Na minha cabeça, acontecem-me sempre coisas fixes em dias ímpares. É este o padrão. Em dias pares a coisa anda mais enviesada como se costuma dizer. Quero chamar à atenção do leitor que sou muito rigoroso e metódico nestas auto-observações (...).
É claro que esta introdução foi inventada só para atrair a vossa atenção.
Ou seja, esta introdução foi verdadeira durante 10 segundos, depois confessei a sua falsidade. E é sempre uma questão de perspectiva, não é? Ou de tempo, até se descobrir a verdade. Procuramos todos isso, a Verdade.
Tenho pensado ultimamente em Judas Iscariotes e nas diversas teorias que existem à volta deste apóstolo. Será que a Crucificação de Jesus teria sido possível sem a alegada traição de Judas? Quero pensar que Judas não foi um erro de casting. A propósito, "Judas" significa (Yehudah) e significa "louvor a Deus" ou "agradecimento". Há uma consistente teoria que diz que Jesus pediu a Judas para o denunciar e que ele, Judas, não se enforcou de arrependimento. Partiu para o deserto em modo de auto-exílio e aí morreu. Santificou-se no deserto e não foi traidor. Por outro lado, Pedro, o "primeiro" de Jesus, também o negou três vezes, de acordo com o Novo Testamento. E Pedro será sempre Pedro. Isto confere a estes dois apóstolos um carácter muito, muito humano.
As camadas que nos revestem são espessas e cinzentas. As coisas tornam-se turvas, às vezes. Pedimos alguma luz e esclarecimento (evitei usar a palavra "iluminação" aqui) mas tarda a chegar.
Tal como disse no início, hoje começou por ser um dia par. Mas também posso acabar por me sentir como se fosse um dia ímpar.
Quero pensar que o Amor é sempre a constante inquestionável da equação complexa a que chamamos Vida.
