terça-feira, agosto 20, 2013

Eh voilá, apesar de ser uma adaptação, nunca pensei que fosse possível fazê-lo.

quinta-feira, agosto 08, 2013

W. Herzog


segunda-feira, agosto 05, 2013

terça-feira, julho 23, 2013


sexta-feira, julho 12, 2013





terça-feira, julho 09, 2013

Thoreau & Esculápio



Levei calmamente a minha insónia para a varanda, o calor* saía-me às golfadas do meu tronco empastado, queria devarandá-la (não existe defenestrar?...) e vi o meu vizinho de baixo a dormir na sua varanda. O homem estava nu. Não estava a contar com aquela exposição e fiquei a olhar para ele. Baixei a cabeça pesada, parecia que estava a olhar para um acidente. O homem tinha um tufo de pêlos brancos que brilhava ao luar e que lhe cobria todo o peito. Passei a mão pelo meu peito seboso com meia dúzia de pêlos. O meu olhar, pesado e desastrado, caiu mesmo em cima da testa do homem que abriu e arregalou os olhos como naqueles filmes de terror. Recuei logo e estiquei-me sobre a carpete da sala em direcção à ventoinha. As gaivotas que estavam em cima do telhado do prédio da frente começaram a rir-se de mim. O meu vizinho é católico praticante.
“Eu acredito em Deus e tento ir todos os domingos à missa, e agora diga-me uma coisa. Acha que ver filmes pornográficos é pecado? Diga-me sinceramente, o senhor acha?”
“Eu acho que não.”
O elevador parou no andar dele e ele pôs-se no meio do infravermelho que impede o elevador de fechar.
“É ou não é? Se não fosse Deus, não estavamos aqui. Matar e roubar, isso é que pecado, agora ver filmes pornográficos...É como eu digo ou não?”, pergunta novamente.
“Eu acho que sim, não tem mal nenhum”
“Continuação, meu amigo.” Despediu-se com um sorriso imposto e lá foi para o seu apartamento.
É muito provável que o meu vizinho estivesse a dar-me uma indirecta, não consigo ver o RedTube ou o YouPorn sem som, não faz muito sentido, sexo tem de ter som e bem alto.

Ns manhã seguinte, enquanto estava parado no trânsito, pus-me a contemplar a zona verde do meu ramal de entrada para a auto-estrada. Não sei se é por andar a ler Thoreau, mas senti um desejo enorme de tirar a roupa, saltar o rail e rolar na relva, acariciar o meu cone e as minhas bolas, agarrar-me a uma tília e passar ali o dia ou até o resto da minha vida. As zonas verdes das intersecções das auto-estradas são um pedaço de paraíso. Não é o campo rude, selvagem, mas também não é betão, é um compromisso harmonioso entre os dois. Não passaria fome, bebia o resto das coca-colas e comi o resto dos bigmacs, com um pouco de sorte apanhava meios copos de sundaes. Vi uma casca de banana em cima da relva aparada e senti inveja dessa casca de banana, que sorte que ela tem. Desliguei o A/C e baixei o vidro e pus-me a olhar para a casca de banana que  estava a seduzir-me com as belas manchas negras sobre a pele amarela, era o meu fruto proibido. Sou um homem bom com muitas tentações. Raramente vou até ao fim. Isto poderia ser o início de algo glorioso, de rejuvenescedor, Thoreau conseguiu viver sozinho no meio da natureza, porque é que eu não haveria de conseguir também? Senti o meu coração a bater depressa, havia Evazinhas estagiárias a cuidarem de mim, as serpentes enroscadas, conheço-as bem, não seriam problema. Fiquei ligeiramente deprimido, lembrei-me então que era casado, a minha mulher tinha de vir também, eu amo a minha mulher. E o meu piano? Ah teria o canto dos pardais e as andorinhas na Primavera, a Natureza é sábia. E as férias na Quinta do Lago? Não quero saber, não precisava de arranjar desculpas para não jogar golfe. Este green, aqui mesmo à entrada da A?? parece-me perfeito. Tocar-me-ia entre as 8 e 9h e depois ao fim da tarde, ali por volta das 6h para os meus respeitados colegas e não só, ali, todo escarrapachado, ria-me com a máscara da Comédia, fazia-lhes inveja por ser finalmente livre. Hmm, restos de patas de caranguejo, obrigado Carlos, um Adagio natural dentro do prazo, que gentileza a sua, São. Os anos não passam por si, colega. Gosto de pedir opiniões às colegas mais velhas; estão fartas de saber que eu não quero a sua opinião para nada, gosto que elas se metam comigo, sou carne nova, gostam de roçar as mamas em mim, sem querer.
- Anda lá com essa merda, pá, queres dormir, dorme em casa! - Seguiu-se um cortejo de buzinadelas, pareceu-me ser o chefe do bloco no seu BMW série 7 e o raio que o parta a passar por mim na outra faixa.
Carreguei um pouco no acelerador e avancei três, quatro metros na fila.




