terça-feira, junho 29, 2010

I kissed a grill



segunda-feira, junho 28, 2010

A Star is Porn

Nunca leias
um poema com
um título de qualidade

duvidosa em Inglês,
que tenha mais
do que 5 (cinco)
versos e que termine
em reticências.
Lembra-te! Ezra
Pound não dorme...

quarta-feira, junho 23, 2010

Totally slashed.
Agora sim, já posso ser cremado.

sexta-feira, junho 18, 2010

alien vs winnie the pooh


(recente aquisição num alfa-rabista de sci-fi e bd com A/C e MB)

quinta-feira, junho 17, 2010

Os malefícios do tabaco


Deixem-me contar uma
pequena história sobre
Duncan Macleod, o Imortal.

Sou um watcher, um olheiro,
por assim dizer, e observo
este escocês há algum tempo.

Poucos mortais saberão que
Duncan Macleod do clã Macleod,

o Imortal,
esteve em Lisboa há muitos anos.
Ontem, Duncan resolveu fazer um seguro de vida,
"Há muitas cabeças a rolar
hoje em dia, nunca se sabe", pensou.
No campo "Profissão" do formulário
escreveu "Calceteiro reformado ao
serviço de Sua Majestade El-rei D. José".
O funcionário dos seguros não aceitou
e pediu a Duncan para se retirar.
O Imortal cortou-lhe a cabeça logo ali
e todos à sua volta fugiram horrorizados.
Um fluxo incrível de energia
foi transferido do corpo decapitado
do funcionário para a boca escancarada de Duncan.
Pela primeira vez, D. não sentiu
a presença de outro Imortal.
"Estarei a perder as minhas faculdades?",
perguntou a si mesmo.

Losing Your Face


Ben Woodward

domingo, junho 06, 2010

0:50

Two Headed Cow

sábado, junho 05, 2010

Serralves non stop


Dan Monick

terça-feira, junho 01, 2010

Funambolismo

I
Prometeu roça novamente as costas num dos dois pilares de madeira. Coça a barriga da perna e olha lá para fora. Finge que vai para dentro mas volta ao balcão. Aproxima-se furtivamente do empregado e cheira-o. Bate no peito durante alguns segundos. Prometeu ainda é o macho alfa da drogaria.

II
- Queria 1300 metros de arame, por favor - disse Orestes.
Orestes não pode dizer o número 1299. Segundo o seu médico de família, o incrível registo fonético deste número pode causar uma rápida deterioração do tecto da boca e ruir. Se proferir o número a seguir ao 1300, as glândulas salivares iniciam a produção de um ácido muito corrosivo e Orestes morre.
- Para quando é que precisa do arame? - pergunta Prometeu.
- Para amanhã - responde Orestes.

III
Antes de sair, Orestes beija a mulher na testa e afaga-lhe o peito. Está a fazer isto por ela. É de madrugada. Amarra uma ponta de arame à torneira da cozinha. A tarefa poderia ser mais simples se o Trópico de Capricórnio não passasse a meio do caminho para o escritório.

IV
Prometeu enfia a chave na fechadura corroída. Depois de entrar na loja, põe o boneco insuflável de uma conhecida marca de ferramentas cá fora. Enquanto dá à manivela para abrir o toldo, olha para o fundo da rua e vê algumas pessoas a olharem para o céu. O trânsito não avança.

V
São 8:25h. Orestes sente-se cansado mas sabe que vai conseguir. As pessoas começam a bater palmas lá em baixo. Pela primeira vez nos últimos dois anos, Orestes vai chegar a horas ao emprego.

quinta-feira, maio 27, 2010

quarta-feira, maio 26, 2010

Polígrafo

Em 1957, Brother Antoninus (William Everson) comprou um polígrafo usado num flea market em São Francisco. De acordo com a sua biografia autorizada, o poeta de Sacramento recorria ao polígrafo antes de "consolidar" a versão final dos poemas. Se o detector de mentiras acusasse algo durante o seu recital inflamado, Antoninus queimava os seus versos para depois reescrever e medir novamente a veracidade do texto. Brother Antoninus, admirador confesso de Walt Whitman e da homeopatia, viria a destruir o polígrafo quando experimentou ler "Leaves of Grass" para um grupo de beatniks. A máquina assinalou vinte e quatro irrefutáveis registos ao longo do depoimento lírico dedicado a Whitman.

