sexta-feira, agosto 14, 2026

A loba

Hoje, tive uma loba ferida como colega de trabalho. Um dia bastante longo. Era doloroso sentir a sua dor. Era notório que a loba queria superar-se custasse o que custasse. Fingia que a dor não estava lá. Nada de novo. O rosto é sorridente, mas a máscara é por demais evidente. Perdeu muito peso nos últimos meses, pratica Krav Maga há muitos anos, adoptava uma postura "Alfa", de conquista, de 'perfuração", de mártir arrebatadora. Mas a dor está lá, muito instalada, senti-me meio abalroado. É uma dor de ausência de pais, de carinho, de ternura. Muita raiva. Quase que poderia apalpar a fúria. Encontrou no Krav Maga um escape, mas isso não chega. Como é evidente. 

Numa luta corpo a corpo, talvez ela assumisse uma vantagem inicial. Ela domina a técnica de combate. Bom, talvez fosse um bom catalisador para estimular e queimar a minha própria raiva. Uma loba ferida contra um urso que se força a sair todos os dias de uma hibernação muito peculiar. 

Amor. Tudo de se resume a isto.