quinta-feira, janeiro 25, 2018

O caminho mais seguro para chegar ao verdadeiro futuro é ir na direcção em que o nosso medo cresce. E assim regressamos a casa.

terça-feira, janeiro 23, 2018

Às vezes gostava de ter um Adblock Plus para certo tipo de mensagens que o meu ego produz.
(Se colocasse a frase anterior em verso, daria um belo poema).

quarta-feira, janeiro 17, 2018

Não tenho bem a certeza, mas acho que estou a atravessar o Rubicão.

terça-feira, janeiro 09, 2018

quinta-feira, janeiro 04, 2018

sábado, dezembro 30, 2017

Os meus três sobrinhos




Tenho três sobrinhos que vêm visitar-me todos os dias. São apenas miúdos, mas houve uma altura que não os suportava. Custa-me falar assim de crianças, mas é uma libertação incrível poder afirmar isto. Sim, confesso, odiava-os, não os suportava. Quando se juntavam, eram capazes de coisas terríveis, coisas que não lembram ao diabo. No início, tinha medo, entrava em pânico, sentia-me quase obrigado a abrir a porta. Se não o fizesse,  passavam todo o santo dia a tocar à campainha ou a dar pontapés na porta. Quando finalmente cedia, quando lá os deixava entrar, destruíam tudo. A casa ficava num caos. Tentava entretê-los, alinhava nas brincadeiras deles, mas chegava ao fim do dia exausto. Se os ignorasse, berravam como porcos no matadouro. Um inferno. Os putos estavam possuídos. Cheguei a ir à bruxa, confesso. De nada valeu. Quase que tinha um esgotamento, cheguei a temer pela minha vida. A sério.
"Porra, que gajo tão fraco, deveria ser comigo. Como é que três chabalos podem ser tão pestes, não tens pulso neles? E um par de estalos, não?"
Vocês definitivamente não conhecem os meus sobrinhos. Às vezes, dava comigo a pensar que eram pequenos psicopatas de tão retorcidos que eram, mas a verdade é que não passam de crianças. E as crianças devem ser amadas. Incondicionalmente. Resolvi aceitá-los tais como eram, abraçá-los, dar-lhes todo o meu amor. Foi um processo lento, mas está a dar os seus frutos. Deveriam vê-los agora. Parecem três anjinhos.

segunda-feira, dezembro 25, 2017

quinta-feira, dezembro 21, 2017

The Black Crowes - Remedy



Onde estão os meus?

quarta-feira, dezembro 13, 2017

Tao Te Ching

 "O Mal não é uma força à qual devemos resistir. É simplesmente uma opacidade, um estado de auto-absorção que não está em harmonia com o processo do Universo.
A luz não atravessa a janela suja."

"Lieber Vater"

Nos diários, Kafka escreve:
“Os pais que esperam gratidão dos seus filhos (inclusive há os que a exigem) são como agiotas; os pais até gostam de arriscar o seu capital, contanto que recebam juros
por ele."

domingo, dezembro 10, 2017

Adoro a Nina

quarta-feira, dezembro 06, 2017

A adaga com cabo de jade

Durante dois anos - eu repito, dois anos - uma senhora amiga da minha mãe cismou em arrancar o seu olho direito com uma adaga com cabo de jade. A adaga era do seu pai que falecera há precisamente dois anos. Ao longo desses vinte e quatro meses, esta mulher não pensou em mais nada. Pelo menos foi aquilo que a minha mãe me disse e não tenho a minha mãe como mentirosa. Foi a paixão da sua amiga, a sua obsessão, aquilo que a sua mente lhe dizia para fazer. A minha mãe escutava-a e dizia-lhe para "ganhar juízo", Deus escutava-a e não lhe dizia nada, o diabo sorria, o seu anjo custódio acompanhava-a, o seu marido sofria em silêncio, o monstro das bolachas encolhia os ombros.
Até que uma bela manhã, enquanto barrava o seu molete com manteiga dos Açores, deixou cair a faquinha ao chão. Agachou-se, pegou na inofensiva faca e olhou para ela. Imaginou o apetrecho do seu marido, lambeu a ponta e sorriu.
"Que parvoíce", disse baixinho.
A fantasia tinha chegado ao fim.

sábado, dezembro 02, 2017

Série Tarot

O Mago

quinta-feira, novembro 30, 2017

Continuo a adorar o Zé Pedro



Vem ninguém vê
O que tem
Só vê o que não tem.

