Tenho um touro e um toureiro na minha cabeça.
Um touro miura que representa os meus instintos mais primitivos, a minha força impulsiva, se quiserem. A minha cabeça é uma arena onde esse touro irrompe e investe contra quase tudo que lhe faça frente. O impulso do Inconsciente vem à luz do Consciente. A sombra é exposta à luz da arena. Aparece então o meu matador com o seu brilhante traje de luces. Ele não o despreza, o matador respeita a força bruta do animal e tenta dançar com ele. Fora da arena, ele tenta viver de forma normativa, pela regra, pelo instituído. É mais um no meio de milhões. Mas aqui ele enfrenta os seus medos e pulsões personificados naquele animal bestial que pode trucidá-lo a qualquer momento.
O meu toureiro não foge; ele olha o touro no fundo dos olhos. Tenta "governá-lo", submetê-lo. A dança continua. O animal bruto já não parece tão assustador. A capa vermelha esvoaça graciosamente como se fosse uma enorme borboleta vermelha e rosa.
