Uma senhora pede um livro ao funcionário da biblioteca. Uns minutos vem outro funcionário, mais velho do que o primeiro, que repete o título de livro à mulher.
- Queria o livro o Beco da Memória?
- Não, diz a mulher. Quero o Eco da Memória.
- Ah, estava a ver. O Eco da Memória! Não é o Beco.
O primeiro funcionário olha impassível para o colega. Este olhou-o com um ar paternalista quando repetiu o nome corrigido do livro à mulher.
Se calhar, na cabeça do primeiro funcionário, faria mais o sentido se o título fosse o "beco da memória" em vez do "eco da memória". Seria talvez um título mais adequado para um livro. "O beco" soa mais real, mais urbano, talvez mais existencialista. O outro, o que a mulher pretendia requisitar, é talvez mais pretensioso, mais intelectual, logo, menos interessante.
A minha memória, por exemplo. Ela tem ecos que ecoam nos becos que a habitam. Como em quase todos nós, creio.
Mas também quem se lembra de pedir um livro chamado "O Eco da Memória"?