terça-feira, março 24, 2015
terça-feira, março 17, 2015
Palavra d'honra
Bati-me ontem em duelo e venci, a minha honra foi reposta. Arma escolhida: florete. Sofri apenas um ligeiro corte na perna, uma tentativa trapalhona de um golpe de Jarnac por parte do meu adversário, o Barão do Chão Vermelho. O motivo? Não posso dizer porque já me esqueci, o meu adversário deve ter golpeado a minha cabeça sem que eu desse conta; para piorar ainda mais as coisas, amanhã tenho de comparecer numa comissão de inquérito qualquer. Que maçada, o que é que vou para lá fazer se não me lembro de nada? Como se não bastasse, um dos membros da comissão foi minha testemunha no duelo, porque é que ele requereu a audição? Mas que maçada, que maçada.
quinta-feira, março 12, 2015
Alcaparras
Não consigo livrar-me
do hálito
a alcaparras.
Há uma semana
que falo com este
fedor verde,
a minha boca é um walker.
A minha mulher
faz cara feia
e vira a cara pró lado
quando a vou beijar,
deveria ser "na saúde,
na doença,
na pestilência,
etc.".
Já bochechei hextril
umas quarenta vezes,
bebi limonada com
água salgada,
fui à Santa Rita
a pé e nada,
nada resulta.
Esta merda é o que dá
armar-me em
masterchef.
do hálito
a alcaparras.
Há uma semana
que falo com este
fedor verde,
a minha boca é um walker.
A minha mulher
faz cara feia
e vira a cara pró lado
quando a vou beijar,
deveria ser "na saúde,
na doença,
na pestilência,
etc.".
Já bochechei hextril
umas quarenta vezes,
bebi limonada com
água salgada,
fui à Santa Rita
a pé e nada,
nada resulta.
Esta merda é o que dá
armar-me em
masterchef.
quarta-feira, março 11, 2015
Prejuízo literário
Tento interiorizar que cada dia que passo sem escrever 300 palavras, perco quase 3000€ diários como aquele totalista do Euromilhões que ainda não reclamou o prémio. 30 mil. 300 mil. Por aí fora.
A situação política no Uzbequistão
À falta de melhor, tenho acompanhado os últimos desenvolvimentos políticos no Uzbequistão e não consigo deixar de associá-los a contínuas jogadas de Batalha Naval. Senão vejamos: o ex-PM encontra-se em "prisão preventiva" há quase meio ano; foi um porta-aviões que embora já tenha ido ao fundo há algum tempo, ainda consegue enviar mísseis/missivas do fundo do mar (não, não é um submarino, esse é representado pelo RP do Governo, é um caso de estudo de resiliência e sagacidade política). O actual PM é outro porta-aviões que se mantém à tona a todo o custo; se sofrer mais um tiro, é provável que vá ao fundo. A ministra das Finanças é uma bela fragata com uma pesada divida pública no bojo (não pode largá-la em alto-mar) que se farta de navegar por misteriosos mares interiores. O PR é um navio-almirante que conta já com inúmeras comissões no currículo, mas que agora parece navegar ao sabor das ondas. A sua manutenção sai cara. Precisa de reforma. Não consigo definir o actual líder da oposição; actuou com alguma eficácia como contra-torpedeiro no passado, foi concebido para escoltar o porta-aviões naufragado, mas pergunto-me se possui autonomia e capacidade suficientes para enfrentar os mares revoltosos do Uzbequistão.
segunda-feira, março 02, 2015
O sonho
Vou contar-vos o sonho que tive esta noite.
Ia
com a minha mãe numa daquelas velhas camionetas dos Carvalhos, da UTC, daquelas que estão a cair de
podres e que encharcam o ar de fumo
preto, íamos já a meio da viagem, quando resolvi confirmar com o motorista que
era russo se a camioneta ia mesmo para Ecaterimburgo; ele disse que não, que só ia
até Perm. A minha mãe começou a mandar vir comigo, "estás a ver, estás a ver, o que é que eu te disse? Tu nunca me ouves", começou a esbracejar a
dizer que queria sair, ela bem me tinha avisado que tínhamos entrado na
camioneta errada. O motorista travou a fundo, um grupo de hospedeiras de bordo
que ia lá trás foi projectado para a frente, era cada uma melhor do que a outra,
metiam todas a Irina, a ex do R7, no bolso, as lindas hospedeiras ficaram prensadas no
vidro da frente e começaram a disparar insultos para o motorista. A minha mãe e eu estávamos mesmo atrás do lugar do motorista que se virou e olhou
para os meus pulsos; muito calmamente, desapertou a bracelete do meu Rolex, enfiou-o no bolso, voltou-se e piscou-me
o olho pelo retrovisor. Arrancamos. Olhei lá para fora, árvores e mais árvores
que aborreciam de morte a paisagem. A minha mãe já dormia com a boca aberta,
acabei por adormecer também.
