
quarta-feira, dezembro 16, 2009
domingo, dezembro 13, 2009
O herói do Achille Lauro - II
"Avanti", ordenou-me uma voz rouca.
Klinghoffer era americano, mas, como ja referi, passara uma grande temporada em Itália, pelo que não deixava de falar num italiano com sotaque e esforçava-se por falar português.
Leon estava junto à janela a olhar para a pequena praça. Tinha a pele macilenta, o queixo cheio de pregas e a cara estava coberta com aqueles típicos sinais de velhice. Apesar de estar entrevado numa cadeira de rodas, o velho judeu tinha um ar autoritário, napoleónico.
"Como se chama esta piazza?", perguntou, parecendo não demonstrar muito interesse pela resposta.
"Praça D. Filipa de Vilhena", respondi.
"Ah si. Uma vez estive com uma puttana que se chamava Fillipa. Era la cosa piú bella, anche molto molto putana questa donna."
Sem olhar para mim, dirigiu-se vigorosamente para o minibar e perguntou-me se queria tomar algo.
"Sim, uísque com uma pedra, por favor", respondi, avançando um passo.
Como estava distraído a olhar para o magnífico tecto da suite, não reparei que já estava com o meu copo erguido há algum tempo. Foi quando lançou o seu olhar sobre mim.
"Antes de brindarmos, queria fazer-lhe um pedido."
Apontou a mão que segurava o seu copo para uma poltrona verde.
"Queria que publicasse no seu Pierino e il lupo, é assim que chama, vero? Allora, queria que publicasse que acredito que o Bom Ladrão nunca foi uno ladrone, mas sim o maior pederasta da Galileia no tempo de Cristo e que, na sua última hora, seduziu o Senhor. Quem me provar inequivocamente o contrário, ofereço a generosa quantia de cincuenta mille dollari à questa persona."
Se dúvidas houvesse quanto ao avançado estado da doença de Klinghoffer, caíram completamente por terra com esta proposta irrecusável.
sexta-feira, dezembro 04, 2009
O herói do Achille Lauro
sexta-feira, novembro 20, 2009
quarta-feira, novembro 18, 2009

Jan de Vliegher
Todas as vezes que dou de caras com uma mulher feia ou mal amanhada, a minha vida prolonga-se mais meia hora. Não há uma maneira fácil de explicar isto, mas também não vou fazer qualquer espécie de esforço, porque só tenho um pulmão o que faz de mim um gastrópode. Olhei para o céu e Deus pediu-me então para vos contar esta história.
De tudo aquilo que já se escreveu sobre portas, chaves, fechaduras, trincos e ferrolhos, nada se compara à história que irei contar de seguida. No sul de França, depois da segunda grande guerra, havia um vendedor ambulante que viajava muito e que vendia de tudo um pouco. O seu negócio corria de vento em popa. O vendedor alimentava duas grandes paixões: manteiga do Jura e peixes. Esqueçamos a manteiga.
Sempre que ficava hospedado num hotel ou numa pensão, o vendedor enchia a banheira (ou o lavatório) e punha um ou dois peixes apenas para os contemplar. Os peixes eram a sua grande alegria e levava-os para todo o lado. Uma noite, porém, estava quase a pregar o olho quando ouviu uns gemidos abafados que pareciam vir da casa de banho.
- Será o meu pobre peixe? - perguntou a si mesmo.
Abriu então a porta para trás e...os gemidos pararam. Não só deixou a porta escancarada toda a noite, como tirou o trinco da casa de banho para que o hóspede seguinte não trancasse o seu próprio peixe. Mas não ficou por aqui - o nosso protagonista é vendedor ambulante, não se esqueçam. Não descansou enquanto não retirou todas as chaves, arrombou todas as fechaduras, trincos e ferrolhos de todas as casas de banho de hotéis e pensões de França (excepto Córsega, Bélgica e territórios ultramarinos franceses). Foi preso em Periguex e condenado cinco anos. Entre as várias manchetes que encheram as primeiras páginas sobre este caso, seleccionei esta para mim, mas que posso partilhar convosco:
"Polícias mergulhadores apanham o larápio das fechaduras."
terça-feira, novembro 17, 2009
segunda-feira, novembro 16, 2009
quinta-feira, novembro 05, 2009
Curiosidades - Heróis Marvel
Gambit já arrecadou mais de 10 milhões de Euros no 40º Word Series of Poker.
O velho Capitão América (na verdade, detém o posto de Brigadeiro-General aposentado) sofre de artrose e tem dois ordenanças ao seu serviço que o transportam sobre o seu escudo.
Em 2008, Ciclope destruiu quatro clínicas de oftalmologia e oito ópticas no estado de Nova Iorque. O antigo líder dos X-Men sofre de astigmatismo.
O Surfista Prateado foi eliminado na segunda bateria de long board na última prova do Campeonato Mundial de Surf. Galactus riu-se tanto do infortúnio do seu antigo arauto que provocou alguns buracos negros.
Punho de Ferro é realizador e actor veterano de filmes para adultos.
Wolverine sofre de micose profunda nas unhas. É cliente regular de esteticistas e dermatologistas.
Paulo Portas*, actual líder do grupo de mutantes CDS-PP, não gasta dinheiro em alimentação, uma vez que possui super-poderes cósmicos sobre feirantes e reformados.
* Embora Paulo Portas não seja considerado um herói Marvel, é actualmente o meu herói favorito - fica aqui a ressalva/declaração de interesses.
quarta-feira, outubro 28, 2009
Os espantalhos de Chiloé
terça-feira, outubro 27, 2009
sexta-feira, outubro 23, 2009
Histórias russas
Mais info sobre isto & novos horários da linha TGV do Douro, aqui.
sexta-feira, outubro 16, 2009
Greguerias*
- O bidê é o parente atacarrado e tarado da banheira.
- Os quadros que tapam os cofres na parede são sempre medíocres.
- O coelho é um predador sexual.
- Os pilotos estão sempre em greve porque têm medo que lhes nasçam penas.
- A tartaruga das Galápagos é o T5 das tartarugas.
- Jesus Cristo tinha doze guarda-costas e esqueceu-se de pagar a um deles.
- Os minibares dos hotéis deveriam ter minibarmen. Mais emprego.
- Os suicidas que se lançam à frente do comboio gostam de ler nas entrelinhas.
- Pré-requisito para ser velho: queixar-se de tudo e de todos.
* Esta lenga-lenga é minha e não do seu Ramon. Apenas pedi emprestado o rótulo literário e ele disse que sim, que podia ser.
segunda-feira, outubro 12, 2009
Três de uma só vez

