Estava aqui a tentar escrever algo potencialmente genial sobre um homem que veio de 1910, que serviu o último rei de Portugal e que apelava aquilo que ele pensa ser um "voto útil". Um forte e quase desesperado apelo naquele que ele pensa ser o único candidato que poderá recuperar o antigo e glorioso regime, apesar do país ser um estado de direito, democrático (que ele se envergonha e abomina, naturalmente). Seria a história distópica de um homem que serviu o malogrado D. Manuel II, e que via em Salazar uma "espécie de mal menor" para a nação mas que tentou reimplementar um país de respeito e bons costumes. Ele passaria por Lisboa em 1974 - obviamente um "anno horribilis" para o nosso monárquico que veio do passado - e quase que era atropelado por um dos tanques.
Estava a tentar, dizia eu, escrever a história distópica de um homem que veio do passado e que serviu o último rei de Portugal e queria um Portugal para os portugueses, sem as miscigenaçoes perversas, sem a ilusão do poder do escolha porque acredita que o povo é na sua essência iletrado e ignorante. Este homem que idolatra Paiva Couceiro e abomina Afonso Costa e toda a "corja republicana" consequente iria apelar ao voto no único candidato (que apesar de ser pseudo-republicano, é ultra-conservador, católico, bem apessoado e tem boas intenções) que poderia devolver Portugal aos portugueses. E talvez - talvez - haja a esperança de reintroduzir a monarquia em Portugal e assim recuperar as antigas colónias.
Mas, por um motivo qualquer que me transcende, não consegui escrever ainda esta ficção para vosso gáudio e entretenimento. Fica aqui, no entanto, esta promessa de voltar a esta bela história de Bernardo Leal, o homem que serviu o último rei de Portugal.