Alguém me puxava pelo braço e dava tabefes
meigos para me acordar. Olhei atarantado para o lado. Em vez da minha mãe, vi a minha mulher a sorrir para mim, estávamos outra vez parados. A camioneta estava vazia. O
motorista russo estava lá fora a ver a pressão do pneu careca com a bota
texana. À nossa frente, uma placa branca dizia "Serzedo".
domingo, março 01, 2015
segunda-feira, fevereiro 23, 2015
Efeito Borges
Um homem começa a bradar passagens do Livro de Areia em plena biblioteca. Ninguém tem coragem para fazer "schiu", um grupo de miúdos do secundário na mesa ao lado tenta abafar o riso, o homem tem um ar meio alucinado, descalçou uma das sapatilhas e apoiou o pé de gesso na cadeira da frente. A funcionária rebola os olhos, levanta-se e chama-o à atenção, pelos vistos o senhor é reincidente nestas coisas. O silêncio foi reposto. Fiquei um pouco para o desconsolado no fim.
Base das Lajes
Aproveitar a infra-estrutura e fazer um shopping. "Shopping center Victoria Beach". A pista de aterragem seria o parque de estacionamento. Rentabilizar a formação dos condutores "follow-me" e pô-los a conduzir e a arrumar carrinhos de compras abandonados pelos clientes do hiper. Ampliar a torre de controlo, futura praça da Restauração com vistas maravilhosas.
No Mac:
"Mamã, mamã, de onde vêm os big macs?", pergunta a criança de boca aberta, vê-se o bolo alimentar a ganhar forma.
"Estás a ver aquelas vaquinhas ali ao fundo?", pergunta a mãe sem olhar para as vaquinhas.
O miúdo acena com a cabeça várias vezes, com muito mimo e com os sapatinhos em cima do banco vermelho.
"Não vêm dali. Agora senta-te direito, Joe dos Santos."
No Mac:
"Mamã, mamã, de onde vêm os big macs?", pergunta a criança de boca aberta, vê-se o bolo alimentar a ganhar forma.
"Estás a ver aquelas vaquinhas ali ao fundo?", pergunta a mãe sem olhar para as vaquinhas.
O miúdo acena com a cabeça várias vezes, com muito mimo e com os sapatinhos em cima do banco vermelho.
"Não vêm dali. Agora senta-te direito, Joe dos Santos."
sexta-feira, fevereiro 13, 2015
quarta-feira, fevereiro 11, 2015
"Kem és tu?", Galactus
Sim, acabei de atribuir números de telemóvel desconhecidos (que me ligam ou enviam sms sistematicamente) a nomes de heróis marvel ou de poetas franceses e agora não consigo apagar as mensagens. Mais faceto do que barrar esses números.
"Liga.m mal possas tou + farto desta merda"
Wolverine
"Percebo que queiras dar um tempo, mas ao menos podias dizer-me isso nos olhos"
Paul Célan
"Francesinha no Santiago amanhã? Xupa-mos lol"
Fénix
"Liga.m mal possas tou + farto desta merda"
Wolverine
"Percebo que queiras dar um tempo, mas ao menos podias dizer-me isso nos olhos"
Paul Célan
"Francesinha no Santiago amanhã? Xupa-mos lol"
Fénix
domingo, fevereiro 08, 2015
sexta-feira, fevereiro 06, 2015
Reencontro
Hoje de manhã, um amigo de Andrómeda, ex-organista de igreja, do tempo em que eu ia à missa, senta-se à minha mesa e faz conversa. Começa a falar sobre a mudança de instalações, do espaço maior da sua nova drogaria, de materiais de construção, de botas de biqueira de aço, fiquei a saber que os martelos-pneumáticos da Bricot não valem nada, chinesices, diz ele, e por fim convida-me para a grande inauguração com direito a vinho e sandes de leitão. O gigantesco smartphone do meu amigo toca, ele sai à pressa, despede-se com o polegar para cima. Pago-lhe o café. Uma ninharia comparado com a humanidade e o know-how que ele me deu. Aperto o meu fato espacial e regresso ao meu cárcere doméstico.