Esse infeliz de Arras passava os dias a folhear revistas de homens e mulheres peladonas (Pt Br) e de tanto olhar e tocar apanhou um pé-de-atleta que se espalhou pelo corpo todo. Quem mo disse foi a senhora dona Cândida que parece estar a sempre a par da desgraça alheia.
O sargento-artilheiro valão matou uma companhia inteira só nessa noite. Foi condecorado com várias medalhas. Era cego de nascença mas nem por isso deixava de olhar olhos nos olhos. O seu velho comandante - que também via mal - chamou-o para ler Montaigne e Rabelais, pois o sargento sabia as obras de trás para a frente. Assim mesmo, de trás para a frente.
A nova majorette causou uma viva impressão ao moço do tambor que pegou nela com um braço enquanto tocava com o outro. O rapazola do bombo ficou pasmado com a perícia do moço do tambor e lançou-os ao ar sem nunca deixar de bater nas peles. O chefe da orquestra era o homem mais forte da vila e arremessou-os a todos aos céus. Os homens dos andores que vinham atrás pousaram os santos e levaram a pequena fanfarra aos ombros até ao adro. Foram todos picados por mosquitos, mas ninguém desafinou.
sexta-feira, outubro 09, 2009
Space Oddity

...7 6 5 4 3 2 1 Lift off!
Já está. Meio ano e tal de exploração espacial e de alunagens, e fiquei sem sobrancelhas como o senhor da canção.
quarta-feira, outubro 07, 2009
O casamento tardio
- Boa noite! Aqui estamos conforme o combinado - disse o noivo.
- Boa noite, o combinado era às 19h, não realizo cerimónias depois da hora do jantar - disse-lhe irritado - Toda a gente sabe que dá azar.
- Por favor, temos os nossos convidados à nossa espera - pediu a noiva, carregando nos s e abrindo as vogais.
- A senhora é checa, não é? E aposto que é de Ústí nad Labem, não?
- Sim! Como é q...
- Entrem lá que está a fazer corrente de ar.
Os noivos sorriram e entraram para a sala.
- Aguardem só um momento, volto já - informei-os.
Fui buscar um jarro de água de quente e uma toalha à casa-de-banho, e voltei para junto dos clientes.
- A menina das alianças? - perguntei.
- Já está a dormir...a minha irmã não deixou - respondeu o noivo.
- Hmmm...o senhor é francês? Da Normandia, certo?
- Não, sou de uma aldeia de Ribeira de Pena, mas já vivo há quatro anos na cidade - e sorriu, exibindo uns magníficos dentes.
- E nunca esteve em França? - tornei a perguntar, não me dando por vencido.
- Nunca!
Verti a água a fumegar na bacia, sentei-me na poltrona e comecei a tactear a água com o pé esquerdo que é o mais calejado.
- Ora muito bem, vamos a isto.