*Correcção de "Karol" - estaria a pensar no papa J.P. II e nas suas aparições na Praça de São Pedro e que vai ser promovido a santo?
 

quarta-feira, julho 03, 2013

Durrell


sexta-feira, junho 28, 2013

Parece que veio o calor.
As cigarras e os grilos acompanham-no lá ao fundo.

quinta-feira, junho 20, 2013

sábado, junho 15, 2013


quarta-feira, junho 12, 2013

O escaravelho

"É pena que não saibamos controlar os sonhos", pensou o escaravelho enquanto empurrava a bola de esterco pelo carreiro. A sua carapaça reluzia e era uma espécie de farol negro para todos os insectos em redor.
"Esta história tem que avançar, apesar de não passar de uma bola de esterco" , e continuou a empurrar, a empurrar.
Passou por cima de um agente da bolsa que estava a preparar o seu suicídio, estava prostrado no chão, de barriga para baixo e de braços abertos, queria sentir o pulsar da terra antes de se matar, mas não conseguia sentir absolutamente nada.
Parou ao lado de uma bola de golfe que era infinitamente mais bonita do que a sua bola de esterco, mas não caiu na tentação de trocar pela sua bola de esterco.
Viu um louva-a-deus a faiscá-lo com os seus enormes olhos verdes em cima de um ramo de cauchu. O escaravelho baixou logo o olhar como se estivesse a venerá-lo, mas não largou a sua bola de esterco. Depois ouviu o louva-a-deus a verrinar e olhou de esguelha sobre o ombro, o outro estava esbracejar como um louco.
Deteve-se quando viu duas velhas que se arrastavam na sua direcção. Teve de se afastar para que as velhas não o pisassem.
"O porta-moedas é meu, ouviste?", disse uma das velhas. Um cheiro pestilento descia-lhe pelas pernas abaixo, o escaravelho ficou um pouco excitado, mas a velha tinha uma verruga no nariz e cravos nos dedos e o escaravelho teve medo que ela fosse uma bruxa.
"Não é nada, o rapazola deu-mo a mim", respondeu a outra que trazia folhas de louro no avental surrado.
O tonto do rapaz tinha encontrado um porta-moedas e pensou que pertencia a uma das velhas que não se fizeram rogadas e nem sequer agradeceram ao rapaz. Não tenham pena do tonto do rapaz, ele mija por cima das formigas que são amigas do escaravelho.
Depois viu o mestre-escola que estava à janela a besuntar com óleo o pouco cabelo que tinha. Se não o fizesse, o cabelo encrespava-se e os alunos riam-se dele. O escaravelho desejou ter  um tufo de pelos daqueles na sua bola. O mestre-escola ajeitou os óculos em cima do nariz de pepino e sorriu para ele, mas o escaravelho não reparou - meteu-se pelos caniços que abriram alas para que ele pudesse passar com o seu lingote arredondado.

terça-feira, junho 04, 2013

quarta-feira, maio 29, 2013


segunda-feira, maio 27, 2013

Max von Oppenheim

quarta-feira, maio 22, 2013

quarta-feira, maio 15, 2013



Eu queria escrever algo realmente original, algo shandy, com alfinetadas certeiras, mas atirei-me ao chão quando li esta notícia, e agora estou engessado nos braços, estou a escrever este post com a língua e até estou a gostar. A blogosfera de pendor* político vai ferver hoje.

* Ai que drilhei a língua nesda palavra.

sexta-feira, maio 10, 2013

Proto-internet

Texas Hold'em
















Parece-me mais que evidente que no Conselho de Ministros se joga Texas Hold'em, no último jogo o Portas fez raise - tenho que usar o Inglês no poker, lamento -, apostou as reformas e o dealer (Passos) levantou no river um rei de espadas - a hand do Gaspar no showdown revelou-se um full house (K♥ K♣  K♠ 10♥ 10♣) muito, muito lento, mas muito agressivo ao mesmo tempo.
- Oohhh - ecoou pela sala.
Santos Silva levou as mãos à cabeça. O dealer manteve a sua cara impassível.
De nada serve ao Portas os anos que passou a jogar suecada com os velhotes. As olheiras de Gaspar falam por si.

sábado, abril 27, 2013

Captain Beefheart

Era a minha vez de fazer a limpeza geral nessa semana. Tinha acabado de pôr aquele verniz incolor e reluzente que evita as unhas de ficarem tristes e quebradiças, não me convinha nada fazer coisas braçais. Paciência. Quando estava a aspirar o buraco do sub-woofer que estava cheio de pó, o Captain Beefheart foi sugado e ficou todo o dia metido no saco do aspirador. Deixei-o lá ficar, não por não gostar dele - caso contrário não estaria a ouvir as suas ordens esganiçadas -, mas porque parti uma unha ao fazê-lo. O aspirador teve uma gastroenterite e agora não se mexe. O gato anda todo contente, mas ela diz que "fiz de propósito" e se calhar até tem razão.

