segunda-feira, agosto 20, 2012
sexta-feira, agosto 03, 2012
segunda-feira, julho 30, 2012
J.J. será alinguarada com alegria
Os altifalantes na rua cantam as proezas do Querido Líder. Faz hoje um mês que morreu e o coração de Song continua pesaroso. Não quer acreditar que o Querido Líder partiu deste mundo. Vai à casa de banho, passa a cara por água e olha-se ao espelho. J.J. espera e sofre com ele. No quarto ao lado, alguém liga o televisor e ouve-se gritos e choros. Um pássaro branco, maior que uma pomba, pousa no parapeito da janela. J.J. chama Song e aponta para o pássaro. Song cai de joelhos e os seus olhos ficam húmidos de emoção. Os dois sentem uma enorme alegria e abraçam-se. É o pássaro branco, maior que uma pomba, que limpara a neve dos ombros da estátua do líder e que agora desceu dos céus para abençoar o seu amor.
terça-feira, julho 24, 2012
Velho conhecido
Tinha acabado de chegar ao aeroporto de táxi. Iria gozar as minhas primeiras férias num resort "tudo incluído" e estava ansioso por chegar ao meu destino. Desejava sol e praias de águas verdes-azuladas cristalinas. Desejava ver corpos morenos ensopados com Piz-Buin®. Desejava ser o Gauguin da era smartphone. Assim que empurrei a porta rolante, um homem estava a tentar empurrar do outro lado do vidro separador para poder sair. A cara do homem pareceu-me familiar. Dirige-me para perto do quadro das Partidas. Ainda tinha duas horas e meia antes do voo. Peguei no trólei e fui sentar-me perto da porta rolante. Olhei através da vidraça. O tal homem estava na fila dos táxis. Sim, definitivamente já me cruzei com este homem, mas quando? E onde? Estávamos em pleno Agosto, mas ele segurava firmemente um guarda-chuva e vestia um sobretudo preto que lhe estava dois tamanhos acima. Parecia sondar as pessoas que o rodeavam. As pessoas sentiam-se algo incomodadas e desviavam o olhar, tentando ignorá-lo. De vez em quando, punha-se em bicos de pés para ver melhor o cocuruto dos homens que eram quase todos mais altos do que ele. Deveria estar perto dos cinquenta anos. Estaria à espera de alguém? Provavelmente esteve fora do país durante muito tempo e estava a tentar reconhecer algum familiar que o tinha vindo buscar.
Os meus pensamentos foram interrompidos por um estupendo grito que quase me ensurdeceu. A mãe de tal criatura - que tinha uma dicção que deveria ser estudada por linguistas - recusava dar ao miúdo um chocolate ou lá o que era da máquina de vending. Nova tentativa desesperada do infante. Desta vez eu estava preparado, mas o miúdo deveria ser um mutante, pois até o pessoal da torre de controlo deve ter ouvido o seu grito endemoninhado. Encolhi os ombros à mãe e fui lá para fora. Levei em cheio com uma bofetada de calor que parecia não querer dar tréguas. Olhei na direcção dos táxis. O homem já não estava na fila. Deve ter apanhado um táxi ou alguém veio finalmente buscá-lo. Senti um estranho desalento e levei a mão ao maço de tabaco que tinha no bolso de trás das calças. No momento em que me preparava para acender o cigarro, senti uma pancada na cabeça que me fez deixar cair o cigarro e o isqueiro. Virei-me imediatamente para trás. Era ele! Reconheci-o finalmente.
Os meus pensamentos foram interrompidos por um estupendo grito que quase me ensurdeceu. A mãe de tal criatura - que tinha uma dicção que deveria ser estudada por linguistas - recusava dar ao miúdo um chocolate ou lá o que era da máquina de vending. Nova tentativa desesperada do infante. Desta vez eu estava preparado, mas o miúdo deveria ser um mutante, pois até o pessoal da torre de controlo deve ter ouvido o seu grito endemoninhado. Encolhi os ombros à mãe e fui lá para fora. Levei em cheio com uma bofetada de calor que parecia não querer dar tréguas. Olhei na direcção dos táxis. O homem já não estava na fila. Deve ter apanhado um táxi ou alguém veio finalmente buscá-lo. Senti um estranho desalento e levei a mão ao maço de tabaco que tinha no bolso de trás das calças. No momento em que me preparava para acender o cigarro, senti uma pancada na cabeça que me fez deixar cair o cigarro e o isqueiro. Virei-me imediatamente para trás. Era ele! Reconheci-o finalmente.
