segunda-feira, junho 04, 2012

A pedido da menina Cristas que mora em Lisboa e que gostaria de dedicar a Alguém muito especial.

Rain

terça-feira, maio 22, 2012


segunda-feira, maio 21, 2012

A Nova Crise do Açúcar

Para bom apreciador
meia colher basta.
A Nova Companhia Holandesa
das Índias Ocidentais,
num acto de luxúria
sem precedentes,
comprou toda
a produção mundial de açúcar
para vender aos construtores
do Delta da Zelândia.
Em vez de areia e terra
atafulharam terps e diques
com toneladas de açúcar refinado.

Os holandeses são o povo
mais perverso da Europa.

sábado, maio 19, 2012





















Ouvi dizer que o público comprou um destes.

segunda-feira, maio 07, 2012

Fome

Uma das coisas boas sobre sentir ou "passar" fome é que - ao contrário de comer - podemos fazê-lo em qualquer lado. Não são necessários grandes meios para passar fome. Posso viver (por poucos dias, é certo), sem a mínima preparação, num sítio onde a fome reina. A fome une as pessoas num único desígnio. Filosofia, Amor, Fé, talvez até o sexo perdem força perante a Fome suprema. Escusado será dizer que sou inteiramente contra a criação dos chamados "lugares de fome" que possam vir a ser concebidos por este ou por qualquer outro Governo. A fome é um acto livre e inalienável de qualquer cidadão.

sexta-feira, maio 04, 2012

Debordo

Tenho um amigo psicogeógrafo que morava no centro da cidade. Costumava apregoar aos quatro ventos que nunca se tinha perdido nem mesmo quando foi numa viagem de estudo às ilhas Frígídas. Sentia repulsa por pessoas que usavam bússolas e ficava horrorizado quando via turistas de mapa aberto no meio da calçada. Quando alguém lhe pedia indicações, Debordo respirava fundo (não muito para não incomodar uma pleurite de estimação que tinha há algum tempo) e encaminhava o pobre coitado para os antípodas do local procurado.
Como era um tipo reservado, cansou-se de ser considerado "imperdível" e debandou para o Alentejo profundo. Foi dado como desaparecido há duas semanas e foi visto pela última vez por dois velhotes de Cuba aos quais pintara as unhas de vermelho para usar como referência. Debordo não rima com Alentejo.

quarta-feira, maio 02, 2012

Não resisti

Ontem fui ao Corte Inglês, porque o pata negra deles estava em promoção e as funcionárias são 50% mais jeitosas do que as do P.D..

terça-feira, abril 24, 2012

sexta-feira, abril 20, 2012

"bababadalgharaghtakamminarronnkonnbronntonnerronntuonnthunntrovarrhounawnskawntoohoohoordenenthurnuk"
é uma citação do Joyce que incluí no continho que estou prestes a parir. O corrector ortográfico Word sugeriu a palavra "babada".

quinta-feira, abril 19, 2012

terça-feira, abril 17, 2012

















Três amantes de leitura a ler sorrateiramente "O Amante de Lady Chatterley".

quarta-feira, abril 04, 2012

Harpa



O nome do seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta.
Génesis 4:21

Jubal era descendente directo de Caim e tinha vergonha de o ser. Decidiu cantar aos sete ventos a sua desdita e, para tal, inventou um instrumento de corda que se assemelhava a um arco de caça. Jubal pensava que, deste modo, ludibriaria o seu pai, Lameque, caçador furtivo que não alinhava em cantorias. Um dia, porém, Lameque descobriu o filho a cantar o “Blues de Abel” no cimo de um monte e aprisionou-o na sua tenda até ao fim dos seus dias. A lenda diz que no local onde Jubal morreu nasceu a povoação de Şanlıurfa (Turquia) onde todos aqueles que nascem com cinco dedos em cada mão tocam çeng (tipo de harpa quadrada otomana) de forma magistral. 
A constelação de Harpa pode ser vista na ilha de Tristão de Cunha, no Hemisfério Sul, e representa Jubal a dedilhar o delicado instrumento.
(...)

sexta-feira, março 23, 2012

Monsieur Roussel

Até que enfim, o Messias ressuscitou e está no Porto.

