O antropólogo Mircea Eliade dizia que a alimentação e a sexualidade não são apenas actos fisiológicos como também podem tornar-se actos sagrados, "sacramentos".
Ainda não aprendi a conviver com a minha capacidade sexual. Isto não é um galanteio egoíco, ou um auto-elogio exarcebado, iludido. Na verdade, é uma afirmação de um potente acto de auto-cura e nesse sentido é sagrado.
Mudando um pouco de registo (e de que maneira), ontem tive de levar com um jovem guia que pensava que sabia tudo. Os americanos têm uma boa lista de sinónimos para este tipo de seres:
Know-it-all
Smart Alecks
Smarty-pants
Prig
Fiz um esforço para me manter discreto e em segundo plano para o jovem brilhar e fazer o seu trabalho. Era competente, agia em modo automático, faltava-lhe densidade emocional. Eu sei, é um jovem. Não me olhava nos olhos. Talvez eu também já fui assim. Dei por mim a rebolar os olhos várias vezes sempre que ele fazia uma piada fácil com algo, forçando a seguir uma risadinha ao microfone. Algo patético. Mas, no momento seguinte, via-me a auto-recriminar e accionava logo as minhas reservas de compaixão.
Terminei o dia exausto.
Há algo em mim de gigolo de luxo e de pobre franciscano. Não se riam. São dois lados de personalidade que tendem a coexistir. Gostaria de ter a lucidez para explicar melhor estas duas personas mas para já tenho de ficar por aqui.