sexta-feira, abril 26, 2013

quinta-feira, abril 25, 2013

Ideia para um cartaz publicitário para uma florista de Tancos

Uma criança loira, descalça, a pôr um cravo numa G3 segurada por mãos de militares.

segunda-feira, abril 22, 2013


sexta-feira, abril 19, 2013

Fechou os olhos. Subitamente, sentiu uma sombra a estender-se sobre si. Um calafrio percorreu-lhe a espinha; não sabia se deveria abrir os olhos para confrontar fosse o que fosse que estava diante de si ou se deveria manter-se quieto, de olhos fechados, como aqueles animais que simulam a morte perante o predador. Quando ergueu a cabeça e abriu os olhos, um pequeno vulto estava parado às suas duas horas. Levantou-se devagar e encarou aquela figura cuja cabeça era retroiluminada pelo pôr-do-sol. Parecia que estava ali há muito tempo: estava absorto a tirar pêlos do peito com uma pinça a qual guardou muito depressa no bolso das calças quando viu Orestes de pé.
Era mais para o baixo do que para o alto, era ruço no cabelo e nas sobrancelhas; a poeira na cara fazia sobressair as rugas de expressão e a cor dos olhos rasgados que mais pareciam duas fendas azuis.

quarta-feira, abril 10, 2013

sexta-feira, abril 05, 2013

quinta-feira, março 28, 2013

Henrique I, "Beauclerc"

Henrique I de Inglaterra
























Henrique I, cognominado "beauclerc" (literato, estudioso, amante de literatura) morreu na Normandia em Dezembro de 1135 de uma intoxicação alimentar provocada pela ingestão de lampreias estragadas e teve mais de 20 filhos legítimos e ilegítimos. O seu longo reinado durou trinta e cinco anos.

sexta-feira, março 22, 2013

A noite sempre soube ser paciente naquelas longitudes; deixa cair finalmente a sua cortina de estrelas sobre a terra e sobre o mar que continua a reclamar insistentemente aquela costa para fazer mais ilhas.
Os adoradores do sol, completamente revigorados pelo milagroso regresso do seu chefe festejam pela noite dentro. Orestes arrepia caminho em direcção à cidade, mas resolve, à ultima hora, ficar-se pelos arredores dos arredores, temendo o surto de malária. Entra na primeira pensão que lhe apareceu na estrada, e a dona, uma velha de boca franzida e curvada pela bílis, encaminha-o a rezingar ao longo de um corredor comprido e carunchoso que é acordado pela luz da vela da velha. O "melhor quarto aquelas horas" era um favo bafiento e mal mobilado; a cela de um monge tinha mais recheio do que aquele covil. Orestes estava tão cansado que mal tirou os sapatos, saltou logo para cima da cama que resmungou com um chio. Põs o dinheiro debaixo de travesseiro e começou a pensar na noite anterior; quis voltar novamente à Casa, desejou estar outra vez com a bela ninfeta-pele-de-seda que não parou de morder o lábio inferior durante o tempo em que esteve em cima dele e que de tanto o morder, fez ferida e duas gotas de sangue escorrerem-lhe pelo queixinho caindo no peito ossudo de Orestes.

terça-feira, março 19, 2013

quarta-feira, março 13, 2013























sábado, março 09, 2013

Expiração

para "Roteiros VI" do nosso Presidente-Sol.

quarta-feira, março 06, 2013

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

A Verdade Profana


O Cisma do Extremo Ocidente

As preces do poderoso lobby dos emigrantes do Luxemburgo e da Suíça foram ouvidas. O Colégio dos Cardeais elegera finalmente um papa português.
O povo rejubilou de alegria e o governo decretou três dias de festejos. Por quem os sinos dobram? Pelo novo papa que é português. Até a sineta da mais pequena capela reboou até estalar os últimos tímpanos do último aldeão. Até a Sininho de Pedro Pah tilintou de felicidade, embora ninguém conseguisse escutá-la, nem mesmo Pedro Pah, pois já contava com uma idade avançada. Mas logo a alegria se transformou em tristeza, de imediato os sorrisos se converteram em lágrimas como se os olhos das pessoas tivessem sido espremidos em espremedores de citrinos. O recém-eleito papa, Gregório XXX, tinha um irmão gémeo que também era ministro de Deus: furioso com o orgulho e a ingratidão do seu irmão de Roma, auto-proclamou-se anti-papa do alto da torre da sua igreja matriz. Fragmentino I obteve o apoio importante dos leigos em part-time e de catequistas a recibos verdes, prometendo-lhes contratos a termo e descontos para a caixa. O mundo católico dividiu-se, a unidade cristã foi quebrada. Passaram cinquenta anos sem que nada de relevante tivesse acontecido. Por fim, os dois irmãos papas chegaram a acordo naquele que ficou conhecido como o Concílio dos Papas de Sarrabulho. (...)

