro 15, 2010
O Tio Tula
"Numa sociedade plenamente justa e orçamental, os senhores proprietários de cafés com fotos aéreas dos respectivos cafés seriam todos presos. Sentiriam consternação e arrependimento daquelas aberrações penduradas e chorariam como marias madalenas sempre que fizessem mal o troco."
Fils de Mon Pére
Antes de ser chamado para o serviço militar, trabalhei durante dois anos para o meu tio Tula que tinha um bordel no meio do monte. Sempre que chegava uma rapariga nova à sua reputada casa, o tio Tula fechava os olhos e unia as mãos como quem recebe o corpo de Deus e depois sorria ou fazia uma expressão triste. Se a moça fosse prazenteira e não vestisse mal de cara, encaminhava-a para mim. Não apreciava particulamente as folgazonas que vinham a mascar pastilha elástica. Dava-lhes guia de marcha logo ali. Como sobrinho-afilhado favorito, eu tinha algumas regalias. Gozava de uma espécie de prima nocte para dar o meu veredicto ao meu tio na manhã seguinte. Arrependo-me muito desses anos, principalmente quando faço amor com a minha mulher. Lembro-me que, no pico da toda aquela luxúria bacoca, usava um metrónomo para marcar os tempos das noviças. A maioria era allegrettos, mas houve uma eslava que tinha cara de anjo e que me deixou danos permanentes. Prestissima.
Voltando ao tio Tula. Se a rapariga fosse pouco expedita e não servisse nem para mudar os lençóis, o meu tio pagava-lhe o bilhete de volta e acompanhava a moça à estação. Depois fazia de conta que era o Humphrey Bogart e dizia:
- He's looking at you, kid.
Creio que era a única frase que ele sabia dizer em inglês.
Fils de Mon Pére
Antes de ser chamado para o serviço militar, trabalhei durante dois anos para o meu tio Tula que tinha um bordel no meio do monte. Sempre que chegava uma rapariga nova à sua reputada casa, o tio Tula fechava os olhos e unia as mãos como quem recebe o corpo de Deus e depois sorria ou fazia uma expressão triste. Se a moça fosse prazenteira e não vestisse mal de cara, encaminhava-a para mim. Não apreciava particulamente as folgazonas que vinham a mascar pastilha elástica. Dava-lhes guia de marcha logo ali. Como sobrinho-afilhado favorito, eu tinha algumas regalias. Gozava de uma espécie de prima nocte para dar o meu veredicto ao meu tio na manhã seguinte. Arrependo-me muito desses anos, principalmente quando faço amor com a minha mulher. Lembro-me que, no pico da toda aquela luxúria bacoca, usava um metrónomo para marcar os tempos das noviças. A maioria era allegrettos, mas houve uma eslava que tinha cara de anjo e que me deixou danos permanentes. Prestissima.
Voltando ao tio Tula. Se a rapariga fosse pouco expedita e não servisse nem para mudar os lençóis, o meu tio pagava-lhe o bilhete de volta e acompanhava a moça à estação. Depois fazia de conta que era o Humphrey Bogart e dizia:
- He's looking at you, kid.
Creio que era a única frase que ele sabia dizer em inglês.
quinta-feira, setembro 30, 2010
segunda-feira, setembro 27, 2010
Congradulações
Caro Bruce,
Serve a presente para te avisar que não vou colocar os pés na tua festa.
Gostaria que as coisas corressem de outra forma. Enquanto não me deixares ter um papel mais activo na nossa dupla de combate ao crime, recuso-me a participar nestes teus eventos da socialite de Gotham.
Chega de mascaradas. O meu estágio já acabou há muito e já não sou um puto.
Deveria ter aceite a proposta do Clark.
E a partir de agora, o meu nome será The Hawk. Não quero mais ser conhecido como Robin*, é ridículo, eu sei e tu sabes disso.
Feliz aniversário e bem-aventurados aqueles que não usam máscara, pois deles...blabla.
The Hawk
*Nota do tradutor: "Pintarroxo".
Serve a presente para te avisar que não vou colocar os pés na tua festa.
Gostaria que as coisas corressem de outra forma. Enquanto não me deixares ter um papel mais activo na nossa dupla de combate ao crime, recuso-me a participar nestes teus eventos da socialite de Gotham.
Chega de mascaradas. O meu estágio já acabou há muito e já não sou um puto.
Deveria ter aceite a proposta do Clark.
