quarta-feira, março 14, 2007

Despedimento colectivo


Philip Guston

Ontem de manhã, o homem emborcou metade da garrafa de whisky que tinha reservada para ocasiões especiais, abriu a porta do seu gabinete, desceu a escadaria e despediu toda a gente num acto tresloucado. Confessou aos berros que desejava sangue novo e que já não gostava de nós. Em seguida, chamou o chauffeur, meteu-se no carro e dirigiu-se para a praia que fica do outro lado da rua. Arregaçou as calças, correu para a água e foi molhar os pés.
- Sim... Agora nada mais há a fazer, balbuciou a meia voz para as gaivotas.
Eu consegui safar-me, estava no banheiro* na altura. Hoje, encontro-me sozinho no escritório a pensar na bela fogueira que todos estes dicionários e arquivos dariam no meio deste moderno open space.

*Nunca antes tinha escrito as palavras banheiro ou kiwis num post.