Dois países em ruptura. Em contramão. Em contraciclo.
O primeiro já vive assim há muito, muito tempo. A miséria normalizada nas ruas, a sujidade, tudo é improviso, tudo é recauchutado. Um dos berços da civilização turistificado ao máximo, sem qualquer proveito para a maioria. O país é um hino visceral e colorido à miséria. Centenas de línguas e dialectos, dezenas de cultos, milhares de ritos, parece que a Índia sempre quis cobrir tudo o que é possível em toda a praxis humana. Há dias fui contemplado com uma pequena "comitiva" de indianos de Mumbai, tinham vindo a Portugal para um casamento. A grande maioria era vegetariana, como é evidente. Não comem animais e está tudo bem. Tive a sorte de encontrar um restaurante indiano nesta pequena cidade, ficaram felizes da vida. O dono era Sikh, era muito cordial, ainda que os meus clientes não fossem do Punjab. Se pensarmos bem, é espantoso como não há conflitos maiores no meio de tantos credos diferentes no subcontinente indiano.
Não respeitavam horários. Não bebiam vinho. Algumas mulheres não comiam alho nem cebola, é a dieta sátvica, ainda mais rígida. Até podiam mostrar interesse pela cultura e história locais, mas no íntimo acreditam que a sua cultura e alimentação são superiores em tudo. Foi um dia longo como podem calcular. Confessaram-me que eu era muito parecido com um actor indiano ao qual chamavam de "deus grego". Fui obrigado a concordar com as semelhanças.
Bom, o outro país sobre o qual queria falar era Israel, mas o texto já vai longo e não me apetece falar agora de hasidims e comida kosher. Seria demasiado para o caro leitor, tenho a certeza.
