A lua aparece minguante, a sombra rodeia-me como se não houvesse amanhã - aliás, o seu objectivo era mesmo esse, fazer com que tivesse a sensação que não houvesse amanhã. Abraça-me e abafa-me. Enquanto caminho neste bosque encantado chamado Vida, meto-me às vezes por veredas, por senderos (adoro usar o espanhol) que parecem muito assustadores, muito sombrios. Ou melhor, o meu Ego continua a repetir-me vezes sem conta que "são assustadores". É um caminho cheio de espinhos, de covas ocultas, de lobos terríveis que me ameaçam entre velhas árvores retorcidas. São criaturas insidiosas que não me olham de frente, é sempre de lado, mas que de alguma forma parecem atingir na mouche o meu inconsciente.
Às vezes, parece que esse medo nem sequer é meu, parece ancestral, que atravessa eras. A terapia mais estóica diz para observar, para não me envolver passionalmente, para "assinalar" e deixar passar esses animais de charme obscuro que usam espelhos côncavos e convexos (à moda da Feira Popular) para retorcer o meu reflexo. Eu digo: é como se fosse um cérebro que tenta ser mais lúcido e consciente a olhar para um cérebro que é mais sombra, mais primitivo.
E qual é a alternativa, meus caros?
Caminhar, continuar a caminhar pelo bosque encantado chamado Vida até encontrar algumas clareiras e ver ou escutar passarinhos e passarinhas chilreantes.
