segunda-feira, outubro 19, 2026

Armar a tenda

Portugal tem muitas tendas montadas em praças das duas grandes cidades deste país. É estranho ver agentes PSP a admirar as calças de licra das manifestantes enquanto fazem o ioga matinal entre o Millenium e o Rivoli. 
Por falar em tendas, tenho de comprar uma para acampar com o meu filhote no interior profundo. Há já algum tempo que quero fazer isto. Um encontro com as estrelas onde inventaria um nome sempre que ele perguntasse o nome de uma estrela. 
"Aquela ali, grande, chama-se "Kusturika", aquela ali ao lado é a "Maradona", aquela mais a sul é conhecida como "Sid Vicious", é muito rebelde."
"Oh pai, estás a inventar outra vez."
"O quê? Como te atreves?...Eih que barulho é este? Ouviste? É um grizzly lá fora, vamos ser o jantar de um grizzly..."
"Pai, por favor."
"Ok, está bem então. Vamos dormir."

Estas tendas velhas que tenho montadas na minha cabeça. Quando aparecem, são muito chatas, muito persistentes. Querem a atenção toda, são muito reivindicativas. Não pedem permissão a ninguém, ocupam os interstícios do córtex e ficam aí horas, dias até. Os agentes policiais do neo-córtex quer expulsá-las, mas é difícil. 

Há uma falta de bom senso, de entendimento, de concórdia entre o meu cérebro reptiliano de esquerda e o meu neo-córtex de direita. Estou à espera que os dois se beijem apaixonadamente e que vivam felizes para sempre.