terça-feira, agosto 21, 2018

quarta-feira, agosto 08, 2018

Santo Inácio de Loyola

domingo, agosto 05, 2018

Três rapidinhas


1. A canícula impede-me de escrever coisas interessantes. Sou muito sensível ao calor térmico. Quase, quase que ia escrever "calor humano" mas o meu poderoso gene dostoevskiano filtrou tal coisa.
O suor generoso escorre-me de forma ininterrupta pelos braços e nascem-me membranas interdigitais feitas de suor seco. Sou um pato-homem. Tenho muita, mas mesmo muita dificuldade em escrever. Esperem aí. Um pato não, um cisne porque sou um gajo bonito. Estou a fazer este post com a ponta do meu bico-nariz. Obrigado Gogol.


2. A minha mente fervilha de obscenidades. A irmã da minha sogra é freira e anula de uma forma muito dócil, muito subtil os pensamentos daninhos. A sua candura ataca e cauteriza os meus delírios persecutórios. É uma curadora. A senhora veio passar uns dias cá a casa. Sinto-me de certa forma alivado e nem sequer me toquei ou fui tocado. Tenho um farol de Luz debaixo do meu tecto. Não, não estou a brincar.


3. Acredito piamente (tem de ser sempre piamente, senão o verbo acreditar perde força) no Karma e na Roda de Samsara. Para obter redenção,  tenho de perdoar. Custa para carago. Uma travessia no deserto. Falsos oásis, tenho de continuar. Dois anos disto. Basicamente, tenho de perdoar o mal que fiz noutras vidas e perdoar o que essa malta me está a fazer (só para terem uma ideia, não sei o que os obsessores fizeram ao meu corta-unhas e nunca tenho papel higiénico disponível quando faço o que ninguém pode fazer por mim). Sobretudo, tenho de me perdoar a mim mesmo. Vejo daqui os vossos esgares e sorrisos trocistas. Mas sei que há uma pequena parte que se sente solidária comigo porque já passou pelo mesmo. Freud, às vezes, não explica.




quinta-feira, julho 26, 2018

terça-feira, julho 24, 2018

Teorema

A minha questão do momento é esta:
Se um chimpazé pode escrever aleatoriamente toda a obra do Shakespeare por um infinito período de tempo, porque é que não hei-de conseguir?

Já não digo Shakespeare, contentava-me com um Verne, um Machado, um Millerzinho, um Forster, um Saroyan. Oh, mas, esperem, o que vem a ser isto, um esquadrão de Ninfas e Ninfetas a vir na minha direcção?
Até digo mais: dêem-me a ilha do Pessegueiro por tempo ilimitado e eu escreverei coisas melhores do que Louys, Bataille, Hilda Hilst (Sade não, é imbatível, intransponível). 

Tudo isto é ficção como é óbvio.

quinta-feira, julho 12, 2018

"Luta de galos" de Jean-Léon Gérôme

segunda-feira, julho 09, 2018

Série "Ex-votos mexicanos"

























Agradeço à Virgem de Guadalupe por me salvar da morte e enviar-me uma sereia para me ajudar, ela tirou-me da água e arrastou-me para a praia.
Armando Soto Garcia. Veracruz, 23 de junho de 1963.

terça-feira, julho 03, 2018

Telefonia

- Meu caro. A melhor imagem que lhe posso dar para a maleita que padeço é a seguinte. Imagine um rádio muito antigo numa sala bafienta com móveis de carvalho, pesados, maciços. Flores de plástico numa jarra, cacos. Um cinzeiro de alabrasto, uma pequena estatueta de Fátima vigia uma estatueta de um cavalheiro do século dezoito a fazer a corte a uma dama do século dezoito. Esse tipo de coisas. Mas o rádio é bonito, é uma...
- ...telefonia?
- Sim, uma telefonia. Estou a tentar sintonizar uma estação, mas só apanho estática, ruído. O rádio é muito antigo, não ajuda. A minha cabeça só consegue ouvir ruído e algumas vozes e músicas abafadas, "lá ao longe". Até que finalmente consigo sintonizar uma estação, mas talvez por escutar tanto ruído durante tanto tempo, não me soa bem. E volto a procurar. Mais ruído, mais estática, estou hipnotizado. Rodo o botão para a esquerda e para a direita,  já estou em modo automático, procuro a melhor estação com a sintonização mais fina, mais distinta. Mas sei que, na verdade, não interessa. Caí na malha do ruído. O ruído torna-se confortável para os meus ouvidos. Está-me a seguir?
- Sim. Porque não compra um rádio novo?
- Porque gosto mais deste.

segunda-feira, julho 02, 2018

quinta-feira, junho 28, 2018


Efeito Dunning-Kruger

Se me permitem, vou agora colocar a minha capa de super-herói e combater esta gente que procria como coelhos. Nos trabalhos, nas repartições, nas paragens do autocarro, na fila para o pão.