"A Verdade Profana",
Guisa Cruel Milho

sexta-feira, fevereiro 22, 2013

De arte venandi cum avibus

























Manuscrito do séc. XIII sobre aves é um dos primeiros 256, de 80 mil, que a Biblioteca do Vaticano disponibiliza na internet.

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

Alexander Vvedenskij




















I regret that I’m not a beast

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

Henri Rousseau
















Fez-se à estrada no dia seguinte cheio de boa-disposição e entusiasmo. Achou que tinha tempo para fazer o caminho a Salónica a pé, poupando assim o dinheiro que o major lhe oferecera. Os olivais cediam outra vez a vez aos campos de trigo que estranhamente se encheram de camponeses que trabalhavam desde o primeiro raio de sol até ao pôr-do-sol, vergados pela inclemência do astro-rei. Mas a verdade é que nem todos trabalhavam a terra desde o primeiro raio de sol até ao pôr-do-sol, mas todos nós gostamos de acreditar que era assim, que os camponeses tinham todos um ar muito jovial e saúdavel, que cantavam cantilenas alegres e chistosas que davam ânimo ao trabalho, que não questionavam a justiça do mundo, lamuriando-a apenas, que entregavam a sua vida e a dos seus filhos a Deus, que só comiam códeas de pão e fruta, que bebiam do caixão à cova, que guardavam reservas a tudo que fosse estranho ao seu quotidiano, que consideram um sacrilégio quebrar tradições. Realmente, se pintaram esta tela bucólica sobre o qual que a vossa mão foi habilidosamente conduzida pela mão de Watteau ou de Pater, tenha a ousadia de substituir a aristocracia ociosa por camponeses ou pastores sorridentes debaixo de um grande arvoredo, naquela hora em que o sol é impiedoso, acariciando animais, às vezes na companhia de divindades pagãs ou mitológicas como se fosse a coisa mais natural, entre ruínas de colunas jónicas perdidas algures na Arcádia*, sobre um fundo de prados melancólicos esfumados, então, urra's a si, leitor, ainda bem que o fez, porque poupa-me o trabalho de descrever com mais detalhe este ambiente rococó pastoral. Os Rousseau's mais famosos, se fossem vivos, teriam orgulho de si. Faça-se justiça, J.J. não era francês, como a maioria pensa, mas suíço, o que pode fazer toda a diferença. O outro, o Henri Julien Félix, ou o "aduaneiro" como foi conhecido em vida, gostava mais de elementos subtropicais e exóticos (cactos, paulownias, acácias, lótus, coqueiros, leões, tigres, antílopes, búfalos, Loti's, macacos, artilheiros, Appolinaire's, encantadoras de serpentes, etc.) e os seus quadros não ofereciam qualquer noção de perspectiva: era cordial e bidimensionalmente naïf.

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Invasão de Itália pelos Aliados, 1943

quinta-feira, janeiro 31, 2013


quarta-feira, janeiro 23, 2013

As chaves

- Deus, perdi as chaves.
Deus estava na cozinha a tirar as tripas dos camarões.
- Que chaves Pedro?
- As chaves, meu Deus.
- Ah, as chaves - disse Deus distraído - meu Eu, as chaves! - exclamou, caindo em Si.
- ...
- Vai ali ao armário do contador de luz. Tem lá umas chaves que dizem "Paradiso". Pedi a um cubano para as fazer.
- Não sei mesmo onde pus as minhas. Obrigado, meu Deus.
São Pedro sai.
Deus pára por uns instantes e limpa as mãos translúcidas. Põe a mãos na cintura e suspira, olhando para o tecto húmido da cozinha.
"Felizmente não há muita gente à espera", pensa.
E continua a tirar as tripas aos camarões.

quinta-feira, janeiro 17, 2013

terça-feira, janeiro 15, 2013

Ah e convém não esquecer que









O hibisco não é um animal
O lingote não é um animal
O mascarpone não é um animal
O elymus repens não é um animal
A gangrena não é um animal
O centella asiática não é um animal
O chocalho não é um animal
O cepo não é um animal
O cepilho não é um animal
O oxímaro não é um animal
O saco não é um animal
O ossículo não é um animal
O montículo não é um animal
A agora não é um animal
O xadrez não é um animal
O násio não é um animal
O oleado não é um animal
A amanita phalloides não é um animal
O centiare não é um animal
O sabir não é um animal
O acanto não é um animal
A pelúcia não é um animal
A cambota não é um animal
O garimpeiro não é um animal
O estojo não é um animal
A sidra não é um animal
etc.

