1. Ao colocar esta máscara todos os dias, veio-me à ideia que poderia ser um Batman local. Sofro da nobre e absurda intenção de querer ajudar todos os que pedem ajuda e ajudar os que não me pedem nada ("grande erro"); no final do dia, não sei muito bem como ajudar a mim próprio. O drama.
E é sempre assim, não é?
O Batman é um templário ao estilo comics que foi submetido - sem pedir nada a ninguém - a um ritual de iniciação terrível (morte dos pais) para bem da sua evolução. A partir deste episódio trágico, faz o caminho do guerreiro, desenvolve as suas capacidades supra-humanas para estar ao serviço. Encontrou-se, mas ainda tem de lutar contra os seus fantasmas de vez em quando, contra os seus Jokers e Green Goblins. Designações mais criativas e mais cool para querer dizer "neurastenias".
2. Arrasto pessoas para locais bonitos, porque me pagam para isso. É claro. Nos últimos tempos, é-me ainda mais evidente que apesar de sentir algum prazer naquilo faço (nem que seja pela exposição egóica em ser o centro de atenções que - pelos vistos - desejo inconscientemente), sinto que a balança está a cair cada vez mais para a necessidade em receber o chorudo soldo que me pagam em detrimento do dar a conhecer o país setentrional. Oops. Que falta de desígnio, P. Nenhum CEO ou chefe (os italianos chamam capo ao chefe, adoro) quer ouvir isto.
"Olhai os lírios do campo, olhai os belos terraços do Douro". «clique». Face. Insta. Like.
3. Sinto que devo fazer um agradecimento público ao ex-presidente do Conselho, Dr. António Oliveira Salazar. Devo muito da minha brilhante carreira profissional a este homem que está cada vez mais no coração dos portugueses.
Porquê?
Porque sinto que brilho mais quando falo sobre o Estado Novo e Abril aos turistas. Sem a existência de um homem chamado Oliveira Salazar, tal não seria possível. O Universo conspirou para que Salazar existisse para o meu bem, para a minha apoteose profissional. E brindou-nos recentemente com um novo (mais pequenino) Salazar. Os guias futuros vão agradecer também, espero.
"Oh my God, are talking serious right now? We have now our own Salazar, you know", é quase sempre a resposta dos americanos, coitados.
