terça-feira, outubro 01, 2013














O mundo paralelo das línguas construídas colaborativas ("Conlangs")

segunda-feira, setembro 30, 2013


terça-feira, setembro 17, 2013


Como correu o teu dia



- (...) Conhecia-a naquela paragem de tram, estava sozinha. Era mestiça e tinha o cabelo desfrisado, é assim que se diz? Usava uma bandolete cor-de-rosa e calças de ganga deslavadas, daquelas que já vêm rasgadas. Tentei não olhar para aquelas ilhotas de pele macia, dourada, acho que disfarcei muito mal, ela deu conta. Sentei-me na ponta do banco e fingi olhar para a tabuleta da paragem. Passava um ou outro carro. A moça estava muito concentrada a olhar para o meio da rua. Tirou um maço de tabaco e pôs-se a dar aquelas pancadinhas irritantes na base do maço. Saltei do banco e resolvi ir a pé. Eram seis da manhã quando acordei, ainda estavas a dormir. Não me barbeei. Bebi um copo de água com uma daquelas pastilhas de cálcio e vitamina D. Não é que precise, mas gosto do sabor e limpa-me a barriga. Lembrei-me daquela defesa impossível do guarda-redes da squadra azzura, gosto de dizer squadra azzura, e larguei-me de satisfação no elevador para o nosso vizinho do baixo, ouvi-o do outro lado das placas metálicas do elevador a dizer "merda". O gajo chamou o elevador, mas como o elevador não é dos modernos continuou a descer. Espalhei a fragrância com a mão e depois olhei-me de perfil ao espelho e enchi as bochechas de ar como um trompetista. Faço sempre isto para acordar. (...)

O meu último conto na íntegra aqui.

sábado, setembro 14, 2013

14 de Setembro

Hoje é mais um dia especial contigo.
Até já, Pat.

quarta-feira, setembro 04, 2013

Sou tão hipster.

sábado, agosto 31, 2013

terça-feira, agosto 20, 2013

Eh voilá, apesar de ser uma adaptação, nunca pensei que fosse possível fazê-lo.

quinta-feira, agosto 08, 2013

W. Herzog


segunda-feira, agosto 05, 2013

terça-feira, julho 23, 2013


sexta-feira, julho 12, 2013





terça-feira, julho 09, 2013

Thoreau & Esculápio



Levei calmamente a minha insónia para a varanda, o calor* saía-me às golfadas do meu tronco empastado, queria devarandá-la (não existe defenestrar?...) e vi o meu vizinho de baixo a dormir na sua varanda. O homem estava nu. Não estava a contar com aquela exposição e fiquei a olhar para ele. Baixei a cabeça pesada, parecia que estava a olhar para um acidente. O homem tinha um tufo de pêlos brancos que brilhava ao luar e que lhe cobria todo o peito. Passei a mão pelo meu peito seboso com meia dúzia de pêlos. O meu olhar, pesado e desastrado, caiu mesmo em cima da testa do homem que abriu e arregalou os olhos como naqueles filmes de terror. Recuei logo e estiquei-me sobre a carpete da sala em direcção à ventoinha. As gaivotas que estavam em cima do telhado do prédio da frente começaram a rir-se de mim. O meu vizinho é católico praticante.
“Eu acredito em Deus e tento ir todos os domingos à missa, e agora diga-me uma coisa. Acha que ver filmes pornográficos é pecado? Diga-me sinceramente, o senhor acha?”
“Eu acho que não.”
O elevador parou no andar dele e ele pôs-se no meio do infravermelho que impede o elevador de fechar.
“É ou não é? Se não fosse Deus, não estavamos aqui. Matar e roubar, isso é que pecado, agora ver filmes pornográficos...É como eu digo ou não?”, pergunta novamente.
“Eu acho que sim, não tem mal nenhum”
“Continuação, meu amigo.” Despediu-se com um sorriso imposto e lá foi para o seu apartamento.
É muito provável que o meu vizinho estivesse a dar-me uma indirecta, não consigo ver o RedTube ou o YouPorn sem som, não faz muito sentido, sexo tem de ter som e bem alto.