quinta-feira, janeiro 10, 2013

Pequeno entremez

Acordei no chão novamente. Eu precisava de algo para comer.
Então desci à rua e fui à Churrasqueira do Silva.
"O que vai ser?" perguntou o Silva, mostrando um sorriso irónico.
"O costume", disse.
O Silva coçou a cabeça e perguntou-me:
"O que é o costume?"
O costume era meio frango com piri-piri à parte com batatas fritas e uma Coca-Cola pequena.
O Silva sabia perfeitamente o que era "o costume".
Eu ia lá todos os dias, durante quatro anos.
Então comecei a perceber: o homem atrás do balcão não era o Silva, mas sim O IM-POS-TOR.

A história repete-se mais ou menos

Outubro de 1837:
- Bom, o que interessa é que daqui a dez dias sai mais um número dos Cadernos de Pickwick, graças a Deus - suspirou certo padre desconsolado, depois de prestar conforto espiritual a um enfermo.

Janeiro de 2013:
- Bom, o que interessa é que daqui a dois dias o Pedro Amaral e o Rui M. Amaral vão ler histórias de três linhas do Félix Fénéon no Gato Vadio, graças a Deus - suspira o bispo do Porto, depois de ter terminado os Cadernos Póstumos do Clube Pickwick e de ter prestado conforto espiritual a um boavisteiro.

domingo, janeiro 06, 2013

Félix Fénéon no Gato Vadio, 12/01 às 17h


Félix Fénéon, 1894














O ex-negociante Fred. Desechel (rue d'Alésia, Paris)
matou-se no bosque de Clamart. 
Motivo: doía-lhe o estômago.

Apostara beber de enfiada quinze absintos,

comendo um quilo de vaca. Ao nono, 
Téophile Papin, de Ivry, caiu redondo.

Louis Lamarre não tinha nem emprego, 

nem casa, mas alguns tostões. Comprou, num merceeiro
de Saint-Denis, um litro de petróleo, que bebeu.



No próximo sábado, o Rui Manuel Amaral e eu vamos ler estas e outras "Notícias de três linhas" de Félix Fénéon (1861/1944) no Gato Vadio, Porto. Tradução a cargo de Manuel Resende.

quinta-feira, dezembro 27, 2012

quarta-feira, dezembro 19, 2012


terça-feira, dezembro 18, 2012

Determinado a dar aos filhos uma educação militarista, o pai do major, quando regressou da guerra, resolveu iniciar as crianças nos prazeres da caça que, como é certo e sabido, fortalece o carácter dos mais novos. Acima de tudo, era necessário enxertar valores no espírito dos rapazes e a caça impunha-se pelo seu furor, pela eterna luta pela sobrevivência que lima a intrepidez do homem. O jovem George achou-se cedo nos campos e nos prados, de caçadeira na mão, no meio de pesadas neblinas. Nas Midlands abundavam as mais diversas aves: pardais, faisões, pombos-bravos. perdizes, galinhas-parteiras, galos-lira. George achava as aves um pouco estúpidas e, por isso, gostava mais de caçar pequenos mamíferos. Para grande satisfação do pai, revelou ter aquilo que caçadores chamam - com muito pouca imaginação - de "instinto de caçador".

quarta-feira, dezembro 12, 2012

Ataque das Forças Alemãs a Creta em Maio de 1941

segunda-feira, dezembro 10, 2012

Brainstorm

"De repente, a gente podia dar uma virada aí..."

in Porta dos Fundos, 2012

segunda-feira, dezembro 03, 2012

Orestes assustou-se com a aparição e não conseguiu deixar de corar perante o encanto vicioso da mulher. Já tinha saboreado a pele embriagante das mulheres, mas nunca tinha estado na presença de uma profissional do sexo. As sarças-ardentes da ilha natal durante o Verão eram um flagelo e não davam descanso aos rapazolas que tinham de fazer trinta por uma linha para compensar a lentidão dos mais velhos.

quarta-feira, novembro 28, 2012

O coelho anda à solta e a dar cabo da horta, porque o cão voltou para a casota.

terça-feira, novembro 27, 2012

Ilus. de Artuš Scheiner para "Under Command Of Magic" por J. Š. Kubín (1920s)


terça-feira, novembro 20, 2012

A prisão de Nicolas Fouquet

- Diz-me fouquet, Fouquet! - pergunta o rei.
- Perdoai-me, sua Majestarde, mas nada direi! - replica Fouquet numa tabela de antologia.
- D'Artagnan, frendei este homem! - ordenha o rei.

D'Artagnan larga o jogo de canastra - ou será blackjack? - e imediatamente prende Fouquet.

- D'Armagnac: és um sabujo, larga-me - brada Fouquet.
- Calai-vos Fouquet, a vossa imfunidade jaz aqui! - alaúda o rei.