Das gretas

Dos meus calcanhares nascem gretas. Das gretas nascem raízes. A partir das raízes, a energia da terra sobe até à copa, até à cabeça. Da cabeça, brotou este fruto, este textinho. O textinho é colhido e trincado por vós. Alguns poderão achá-lo cítrico, outros doce, talvez farinhento, haverá ainda alguns que poderão achá-lo demasiado verde.
Talvez uma boa parte - os mais telúricos, enraizados - poderá achar que eu tenho de tirar as gretas com pedra-pomes e dedicar-me a coisas mais práticas, como, por exemplo,




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segunda-feira, novembro 27, 2017

O atol da Felicidade

Encontrava-me numa daquelas praias paradisíacas onde tudo é azul, verde e dourado. Palmeiras, coqueiros, vegetação luxuriante numa ilha do Pacífico Sul. Não era bem uma ilha, era mais um atol. Todos aqueles que eu considerava meus amigos e minhas amigas estavam nesse atol. Gaugin era o salva-vidas, estava no alto daquelas cadeiras-girafa de vigilância. Freud estava sentado com os pés cruzados aos pés da cadeira, usava um fato branco, Fedora na cabeça e fumava o seu eterno charuto. Albatrozes grasnavam e voavam recortados em padrões escherianos sob o céu de um azul impossível. Enfim, o paraíso na Terra.
 
Os meus amigos tiraram as roupas e começaram a explorar os corpos alheios, a lamberem-se numa pantagruélica orgia de registo oral, sem qualquer insinuação de coito ou outro tipo de manobra física mais invasiva. Estavam proibidos por Gaugin. Freud largava espirais de fumo com a boca e de vez em quando coçava a barba. Os ventres morenos das minhas amigas reluziam e os ombros e tríceps dos meus amigos contraiam-se e dilatavam-se de forma compassada. O meu amigo mais casto (não vou dizer o nome dele como certamente compreenderão) exortava-os à virtude, ao resguardo moral, mas foi logo abocanhado pela minha amiga mais voraz. Ficou todo ensalivado de prazer e um esgar de êxtase ondulou o seu rosto e deitou-o por terra. A minha amiga lambeu o canto da boquita, soltou uma gargalhada e voltou para o resto do grupo. Aquele cenário era um verdadeiro manifesto de línguas e bocas, de pele suada. Havia cestos de maçãs e cerejas espalhados pela praia.
 
Esperem. O que se passa aqui? Enterrei a mão na areia fina. Mas isto não são grãos de areia. O que significa isto?! Centenas de pastilhas de Xanax e Prozac escorriam entre os meus dedos. A praia era um enorme depósito farmacêutico. Fingi-me chocado, encolhi os ombros e juntei-me ao grupo.

quinta-feira, novembro 23, 2017

Série Tarot

O Mundo

quarta-feira, novembro 22, 2017

Faço a vénia ao sr. Prince




De repente, tive a visão de Prince a perguntar ao Arcanjo Raziel:
"Onde fica a minha suite?"




segunda-feira, novembro 20, 2017

Como é que nunca pensei nisto antes:

Oficina de Teta Lírica.

Mas adaptado para homens. Sem "tetas".
Obviamente.

domingo, novembro 19, 2017

Im Nin'alu

אם ננעלו דלתי נדיבים דלתי מרום לא ננעלו
Im nin'alu daltei n'divim daltei marom lo nin'alu
Ainda que os portões dos ricos estejam fechados, as portas do Céu nunca estarão fechadas.

Retirado do poema "Im Nin'alu" (אם ננעלו‎) do rabi Shalom Shabaz, o poeta nacional do Iémen (século XVII), imortalizado por Ofra Haza, a minha exótica paixão da adolescência.

Parece que está a vir tudo ao de cima agora.