Ns manhã seguinte, enquanto estava parado no trânsito, pus-me a contemplar a zona verde do meu ramal de entrada para a auto-estrada. Não sei se é por andar a ler Thoreau, mas senti um desejo enorme de tirar a roupa, saltar o rail e rolar na relva, acariciar o meu cone e as minhas bolas, agarrar-me a uma tília e passar ali o dia ou até o resto da minha vida. As zonas verdes das intersecções das auto-estradas são um pedaço de paraíso. Não é o campo rude, selvagem, mas também não é betão, é um compromisso harmonioso entre os dois. Não passaria fome, bebia o resto das coca-colas e comi o resto dos bigmacs, com um pouco de sorte apanhava meios copos de sundaes. Vi uma casca de banana em cima da relva aparada e senti inveja dessa casca de banana, que sorte que ela tem. Desliguei o A/C e baixei o vidro e pus-me a olhar para a casca de banana que  estava a seduzir-me com as belas manchas negras sobre a pele amarela, era o meu fruto proibido. Sou um homem bom com muitas tentações. Raramente vou até ao fim. Isto poderia ser o início de algo glorioso, de rejuvenescedor, Thoreau conseguiu viver sozinho no meio da natureza, porque é que eu não haveria de conseguir também? Senti o meu coração a bater depressa, havia Evazinhas estagiárias a cuidarem de mim, as serpentes enroscadas, conheço-as bem, não seriam problema. Fiquei ligeiramente deprimido, lembrei-me então que era casado, a minha mulher tinha de vir também, eu amo a minha mulher. E o meu piano? Ah teria o canto dos pardais e as andorinhas na Primavera, a Natureza é sábia. E as férias na Quinta do Lago? Não quero saber, não precisava de arranjar desculpas para não jogar golfe. Este green, aqui mesmo à entrada da A?? parece-me perfeito. Tocar-me-ia entre as 8 e 9h e depois ao fim da tarde, ali por volta das 6h para os meus respeitados colegas e não só, ali, todo escarrapachado, ria-me com a máscara da Comédia, fazia-lhes inveja por ser finalmente livre. Hmm, restos de patas de caranguejo, obrigado Carlos, um Adagio natural dentro do prazo, que gentileza a sua, São. Os anos não passam por si, colega. Gosto de pedir opiniões às colegas mais velhas; estão fartas de saber que eu não quero a sua opinião para nada, gosto que elas se metam comigo, sou carne nova, gostam de roçar as mamas em mim, sem querer.
- Anda lá com essa merda, pá, queres dormir, dorme em casa! - Seguiu-se um cortejo de buzinadelas, pareceu-me ser o chefe do bloco no seu BMW série 7 e o raio que o parta a passar por mim na outra faixa.
Carreguei um pouco no acelerador e avancei três, quatro metros na fila.




*Correcção de "Karol" - estaria a pensar no papa J.P. II e nas suas aparições na Praça de São Pedro e que vai ser promovido a santo?
 

quarta-feira, julho 03, 2013

Durrell


sexta-feira, junho 28, 2013

Parece que veio o calor.
As cigarras e os grilos acompanham-no lá ao fundo.

quinta-feira, junho 20, 2013

sábado, junho 15, 2013


quarta-feira, junho 12, 2013

O escaravelho

"É pena que não saibamos controlar os sonhos", pensou o escaravelho enquanto empurrava a bola de esterco pelo carreiro. A sua carapaça reluzia e era uma espécie de farol negro para todos os insectos em redor.
"Esta história tem que avançar, apesar de não passar de uma bola de esterco" , e continuou a empurrar, a empurrar.
Passou por cima de um agente da bolsa que estava a preparar o seu suicídio, estava prostrado no chão, de barriga para baixo e de braços abertos, queria sentir o pulsar da terra antes de se matar, mas não conseguia sentir absolutamente nada.
Parou ao lado de uma bola de golfe que era infinitamente mais bonita do que a sua bola de esterco, mas não caiu na tentação de trocar pela sua bola de esterco.
Viu um louva-a-deus a faiscá-lo com os seus enormes olhos verdes em cima de um ramo de cauchu. O escaravelho baixou logo o olhar como se estivesse a venerá-lo, mas não largou a sua bola de esterco. Depois ouviu o louva-a-deus a verrinar e olhou de esguelha sobre o ombro, o outro estava esbracejar como um louco.
Deteve-se quando viu duas velhas que se arrastavam na sua direcção. Teve de se afastar para que as velhas não o pisassem.
"O porta-moedas é meu, ouviste?", disse uma das velhas. Um cheiro pestilento descia-lhe pelas pernas abaixo, o escaravelho ficou um pouco excitado, mas a velha tinha uma verruga no nariz e cravos nos dedos e o escaravelho teve medo que ela fosse uma bruxa.
"Não é nada, o rapazola deu-mo a mim", respondeu a outra que trazia folhas de louro no avental surrado.
O tonto do rapaz tinha encontrado um porta-moedas e pensou que pertencia a uma das velhas que não se fizeram rogadas e nem sequer agradeceram ao rapaz. Não tenham pena do tonto do rapaz, ele mija por cima das formigas que são amigas do escaravelho.
Depois viu o mestre-escola que estava à janela a besuntar com óleo o pouco cabelo que tinha. Se não o fizesse, o cabelo encrespava-se e os alunos riam-se dele. O escaravelho desejou ter  um tufo de pelos daqueles na sua bola. O mestre-escola ajeitou os óculos em cima do nariz de pepino e sorriu para ele, mas o escaravelho não reparou - meteu-se pelos caniços que abriram alas para que ele pudesse passar com o seu lingote arredondado.

terça-feira, junho 04, 2013