D'Artagnan tira uma máscara de ferro que tinha aconchegada no traseiro e coloca-a na cara de Fouquet.

- Serás comutado para Fignerol.- informa o Rei.
- Aramis, Marie, acudam-me! - suplica Fouquet.

Aramis e a marquesa* choram copiosamente e não podem valer a Fouquet. O sal das lágrimas de Aramis limpa o seu herpes labial.

- "Deus, decompus corpus nus em húmus, ó céus de Emaús, ó cangurus dos Pirinéus, predispus e pressupus maniqueus nos liceus, o ônus nos Museus dos Cajus, transpus tatus para urubus, supus réus plebeus, interpus chuchus em Manaus, repus perus por bacalhaus, impus cus europeus que fizeram jus, expus Jesus a judeus com paus." Retracta-te e salva-te, Fouquet!- vocifera o Rei.
- لله أكبر, sou inocente, meu rei - ajoelha-se Fouquet.

E assim é preso Nicolas Fouquet, o nobre que ousou ombrear no fausto com Luis XIV.

* Maria de Rabutin-Chantal, marquesa de Sévigné.

quarta-feira, novembro 07, 2012

Venham daí

















O sr. lobo prometeu-me que ia também.


terça-feira, outubro 30, 2012

"Nursery Songs" (1907) por Paul Woodroffe

sábado, outubro 20, 2012

Extrema-unção

Uma breve, amável mágoa à
flor dos olhos, um distante desapontamento,
morrias como se pedisses desculpa
por nos fazeres perder tempo.

Tinhas pressa mas não o mostravas,
receavas que não estivéssemos preparados,
e, suspenso sobre nós, esperavas
que disséssemos tudo, que fizéssemos o apropriado.

Morrer não é motivo de orgulho,
mas estavas cansado de mais para te justificares.
Ainda por cima no mês de Julho,
com as férias marcadas, ausentes os familiares.

Tínhamos levado as crianças de casa,
feito os telefonemas, escolhido os dizeres.
O quarto fora arrumado, a cama mudada
com roupa lavada. Só faltava morreres.


© 2001, Manuel António Pina
Atropelamento e fuga
Asa, Porto, 2001

sexta-feira, outubro 19, 2012

Novos Talentos FNAC Literatura 2012

O livro Novos Talentos FNAC Literatura 2012 que inclui o meu conto "Shoodíaco" já está disponível nos espaços FNAC.

Convido-vos a visitarem o seguinte link:


quinta-feira, outubro 18, 2012

Sem nunca olhar para trás, Orestes chegou a um rio que conseguiu atravessar a vau. Mais a menos a meio, viu um homem a cerca de vinte metros do lado da nascente que parecia estar trajado como os antigos hoplitas. Aproximou-se lentamente de Orestes pela margem e perguntou-lhe o que fazia ali.
- Pretendo ir para Abdera. Sou um homem de paz. Apenas quero arranjar trabalho.
O homem amenizou o ar ameaçador, embainhando a espada que era de pau. Tirou o elmo de latão cuja crista parecia ser de pêlo de texugo e baixou o escudo que exibia o desenho de um grande cacho de uvas.
- Sou o guardador deste rio e das vinhas que ali vês. O vinho é o ganha-pão do meu povo. Há muitos salteadores e vagabundos por estas bandas que nos roubam as uvas e nos dão cabo das videiras. Há dias apanhei um doido a violar uma cepa e a apalpar os cachos como se fossem os seios de uma mulher. O desgraçado era roncolho, mas cortei-lhe o único que ainda tinha e plantei-o. O resto serviu de comida aos peixes e é por isso é que eles têm saído gordos do anzol.
Orestes mostrou as mãos, provando assim que não tinha nada e seguiu caminho. Quando já estava longe dali, ouviu uma risada estranha que ecoou pelo vale e que só poderia ser do terrível hoplita das vinhas.

quinta-feira, outubro 04, 2012

Beast of burden

Todos os portugueses deveriam cantar esta melodia em jeito de serenata ao P.M.. Sem agressões verbais, sem apupos. Ele ficaria certamente enternecido.

quarta-feira, setembro 26, 2012

Mapa do Canibalismo - séc. XIX

















quarta-feira, setembro 19, 2012


terça-feira, setembro 18, 2012

(...) Já em terra, decidiram tentar a sorte em Abdera. Ouviram em pequenos as histórias de Hércules que vencera o cruel rei Diomedes depois deste ter matado o seu eromenos. O corpo do rei fora devorado pelos seus quatro terríveis cavalos que comiam carne humana. Sentiam-se pois bastante encorajados. Pelo caminho, passaram por um velho sentado à sombra de uma casa que parecia ter sido esventrada por um incêndio. O homem estava a fumar narguilé. Estava tão absorto que nem sequer se deu conta da presença dos dois. Com um dos dedos mindinhos tirava cera dos ouvidos para depois atirá-la com bastante perícia para cima de uma pequena vela que brilhava com mais intensidade por alguns momentos. Thiseas interpretou aquilo como um bom augúrio e adiantou-se ao irmão dando largas passadas. Evangelius cuspiu para o lado e continuou a caminhar devagar.(...)

