Há dois heróis da literatura que me fascinam e me causam empatia - às vezes parecem-me mais reais do que os próprios autores.
O Quixote e o Conde de Monte Cristo.
A palavra "empatia" que é usada e abusada actualmente vem do grego "pathos" que significa "sofrer", "suportar". Um impulso emotivo em que nos identificarmos com alguém que sofre por algum motivo. Estou a pensar também em "compaixão" mas, neste caso, o sujeito (nós) não tem necessariamente de ter sofrido para entender o sentimento de "sofrência" (alô Brasil!) do outro. Também pode ser algo muito católico se quiserem. Tens de sofrer para compreender o próximo e para compreender a paixão de Cristo.
Seja como for. Adoro as alucinações do Quixote, um ser lunar (não lunático) que procurava a glória de um passado na imensa e monótona planície da Mancha. O seu criado Sancho era um chato de primeira, mas era um chato prático e necessário. Sou muito quixotesco na maior parte do tempo e talvez haja algum orgulho aqui quando digo isto.
Monte Cristo. A vendetta, a raiva vingativa. O Conde que foi vítima de uma tremenda injustiça e procura vingança. Também é um símbolo de perseverança, de espera, de combate oculto. Não desejo vingar-me de ninguém neste momento. Tinha questões com o meu pai (não tão espectaculares como no livro) que creio que entraram na fase da aceitação (embora ache que nunca irão ficar totalmente sanadas).
Como disse o Charlie Sheen em "Platoon" sobre os seus 2 sargentos: sinto que sou um filho desses 2 pais:
El Quijote & o Conde de Monte Cristo.