"O que é aquilo no céu? É uma pássara, um avião?"
"Não! É o Super-Consciente".
"..."
"..."
"Mais um. Tem a mania."

quinta-feira, junho 21, 2018


O que aconteceria se o Dee Dee Ramone encontrasse o Lao-Tse?
Quem iluminaria quem? Quem apagaria quem? Qual é o nível de consciência de cada um?
"Pet Cemetery" foi escrito por Dee Dee Ramone na cave do Stephen King em apenas uma hora. Uma hora!

Só estou a dizer, passo o americanismo.

quarta-feira, junho 20, 2018

segunda-feira, junho 18, 2018

Oh sim, a minha mente é a de um macaco, sempre a saltar de ramo em ramo, a trepar novas e velhas árvores. E ao dizer a minha mente, no fundo quero dizer a vossa mente. Somos todos filhos da mãe, da mesma mãe que viveu há milhões de anos. Ou seja, incestamos todos os dias.
Quero descer da árvore e sentar-me como o Sidarta e observar tudo pela primeira vez. Como um gato.
Alguém disse que todos os gatos são mestres zen.

segunda-feira, junho 11, 2018

Um bom nome para uma oficina

"Auto Sabotagem"

C/ check-up gratuito.
Georgia O’Keeffe

quarta-feira, junho 06, 2018

A mosca


Na minha segunda visita à ala psiquiátrica, reparei num novo paciente que foi colocado em reclusão. Aparentemente, o homem demonstrara comportamentos profusamente psicóticos após a sua admissão e encontrava-se num estado mental bastante desorganizado, desordenado.

Quando me aproximei do quarto, a primeira coisa que notei foram os seus olhos. Estavam vidrados, tinha dificuldade em fixar o olhar e acompanhar objectos em movimento lento. Usava um chapéu de papel que tinha feito a partir de um jornal e segurava um pedaço de papel com a mão esquerda. Estava alheio à minha presença, embora estivesse a poucos metros dele e o quarto tivesse uma grande janela de vidro.

Quando recuei alguns metros e comecei a concentrar-me no espaço à volta, reparei naquilo que pareciam ser manchas incomuns de cor castanha espalhadas pela parede branca atrás dele e no chão.
Comecei a examinar o quarto. Não demorou muito até perceber que as manchas castanhas nas paredes e no chão eram as suas fezes. Com base nos padrões na parede (splash art) parecia que estava a atirá-las pelo quarto e na sua cama. Todo o quarto estava cheio de fezes e o paciente brincava com o chapéu de papel e com a revista.

O paciente não parecia muito incomodado. Na verdade, não estava presente. Estava ostensivamente psicótico e de acordo com aquilo que via, o indivíduo não sabia onde estava nem o que estava a fazer.

Virei-me e olhei para a equipa de enfermagem no aquário (uma sala de vidro no meio da enfermaria onde os funcionários observavam os pacientes e faziam o seu trabalho). Pareciam concentrados no seu trabalho e a cena que acabara de testemunhar parecia ser uma novidade para eles. O pessoal de limpeza estava a caminho.

Fiquei algo desencantada e vi-me forçada a voar dali para fora para encontrar alimento noutro espaço daquela unidade. Como é aquele ditado? Quando a esmola é grande...



sexta-feira, junho 01, 2018

sexta-feira, maio 18, 2018

"Great Expectorations"





















Não engula, cuspa.

quarta-feira, maio 16, 2018

A mente é um cemitério. A mente é ficção científica.
Pensa naquilo que já morreu no tempo e cria algo que ainda não existe.

quinta-feira, maio 03, 2018

Ex votos mexicanos - II






















"Certa noite, marcianos aterraram na minha quinta e entraram no meu quarto pela janela. Agradeço a N. S. de  Zapopan por não terem levado nem a mim nem ao meu cão que não acordou, apenas pegaram num dos meus chinelos."