quinta-feira, agosto 30, 2012

sexta-feira, agosto 24, 2012

(...)
Certo é que quando finalmente se deitou não conseguiu pregar olho. Sentia o corpo comprimido pelo cansaço e a sua cabeça era um novelo de pensamentos, actos e omissões. Nas raras noites de insónia, Evangelius gostava de contemplar uma pedra de cor âmbar que guardava à noitinha debaixo do travesseiro amarelecido. A pequena gema foi um dos muitos frutos indesejados de um atroz cálculo renal que Evangelius sofreu quando começou a trabalhar nas minas. Apenas a sua mãe sabia da existência destas pedras. Nesses tempos, as pessoas de Tasos tinham os cotovelos secos como casca de carvalho e eram pobres. Bastava um dos vizinhos saber que o moço expelia pequenas gemas pelo seu filão para que a notícia se espalhasse até à outra ponta da ilha. No dia seguinte, arrancar-lhe-iam sem piedade os rins incrustados de pedras preciosas para mandarem construir castelos na areia. (...)

segunda-feira, agosto 20, 2012

sexta-feira, agosto 03, 2012

segunda-feira, julho 30, 2012

J.J. será alinguarada com alegria

Os altifalantes na rua cantam as proezas do Querido Líder. Faz hoje um mês que morreu e o coração de Song continua pesaroso. Não quer acreditar que o Querido Líder partiu deste mundo. Vai à casa de banho, passa a cara por água e olha-se ao espelho. J.J. espera e sofre com ele. No quarto ao lado, alguém liga o televisor e ouve-se gritos e choros. Um pássaro branco, maior que uma pomba, pousa no parapeito da janela. J.J. chama Song e aponta para o pássaro. Song cai de joelhos e os seus olhos ficam húmidos de emoção. Os dois sentem uma enorme alegria e abraçam-se. É o pássaro branco, maior que uma pomba, que limpara a neve dos ombros da estátua do líder e que agora desceu dos céus para abençoar o seu amor.

terça-feira, julho 24, 2012

Velho conhecido

Tinha acabado de chegar ao aeroporto de táxi. Iria gozar as minhas primeiras férias num resort "tudo incluído" e estava ansioso por chegar ao meu destino. Desejava sol e praias de águas verdes-azuladas cristalinas. Desejava ver corpos morenos ensopados com Piz-Buin®. Desejava ser o Gauguin da era smartphone. Assim que empurrei a porta rolante, um homem estava a tentar empurrar do outro lado do vidro separador para poder sair. A cara do homem pareceu-me familiar. Dirige-me para perto do quadro das Partidas. Ainda tinha duas horas e meia antes do voo. Peguei no trólei e fui sentar-me perto da porta rolante. Olhei através da vidraça. O tal homem estava na fila dos táxis. Sim, definitivamente já me cruzei com este homem, mas quando? E onde? Estávamos em pleno Agosto, mas ele segurava firmemente um guarda-chuva e vestia um sobretudo preto que lhe estava dois tamanhos acima. Parecia sondar as pessoas que o rodeavam. As pessoas sentiam-se algo incomodadas e desviavam o olhar, tentando ignorá-lo. De vez em quando, punha-se em bicos de pés para ver melhor o cocuruto dos homens que eram quase todos mais altos do que ele. Deveria estar perto dos cinquenta anos. Estaria à espera de alguém? Provavelmente esteve fora do país durante muito tempo e estava a tentar reconhecer algum familiar que o tinha vindo buscar.

Os meus pensamentos foram interrompidos por um estupendo grito que quase me ensurdeceu. A mãe de tal criatura - que tinha uma dicção que deveria ser estudada por linguistas - recusava dar ao miúdo um chocolate ou lá o que era da máquina de vending. Nova tentativa desesperada do infante. Desta vez eu estava preparado, mas o miúdo deveria ser um mutante, pois até o pessoal da torre de controlo deve ter ouvido o seu grito endemoninhado. Encolhi os ombros à mãe e fui lá para fora. Levei em cheio com uma bofetada de calor que parecia não querer dar tréguas. Olhei na direcção dos táxis. O homem já não estava na fila. Deve ter apanhado um táxi ou alguém veio finalmente buscá-lo. Senti um estranho desalento e levei a mão ao maço de tabaco que tinha no bolso de trás das calças. No momento em que me preparava para acender o cigarro, senti uma pancada na cabeça que me fez deixar cair o cigarro e o isqueiro. Virei-me imediatamente para trás. Era ele! Reconheci-o finalmente.
O homem que tem o costume de dar com um guarda-chuva na cabeça. Atravessara o Atlântico e escolheu a minha cabeça. Que Deus me proteja e São Sorrentino me valha.

