quinta-feira, maio 07, 2026

Carlos Alberto

Tudo regressou em força hoje. Quase tudo.

Uma mensagem forte e emotiva da minha irmã relacionada com o drama que a família vive há cerca de um ano. Um feudo familiar. Dinheiros, partilhas. Nada de novo. Sensação de tontura e vertigem na Costa Nova. Como se um fuso energético se abrisse no meio do cocuruto - uma palavra bonita para se utilizar nestas ocasiões. 

Revisitar a infância. Uma das clientes é amiga da minha mãe, uma mulher que já foi linda e agora sofre de artrite reumatoide. Já não nos víamos há quase trinta anos. Ela fala inocentemente sobre episódios daquelas ruas onde tudo aconteceu, onde tudo nos aconteceu. A ela, aos filhos, aos homens daquela época, à vida difícil que passou. Antigamente chamava-se Monte dos Judeus e deve haver ali um geokarma, um vórtice dimensional naquele lugar onde as vidas eram difíceis, de conflito, de permanente tensão. Deu para abalar um pouco a minha fundação. O dinheiro não é tudo, às vezes. Despedimo-nos com dois beijos, com a promessa de nos voltarmos a ver. 

Amanhã vou falar do príncipe Carlos Alberto na minha última apresentação de escola. 
Quem foi Carlos Alberto, perguntam?
Foi um príncipe real da Sardenha que perdeu a Batalha de Novara em 1848 contra os austríacos e que se exilou no Porto, com o nome de Conde de Barge, não queria ser reconhecido pelo povo. Não adiantou muito. O seu aspecto abatido e infeliz comoveu os portuenses. Era uma celebridade na época, foi recebido com honrarias. Ficou no Palacete dos Visconde de Balsemão durante 1 semana. Até o Paço Episcopal e o barão de Forrester lhe ofereceram casa. Mudou-se para a Quinta das Macieiras, actuais jardins do Palácio Cristal. Morreu ao fim de quatro meses, muito debilitado. 
A sua meia irmã Frederica Augusta de Montleart, uma mulher com um carácter desconcertante, mandou erigir a Capela em 1854. Demorou sete anos a ser construída com muitos avanços e recuos, à boa maneira portuguesa. Foi inaugurada em 25 de Dezembro de 1861. Sete anos (!) para construir um bonito cenotáfio (monumento ou túmulo funerário erguido em memória de uma pessoa cujos restos mortais estão noutro lado). 

Para terem uma ideia, a ponte ferroviária Maria Pia demorou ano e meio a ser construída. A propósito de Maria Pia, a tal princesa Frederica doou a capela a D. Luís que viria a casar-se com D. Maria Pia de Sabóia, neta de Carlos Alberto.