segunda-feira, março 19, 2012

Os Primeiros Cem Números em Português Ordenados por Ordem Alfabética


Centésimo, décimo, décimo nono, décimo oitavo, décimo quarto, décimo quinto, décimo sétimo, décimo sexto, duodécimo, nonagésimo, nonagésimo nono, nonagésimo oitavo, nonagésimo primeiro, nonagésimo quarto, nonagésimo quinto, nonagésimo segundo, nonagésimo sétimo, nonagésimo sexto, nonagésimo terceiro, nono, octogésimo, octogésimo nono, octogésimo oitavo, octogésimo primeiro, octogésimo quarto, octogésimo quinto, octogésimo segundo, octogésimo sétimo, octogésimo sexto, octogésimo terceiro, oitavo, primeiro, quadragésimo, quadragésimo nono, quadragésimo oitavo, quadragésimo primeiro, quadragésimo quarto, quadragésimo quinto, quadragésimo segundo, quadragésimo sétimo, quadragésimo sexto, quadragésimo terceiro, quarto, quinquagésimo, quinquagésimo nono, quinquagésimo oitavo, quinquagésimo primeiro, quinquagésimo quarto, quinquagésimo quinto, quinquagésimo segundo, quinquagésimo sétimo, quinquagésimo sexto, quinquagésimo terceiro, quinto, segundo, septuagésimo, septuagésimo nono, septuagésimo oitavo, septuagésimo primeiro, septuagésimo quarto, septuagésimo quinto, septuagésimo segundo, septuagésimo sétimo, septuagésimo sexto, septuagésimo terceiro, sétimo, sexagésimo, sexagésimo nono, sexagésimo oitavo, sexagésimo primeiro, sexagésimo quarto, sexagésimo quinto, sexagésimo segundo, sexagésimo sétimo, sexagésimo sexto, sexagésimo terceiro, sexto, terceiro, tredécimo, trigésimo, trigésimo nono, trigésimo oitavo, trigésimo primeiro, trigésimo quarto, trigésimo quinto, trigésimo segundo, trigésimo sétimo, trigésimo sexto, trigésimo terceiro, undécimo, vigésimo, vigésimo nono, vigésimo oitavo, vigésimo primeiro, vigésimo quarto, vigésimo quinto, vigésimo segundo, vigésimo sétimo, vigésimo sexto, vigésimo terceiro.

segunda-feira, março 05, 2012


Peter Vos (1935–2009)

sexta-feira, março 02, 2012

Lázaro Fitzgeraldo

Lázaro Fitzgeraldo nasceu da narina direita da sua mãe e sempre que podia ia brincar para a passagem de nível que ficava perto de sua casa. Os pais raramente estavam em casa, gostavam de se instalar na sua casa da cidade para gastar dinheiro velho em festas. A mansão tinha muita criadagem que fazia quase todas as vontades ao rapazote. Certa vez, quis provar carne de pégaso e o mordomo lá teve de falar com o couteiro para ver se caçava um naquela altura do ano. O couteiro chegou de mãos a abanar (tinha lavado as mãos no tanque), e o mordomo teve de dizer ao cozinheiro para preparar um guisado de carne de cavalo e de galinha. Lázaro provou mas amuou, porque sempre achou que a carne de pégaso seria mais saborosa. Há bem pouco tempo, queria que todas as criadas levantassem as saias quando passassem por ele para lhes ver as partes íntimas. A governanta, bem mais velha, passou um valente raspanete a Lázaro por ter dado tal ordem. No fundo, a velha senhora tinha ficado aborrecida por Lázaro não lhe ter feito o pedido a ela também. Enfim, Lázaro estava a crescer. Quando não estava em casa ou na escola para crianças-parasitas, gostava de ir brincar na passagem de nível, porque crescia sempre mais um bocado quando as furiosas locomotivas e as pesadas carruagens passavam por ele, fazendo tremer o chão. Certo dia, porém, quando regressava a casa, Lázaro reparou que o seu pé esquerdo era muito pequeno, quase do tamanho de um pêssego. Lázaro ficou muito infeliz e quis ver-se livre desse pé. Voltou para trás e pôs o pé em cima da linha do comboio. Lázaro esperou, esperou, mas não havia maneira da locomotiva aparecer. O rapaz estava quase a desistir e a ir-se embora, quando reparou ao longe numa rapariga vestida de branco que vinha a saltitar de tábua em tábua no meio da linha.
- Que estás a fazer? - perguntou a rapariga.
- Quero cortar o meu pé esquerdo, é feio e pequeno como um pêssego! - respondeu Lázaro.
- Tens um pé mais pequeno do que outro, o que é que isso importa? Vê os dedos das minhas mãos, não são todos do mesmo tamanho. Já tu tens os dedos todos iguais!
- Sim, tens razão.
Subiram os dois para cima da cancela e não demorou muito até ouvirem o troar de uma locomotiva ao longe.

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

Os bailarinos da dança da pança

Se os indicadores encaixassem perfeitamente nas covinhas das costas da filha mais velha do xeique, o viajante seria bem-vindo na tenda do meio que mais parecia um enorme pássaro branco. Era a única mulher autorizada a entrar naquela tenda. O viajante teria de lhe entregar um alforge com leite de cabra como forma de agradecimento e de reconhecimento. Acomodava-se à sua vontade e era-lhe servido chá, pão com tâmaras e depois vinho em abundância. Homens de tribos rivais, de diversas etnias, oriundos dos sítios mais remotos do grande deserto, comungavam ali uma paz temporária. O anfitrião levantava-se e batia palmas para iniciar o tão aguardado espetáculo. Os músicos começavam a bater furiosamente nos derbakes e os bailarinos entravam em cena. Não deveriam ter menos de quarenta anos. Estes homens de barba rija faziam dançar admiravelmente o seu ventre generoso para enorme júbilo dos presentes. As reverências e os velhos rancores seriam esquecidos nessa noite.

Kim Jong Phil

















It's true. I'm utterly fascinating. Oil on canvas, 30x40 inches

Mais aqui.



quinta-feira, fevereiro 09, 2012