segunda-feira, julho 16, 2012

sexta-feira, julho 06, 2012

Shoodíaco





















(...) A lua está cheia. Está de tal forma cheia que parece que vai parir pequenas luazinhas. A sua missão, caso a aceite, será a de elaborar sucintamente (não queremos verborreias técnicas) os signos de um novo Zodíaco (o actual é bastante falível) para serem lidos e apreciados na próxima reunião shandy que irá ocorrer amanhã à noite.
Esta carta não se irá autodestruir – p. f. tenha a bondade de a rasgar em pequenos quadrados de 2 mm² (envio em anexo uma amostra para sua referência).

Imprescritivelmente, D.
P.S.S.T.: Não se esqueça do seu odradek. (...)


"Shoodíaco" - já podem votar.

terça-feira, junho 19, 2012

Segundo parecer

Arregacei a manga da camisa e estendi o braço. O médico, porém, levou a câmpanula do estetoscópio à minha testa e disse-me para pensar fundo. Antes de entrar, tinha-me pedido para tirar os sapatos e as meias. O chão do consultório tinha pequenas brasas espalhadas no chão que tentei não pisar. Sempre que sentia um pensamento, o médico escrevinhava num pequeno bloco e tossia para o lado. Passou-me a receita sem nunca olhar para mim e meteu-a num envelope branco juntamente com um boletim, entregando-mo de seguida. Ajeitou os óculos e olhou para mim como que a perguntar-me porque é que ainda estava ali. Calcei-me, desci a escadaria branca para o segundo andar e esperei pela minha vez. Só havia uma mulher à minha frente que tinha sobre o colo um estore enrolado. Parecia estar a sorrir, mas também poderia ser um tique de expressão. A auxiliar chamou-a. Ela não se mexeu. A auxiliar então segredou-lhe algo ao ouvido e a mulher levantou-se e seguiu-a com o estore debaixo do braço. A sala de espera cheirava a éter e no meio do chão havia um ralo. Apesar do isolamento acústico das janelas, conseguia ouvir o ruído dos carros lá fora. Senti uma enorme vontade de ler o que o médico número um tinha escrito, mas lembrei-me de que não iria servir-me de muito.

quarta-feira, junho 13, 2012

Resurrectine

Terry Fox (inspirado na obra "Locus Solus" de R. Roussel)

terça-feira, junho 05, 2012

Secreções Anima e Animus

PROGRAMA DA EXPOSIÇÃO "SECREÇÕES ANIMA & ANIMUS"


01 Julho a 31 Agosto 2012

A exposição temporária "Secreções Anima & Animus" de Leon Closset estará patente no Museu de Serralves e irá reunir uma ampla selecção de trabalhos do premiado artista plástico (Antuérpia, 1965) acompanhada por quatro performances de Closset nas duas primeiras noites de lua cheia de cada mês (vide Calendário Lunar).

A exuberância cromática dos trabalhos é produto "directo" do seu enredo onírico. Ao longo dos anos, Closset adensou a sua obra, fruto de um rigoroso método de trabalho que tem vindo a aperfeiçoar na última década. Estas manifestações não só têm servido de inspiração para outros artistas visuais, como também constituem objecto de estudo para neurologistas, psicólogos e psiquiatras, dado o perfil extremamente invulgar (talvez único) da obra. Esta exposição é a primeira oportunidade para o público português se confrontar com algumas das criações produzidas pelo artista belga nos últimos anos.

As obras estarão compartimentadas em cubículos de acrílico de 3x2x2 m. Serão colocadas pequenas amostras à frente de cada cubículo que poderão ser experimentadas pelo público. Trata-se de secreções libertadas pelos canais auditivos do artista durante o sono, resultado "físico" do seu repositório de memórias e pulsões reprimidas, veiculadas em sonhos mais ou menos complexos que se materializam em secreções que estarão organizadas por cor, textura/viscosidade e quantidade. Segundo o próprio autor, uma suas das mais famosas secreções, "Maré Negra", foi produzida aquando do último derrame no Golfo em 2010. Closset ficou "extremamente abalado" pelas imagens do desastre ecológico que viu na televisão e acordou nos dias que se seguiram quase imerso numa massa pastosa negra semelhante a crude que quase lhe custou a vida.

É conhecido o seu método de privação de sono que provoca manifestações de cerúmen de um variado espectro cromático e de curiosas texturas. "Flamingo" é uma extraordinária série com alto índice de viscosidade e densidade, de cores intensas (vermelho, rosa) produzida durante o período em que Closset viveu em Paris.