O homem que tem o costume de dar com um guarda-chuva na cabeça. Atravessara o Atlântico e escolheu a minha cabeça. Que Deus me proteja e São Sorrentino me valha.
segunda-feira, julho 16, 2012
sexta-feira, julho 06, 2012
Shoodíaco
(...) A lua está cheia. Está de tal forma cheia que parece que vai parir pequenas luazinhas. A sua missão, caso a aceite, será a de elaborar sucintamente (não queremos verborreias técnicas) os signos de um novo Zodíaco (o actual é bastante falível) para serem lidos e apreciados na próxima reunião shandy que irá ocorrer amanhã à noite.
Esta carta não se irá autodestruir – p. f. tenha a bondade de a rasgar em pequenos quadrados de 2 mm² (envio em anexo uma amostra para sua referência).
Imprescritivelmente, D.
P.S.S.T.: Não se esqueça do seu odradek. (...)
"Shoodíaco" - já podem votar.
sexta-feira, junho 29, 2012
terça-feira, junho 19, 2012
Segundo parecer
Arregacei a manga da camisa e estendi o braço. O médico, porém, levou a câmpanula do estetoscópio à minha testa e disse-me para pensar fundo. Antes de entrar, tinha-me pedido para tirar os sapatos e as meias. O chão do consultório tinha pequenas brasas espalhadas no chão que tentei não pisar. Sempre que sentia um pensamento, o médico escrevinhava num pequeno bloco e tossia para o lado. Passou-me a receita sem nunca olhar para mim e meteu-a num envelope branco juntamente com um boletim, entregando-mo de seguida. Ajeitou os óculos e olhou para mim como que a perguntar-me porque é que ainda estava ali. Calcei-me, desci a escadaria branca para o segundo andar e esperei pela minha vez. Só havia uma mulher à minha frente que tinha sobre o colo um estore enrolado. Parecia estar a sorrir, mas também poderia ser um tique de expressão. A auxiliar chamou-a. Ela não se mexeu. A auxiliar então segredou-lhe algo ao ouvido e a mulher levantou-se e seguiu-a com o estore debaixo do braço. A sala de espera cheirava a éter e no meio do chão havia um ralo. Apesar do isolamento acústico das janelas, conseguia ouvir o ruído dos carros lá fora. Senti uma enorme vontade de ler o que o médico número um tinha escrito, mas lembrei-me de que não iria servir-me de muito.
quarta-feira, junho 13, 2012
terça-feira, junho 05, 2012
Secreções Anima e Animus
PROGRAMA DA EXPOSIÇÃO "SECREÇÕES ANIMA & ANIMUS"
01 Julho a 31 Agosto 2012
A exposição temporária "Secreções Anima & Animus" de Leon Closset estará patente no Museu de Serralves e irá reunir uma ampla selecção de trabalhos do premiado artista plástico (Antuérpia, 1965) acompanhada por quatro performances de Closset nas duas primeiras noites de lua cheia de cada mês (vide Calendário Lunar).
A exuberância cromática dos trabalhos é produto "directo" do seu enredo onírico. Ao longo dos anos, Closset adensou a sua obra, fruto de um rigoroso método de trabalho que tem vindo a aperfeiçoar na última década. Estas manifestações não só têm servido de inspiração para outros artistas visuais, como também constituem objecto de estudo para neurologistas, psicólogos e psiquiatras, dado o perfil extremamente invulgar (talvez único) da obra. Esta exposição é a primeira oportunidade para o público português se confrontar com algumas das criações produzidas pelo artista belga nos últimos anos.
As obras estarão compartimentadas em cubículos de acrílico de 3x2x2 m. Serão colocadas pequenas amostras à frente de cada cubículo que poderão ser experimentadas pelo público. Trata-se de secreções libertadas pelos canais auditivos do artista durante o sono, resultado "físico" do seu repositório de memórias e pulsões reprimidas, veiculadas em sonhos mais ou menos complexos que se materializam em secreções que estarão organizadas por cor, textura/viscosidade e quantidade. Segundo o próprio autor, uma suas das mais famosas secreções, "Maré Negra", foi produzida aquando do último derrame no Golfo em 2010. Closset ficou "extremamente abalado" pelas imagens do desastre ecológico que viu na televisão e acordou nos dias que se seguiram quase imerso numa massa pastosa negra semelhante a crude que quase lhe custou a vida.
É conhecido o seu método de privação de sono que provoca manifestações de cerúmen de um variado espectro cromático e de curiosas texturas. "Flamingo" é uma extraordinária série com alto índice de viscosidade e densidade, de cores intensas (vermelho, rosa) produzida durante o período em que Closset viveu em Paris.
01 Julho a 31 Agosto 2012
A exposição temporária "Secreções Anima & Animus" de Leon Closset estará patente no Museu de Serralves e irá reunir uma ampla selecção de trabalhos do premiado artista plástico (Antuérpia, 1965) acompanhada por quatro performances de Closset nas duas primeiras noites de lua cheia de cada mês (vide Calendário Lunar).
