Qualquer ataque de um país sobre o outro é uma agressão condenável. O que está a acontecer, neste momento, neste planeta, já ocorreu milhares de vezes na história da Humanidade. Talvez seja por isso que uma boa parte de nós não fique muito indignado, muito pesaroso, passada aquela reacção inicial de incredulidade. "É mais do mesmo", pensamos, encolhendo os ombros e continuamos com a nossa vidinha. Claro que se tal acontecesse onde vivemos ou aqui ao lado, a coisa mudaria de figura. Pânico geral, caos.
Como não sou comentador político nem tenho a pretensão nem o talento para o ser (e creio que já há demasiados), proponho-vos outra temática: o poder de pensamento. Sim, um súbito volt face temático.
Tal como o Irão, a nossa mente é bombardeada por vários pensamentos durante um dia. A mente pode ser um belo prado com lírios do campo ou um verdadeiro campo de batalha. Os pensamentos são coisas e coisas poderosas, e convém lembrar que cada um de nós está a gerá-los incessantemente, noite e dia. Ou a recebê-los, ainda não sei bem.
Muitas vezes pode acontecer que, no momento, o nosso amigo esteja demasiado ocupado com o seu próprio sofrimento, ou talvez demasiado excitado, para receber e aceitar qualquer sugestão externa, mas chega um momento em que o nosso "pensamento-forma" pode penetrar e descarregar-se, e então, a nossa simpatia produzirá o resultado esperado. É verdade que a responsabilidade de usar tal poder é grande, mas não devemos recuar diante do nosso dever por causa disso. A intenção deste texto não é catequizar ninguém, atenção. Mas parece que já estou a ouvir alguns de vós:
"Mas o que é pensamento? O que é essência de cada um? A consciência?"
Pois, ainda não sei responder a isso. Não sou o António Damásio (tinha a pretensão mas não tenho o talento para o ser, neste caso).
Apetece-me ser fracturante agora: eu estou em crer que uma boa parte dos pensamentos ditos menos bons não são nossos. Eu, por exemplo, sou uma esponja, absorvo quase tudo ao meu redor, sou um Scotch-Brite humano.
"Mas de onde vêm esses pensamentos, seu doutor?"
"Ó menina, num sei. Num sei se é os chineses ou..."
Eu tenho para mim que somos todos emissores e receptores WIFI das emoções e pensamentos. Uns mais do que outros, como é evidente. E somos muitos. Bastantes. E não são poucos. Visíveis e invisíveis.
"Ah-ha, seu doutor, eu cá não acredito em fantasmas ou espíritos, etc."
Nem eu, mas não estou a falar de fantasmas. Apetece-me ser críptico e por agora não irei falar sobre a proveniência. O Inconsciente? Talvez. Mas, voltamos mais ou menos ao mesmo, não?
Chamei-lhes "pensamentos-forma", porque parecem-me que têm forma e cor. A Paixão imagino-a vermelha e voluptuosa. Um grande pompom escarlate. A Devoção, a Fé, imagino-as uma estrela azul-celeste, como não poderia deixar de ser. A Força, a Vitalidade, o Vigor são pequenos ou grandes sóis que irradiam a cor dourada. A sensação gerada por um abraço fraterno, a Fraternidade, é um semi-arco de várias cores vivas. O Medo são estilhaços cinza que se espalham pelo corpo. A Ganância, a luta pelo Poder são uma garra cinza e vermelho pálido misturados. Etc..


