Estava aqui a ler que um ciclista sprinter dos anos 60 chamado Piquemal que era ciclotímico, ou seja, esquecia-se às vezes de terminar uma corrida porque perdia-se nos seus humores ao longo da corrida. Um ciclista ciclotímico, que barbaridade, como dizem os espanhóis.
Quem nunca teve oscilações de humores que atire a primeira pedra. Seria a coisa mais óbvia para se dizer. Hoje está a ser um dia assim, de fortes humores a ganharem vida e a serem desconstruídos. O ócio proporciona-me isto nesta fase da minha vida. Estou num habitat familiar, querido, a assistir passivamente a um concerto dos Red Hot, num sofá bastante surrado e confortável.
A minha mente roda freneticamente alheia ao som dos solos maníacos do Frusciante. Quando os vejo assim em palco, tão conectados entre si, após anos de coexistência, dá para apalpar o Amor que existe pela música e entre eles (Disclaimer: gosto muito de Red Hot, mas não sou fã, longe disso).
Humores. Se fosse budista, diria que são as nuvens que transitam no céu azul que pode ser visto como a nossa Consciência. Felizmente, não sou. Vou dizer algo mais arrojado enquanto escuto o "Suck my kiss": o Amor é um humor que se elevou finalmente e que deixou cair o "Hu", encontrando a redenção e a felicidade nos pequenos gestos. Com o outro.