A exuberância cromática dos trabalhos é produto "directo" do seu enredo onírico. Ao longo dos anos, Closset adensou a sua obra, fruto de um rigoroso método de trabalho que tem vindo a aperfeiçoar na última década. Estas manifestações não só têm servido de inspiração para outros artistas visuais, como também constituem objecto de estudo para neurologistas, psicólogos e psiquiatras, dado o perfil extremamente invulgar (talvez único) da obra. Esta exposição é a primeira oportunidade para o público português se confrontar com algumas das criações produzidas pelo artista belga nos últimos anos.
As obras estarão compartimentadas em cubículos de acrílico de 3x2x2 m. Serão colocadas pequenas amostras à frente de cada cubículo que poderão ser experimentadas pelo público. Trata-se de secreções libertadas pelos canais auditivos do artista durante o sono, resultado "físico" do seu repositório de memórias e pulsões reprimidas, veiculadas em sonhos mais ou menos complexos que se materializam em secreções que estarão organizadas por cor, textura/viscosidade e quantidade. Segundo o próprio autor, uma suas das mais famosas secreções, "Maré Negra", foi produzida aquando do último derrame no Golfo em 2010. Closset ficou "extremamente abalado" pelas imagens do desastre ecológico que viu na televisão e acordou nos dias que se seguiram quase imerso numa massa pastosa negra semelhante a crude que quase lhe custou a vida.
É conhecido o seu método de privação de sono que provoca manifestações de cerúmen de um variado espectro cromático e de curiosas texturas. "Flamingo" é uma extraordinária série com alto índice de viscosidade e densidade, de cores intensas (vermelho, rosa) produzida durante o período em que Closset viveu em Paris.
segunda-feira, junho 04, 2012
A pedido da menina Cristas que mora em Lisboa e que gostaria de dedicar a Alguém muito especial.
Rain
Rain
terça-feira, maio 22, 2012
segunda-feira, maio 21, 2012
A Nova Crise do Açúcar
Para bom apreciador
meia colher basta.
A Nova Companhia Holandesa
das Índias Ocidentais,
num acto de luxúria
sem precedentes,
comprou toda
a produção mundial de açúcar
para vender aos construtores
do Delta da Zelândia.
Em vez de areia e terra
atafulharam terps e diques
com toneladas de açúcar refinado.
Os holandeses são o povo
mais perverso da Europa.
meia colher basta.
A Nova Companhia Holandesa
das Índias Ocidentais,
num acto de luxúria
sem precedentes,
comprou toda
a produção mundial de açúcar
para vender aos construtores
do Delta da Zelândia.
Em vez de areia e terra
atafulharam terps e diques
com toneladas de açúcar refinado.
Os holandeses são o povo
mais perverso da Europa.
sábado, maio 19, 2012
segunda-feira, maio 07, 2012
Fome
Uma das coisas boas sobre sentir ou "passar" fome é que - ao contrário de comer - podemos fazê-lo em qualquer lado. Não são necessários grandes meios para passar fome. Posso viver (por poucos dias, é certo), sem a mínima preparação, num sítio onde a fome reina. A fome une as pessoas num único desígnio. Filosofia, Amor, Fé, talvez até o sexo perdem força perante a Fome suprema. Escusado será dizer que sou inteiramente contra a criação dos chamados "lugares de fome" que possam vir a ser concebidos por este ou por qualquer outro Governo. A fome é um acto livre e inalienável de qualquer cidadão.
sexta-feira, maio 04, 2012
Debordo
Tenho um amigo psicogeógrafo que morava no centro da cidade. Costumava apregoar aos quatro ventos que nunca se tinha perdido nem mesmo quando foi numa viagem de estudo às ilhas Frígídas. Sentia repulsa por pessoas que usavam bússolas e ficava horrorizado quando via turistas de mapa aberto no meio da calçada. Quando alguém lhe pedia indicações, Debordo respirava fundo (não muito para não incomodar uma pleurite de estimação que tinha há algum tempo) e encaminhava o pobre coitado para os antípodas do local procurado.
Como era um tipo reservado, cansou-se de ser considerado "imperdível" e debandou para o Alentejo profundo. Foi dado como desaparecido há duas semanas e foi visto pela última vez por dois velhotes de Cuba aos quais pintara as unhas de vermelho para usar como referência. Debordo não rima com Alentejo.
Como era um tipo reservado, cansou-se de ser considerado "imperdível" e debandou para o Alentejo profundo. Foi dado como desaparecido há duas semanas e foi visto pela última vez por dois velhotes de Cuba aos quais pintara as unhas de vermelho para usar como referência. Debordo não rima com Alentejo.
quarta-feira, maio 02, 2012
Não resisti
Ontem fui ao Corte Inglês, porque o pata negra deles estava em promoção e as funcionárias são 50% mais jeitosas do que as do P.D..
terça-feira, abril 24, 2012
sexta-feira, abril 20, 2012
quinta-feira, abril 19, 2012
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