Update
O porco-preto
do meu vizinho partiu de vez
e levou quase tudo com ele.
Um vaso solitário
no meio de um
terraço feio e limpo.
do meu vizinho partiu de vez
e levou quase tudo com ele.
Um vaso solitário
no meio de um
terraço feio e limpo.
terça-feira, fevereiro 03, 2015
Dicas de higiene e de beleza
Não estou a tentar lamber as botas de ninguém (já o fiz ontem à noite), mas os livros da Antígona são óptimos ao quadrado. Um velhote na biblioteca a tirar lodo das unhas desleixadas usando o vértice da capa de um Cossery como canivete. Um vale fértil de bacilos em cima da mesa.
quinta-feira, janeiro 29, 2015
sexta-feira, janeiro 23, 2015
Kepler, roi-te de inveja
A prática prolongada de apneia em piscinas é um excelente método para descobrir novos exoplanetas. Super-Terras com abundância de água onde a vida é possível. Ainda hoje de manhã descobri mais dois, baptizei-os de Virgin 23a e Virgin 23b.
segunda-feira, janeiro 19, 2015
A aparição de St. Steve J.
Os i-devotos usam-nos como se fossem terços ou kombolóis. O resto (ler outras marcas de smartphones e tablets) não existe, renegam-no ou desprezam-no. Não me surpreendia se três designers vissem Steve J. a pairar em cima de uma oliveira num local ermo* e o santo lhes transmitisse incríveis revelações em vários passos super intuitivos.
Peregrinações. Promessas. A construção de uma catedral Apple. O culto da Maçã Mordida. A Grande Irmandade Safari. A Cúria Cupertina. Perseguições a nokianos, samsunguianos, etc. Fundamentalismo. Terrorismo.
*sem ligação Wifi.
- enviado a partir do meu i-phone -
Peregrinações. Promessas. A construção de uma catedral Apple. O culto da Maçã Mordida. A Grande Irmandade Safari. A Cúria Cupertina. Perseguições a nokianos, samsunguianos, etc. Fundamentalismo. Terrorismo.
*sem ligação Wifi.
- enviado a partir do meu i-phone -
segunda-feira, janeiro 12, 2015
quinta-feira, janeiro 08, 2015
Café
Entro no café para tomar café e comprar a raspadinha Grande Sorte. Costumo ganhar dois ou quatro euros, compro mais raspadinhas. O empregado diz-me sempre:
- Se tivesse mais três zeritos é que era, não era, amigo?
Olho à minha volta. Em vez dos habituais velhotes a folhearem o JN ou o Jogo, estão quatro clones do cantor cigano El Chato a lerem o "O que diz Molero". Um dos El Chatos pergunta ao El Chato do lado:
- Este trinco, o Machado, deveria ter ido com os porcos antes do início da época. É que não joga a ponta de um corno.
Saio e aguardo um pouco cá fora para apanhar ar frio. O autocarro despeja pessoas na paragem mais adiante. Levo a mão ao bolso e encontro meio comprimido de Ben-u-ron. Torno a entrar no café. Em vez dos El Chatos, estão agora os quatro Ramones espalhados pelas mesas. Não estão a ler nada, limitam-se apenas a olhar para mim.
- Se tivesse mais três zeritos é que era, não era, amigo?
Olho à minha volta. Em vez dos habituais velhotes a folhearem o JN ou o Jogo, estão quatro clones do cantor cigano El Chato a lerem o "O que diz Molero". Um dos El Chatos pergunta ao El Chato do lado:
- Este trinco, o Machado, deveria ter ido com os porcos antes do início da época. É que não joga a ponta de um corno.
Saio e aguardo um pouco cá fora para apanhar ar frio. O autocarro despeja pessoas na paragem mais adiante. Levo a mão ao bolso e encontro meio comprimido de Ben-u-ron. Torno a entrar no café. Em vez dos El Chatos, estão agora os quatro Ramones espalhados pelas mesas. Não estão a ler nada, limitam-se apenas a olhar para mim.
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