segunda-feira, maio 17, 2010

quarta-feira, maio 12, 2010



"Cavalo larval"


Codex Seraphinianus de Luigi Serafini

terça-feira, maio 11, 2010

E depois do adeus

Todos os ocidentais dispostos
a serem salvos sabem que
a Mulher-Maravilha
tinha um cão fraldiqueiro e
não gostava de ficar longe dele
por muito tempo.
Certa vez a Mulher-Maravilha
salvou um grupo de Obsessivos do Adeus
Anónimos de morte decerta. Quando
chegou a casa o cão fraldiqueiro
já lá não estava porque tinha
fugido com o cio (mas isto
a Mulher-Maravilha não sabia,
apesar dos seus super-poderes).

Há quem diga que a Mulher-Maravillha
se sentiu muito angustiada e
processou os O.A.A. pelo
desaparecimento do cão fraldiqueiro.
Há quem diga que foram
os próprios O.A.A. que roubaram
a mascote da Mulher-Maravilha
só para lhe dizerem adeus depois.
Há ainda quem
não diga nada, porque
amam a heroína mais do que
tudo na vida.

sexta-feira, maio 07, 2010

Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead



Publicado pela primeira vez em 1915, durante a I Grande Guerra, o Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas foi durante trinta anos difundido a médicos de todo o mundo em folhas de carbono ou fotocópias. O trabalho do Dr. Lambshead inspirou génios clínicos de todo o mundo, e Portugal não foi excepção, encontrando no Dr. Anófeles Calamar Trindade e no seu Compêndio Médico de Doenças Notáveis e Invulgares uma referência incontornável.

Pela primeira vez, as descobertas de jovens médicos portugueses são apresentadas num volume único e insubstituível, onde se juntam ao trabalho de colegas norte-americanos e britânicos de grande reputação como o Dr. Alan Moore, Dr. Neil Gaiman, etc.

A antologia Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead de Doenças Excêntricas e Desacreditadas irá ser publicada pela editora
Saída de Emergência a 21 de Maio e terá um PVP de 18.80 Euros.

terça-feira, maio 04, 2010

Tarde quente

Antes de se ir embora,
o velhote das castanhas
congeladas assadas tem o hábito
de sacudir o seu enorme guarda-sol
para cima dos transeuntes.
Dois pobres alemães
que por ali passeavam
entraram no hotel da baixa
como dois rabanetes de mão dada.

quinta-feira, abril 29, 2010

A última noite do rei


David Teniers le Jeune

Chamou virtuosos músicos de alaúde, de viola, de saltério. Não chamou o monge que largava um bafo pestilento dentro do confessionário. Chamou o barqueiro que lhe oferecia sempre uma laranja para não enjoar durante a travessia do rio. Chamou os três criados franceses que tinham chegado há dois dias e, que apesar do seu ar eternamente fatigado, ainda cheiravam a perfume. Mandou chamar o habilidoso carpinteiro sem a sua serra. Não chamou a rainha desta vez, nem as duquesas, suas irmãs. Mandou espalhar morangos, frutos silvestres e nozes pelos seus aposentos, e vinho, muito vinho. Mandou chamar um artíficie que morava no limite das suas terras e que dizia estar a construir uma "barca voadora". Não chamou os ministros, essas aves de rapina agoirentas, nem o médico, pois a sua presença agravaria ainda mais a sua doença. Chamou o secretário da Fazenda que era magro como um osso e que errava sempre nas contas do reino mas sempre com uma diferença exacta do valor correcto. Chamou o velho cozinheiro que, apesar de sujo e grosseiro, cozinhara sempre deliciosas iguarias. Encheu o quarto com pavões, garças e papagaios. Pagou a peso de ouro por uma grande tartaruga cuja carapaça parecia retratar o rosto de Cristo. Ordenou a presença dos arqueiros com as suas enormes flechas e do seu leal Cavaleiro Branco que conhecia muito bem os aposentos reais. Infantaria não, cheiravam muito mal dos pés. Todos teriam travesseiros de seda e colchões de penas de grandes poetas para sonhar os mesmos sonhos do seu rei.
Comício memorável do Primeiro de Maio