E a partir de agora, o meu nome será The Hawk. Não quero mais ser conhecido como Robin*, é ridículo, eu sei e tu sabes disso.
Feliz aniversário e bem-aventurados aqueles que não usam máscara, pois deles...blabla.
The Hawk
*Nota do tradutor: "Pintarroxo".
Etiquetas:
aniversário,
Batman,
carta,
Robin
quinta-feira, setembro 23, 2010
quarta-feira, setembro 22, 2010
Toc toc
Gavrilo tira o pequeno baralho do bolso do casaco e pousa-o em cima da pequena mesa retráctil. Ajeita o colarinho ao espelho e lembra-se de pôr a cabeça de fora do seu compartimento. Vê duas adolescentes a falar alto com os telemóveis nas mãos no fundo da carruagem. Uma delas faz-lhe lembrar a sua sobrinha que o escolhera para ensaiar as primeiras seduções. Fecha a porta do compartimento, senta-se e tira os sapatos. Enquanto baralha, repara que a mesa está coberta com vários riscos que rasuram uma frase. Parece-lhe russo, mas não tem a certeza. O comboio começa a andar e uma das miúdas passa pelo compartimento, olhando de lado para Gravilo que abana a cabeça e sorri para a janela, continuando a baralhar. Alguns segundos depois, a porta do compartimento é aberta por um homem que o cumprimenta:
- Dobri den.
Gravilo calça de imediato os sapatos e diz "Hello". O homem faz sinal com a cabeça para trás e aparece uma mulher. O homem olha para o bilhete que tem na mão para confirmar os lugares. A mulher tem cabelo curto e olheiras carregadas como as actrizes dos filmes mudos. Traz umas leggins pretas e um casaco de couro vermelho. "What a woman", pensa Gravilo.
O homem é calvo, os olhos são dois pequenos pontos azuis encovados na cara. Parece não saber o que fazer com as enormes mãos. Não trazem bagagem e sentam-se imediatamente. Gravilo recolhe as cartas sem que nenhum dos dois desvie o olhar dele por um segundo. Gravilo fica pouco à vontade e faz um sorriso amarelo. Sem desviar a cabeça, o homem olha de esguelha para a mesa riscada e arregala os dois pontinhos azuis encovados na cara. Toca no braço da mulher e aponta para as palavras gravadas. A mulher sorri por uns instantes e os dois começam a falar.
- Toc toc.
- Toc toc.
- Toc toc.
-Toc toc.
- Toc toc to you too, you weirdos - diz Gravilo em voz baixa antes de pôr os auriculares do iPod e encostar a cabeça.
O homem levanta-se abruptamente e abandona o compartimento. A mulher fecha as cortinas e começa a bater com um maço de tabaco na palma da mão. Gravilo diz-lhe que não pode fumar ali e aponta para o pictograma. A mulher põe delicadamente a mão na perna de Gravilo e diz num inglês perfeito:
- Toc toc to me, will you baby?
- Dobri den.
Gravilo calça de imediato os sapatos e diz "Hello". O homem faz sinal com a cabeça para trás e aparece uma mulher. O homem olha para o bilhete que tem na mão para confirmar os lugares. A mulher tem cabelo curto e olheiras carregadas como as actrizes dos filmes mudos. Traz umas leggins pretas e um casaco de couro vermelho. "What a woman", pensa Gravilo.
O homem é calvo, os olhos são dois pequenos pontos azuis encovados na cara. Parece não saber o que fazer com as enormes mãos. Não trazem bagagem e sentam-se imediatamente. Gravilo recolhe as cartas sem que nenhum dos dois desvie o olhar dele por um segundo. Gravilo fica pouco à vontade e faz um sorriso amarelo. Sem desviar a cabeça, o homem olha de esguelha para a mesa riscada e arregala os dois pontinhos azuis encovados na cara. Toca no braço da mulher e aponta para as palavras gravadas. A mulher sorri por uns instantes e os dois começam a falar.
- Toc toc.
- Toc toc.
- Toc toc.
-Toc toc.
- Toc toc to you too, you weirdos - diz Gravilo em voz baixa antes de pôr os auriculares do iPod e encostar a cabeça.
O homem levanta-se abruptamente e abandona o compartimento. A mulher fecha as cortinas e começa a bater com um maço de tabaco na palma da mão. Gravilo diz-lhe que não pode fumar ali e aponta para o pictograma. A mulher põe delicadamente a mão na perna de Gravilo e diz num inglês perfeito:
- Toc toc to me, will you baby?
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