Estou convencido de que para escrever um história de fôlego, um romance, por exemplo, temos que extenuar o leitor para o depois resgatar. É uma "fórmula" que é utilizada constantemente pelos ditos grandes escritores.
Poderia escrever, por exemplo, a história de dois amantes que vivem num dos muitos subúrbios de Buenos Aires em que ele, para sobreviver, tem que dançar tango todas as noites. Nao seria apenas uma necessidade psicológica mas também física, visceral. Fá-lo de forma inconsciente, precisa do contacto, precisa de várias parceiras para manter uma espécie de sanidade mental. De dia, hiberna, não tem trabalho. O tango salva-o todas as noites de si mesmo. É um ciclo que deseja manter até se redimir.
"E ela, a amante, quando vais falar dela?", poderão perguntar.
"Ela espera por ele? Porque é que ela não o acompanha nessas intermináveis milongas? Ela tem outros homens, outros parceiros?"
Teria de vos cansar ainda mais, falando, caracterizando-o ad nauseum para depois finalmente começar a falar dela, do que ela pensa e sente.
E vocês? Como é que acham que a história poderá se desenvolver a partir daqui?