terça-feira, setembro 29, 2009
Way Out
quinta-feira, setembro 24, 2009
terça-feira, setembro 15, 2009
Kit de montagem "Faça a sua própria história"

Compre já o nosso Kit de montagem "Faça a Sua Própria História" e habilite-se a ganhar um fantástico brinde!
O Kit é fornecido com o seguinte material:
- Numeração árabe para as horas/dias (0,1,2,3,4,5,6,7,8,9).
- Numeração romana para os capítulos (I,II,III,IV,V,VI,VII,VIII,IX,X).
- Amostra de águas lodosas de um pântano para matar o único herdeiro das terras abastadas.
- Um apito que imita na perfeição a voz de Pushkin sempre que este fazia amor.
- Seis miniaturas de potros brancos (Atenção: são à escala de 1/6000, são efectivamente muito pequenos).
- Um cantil e um ancinho.
- Uma camponesa insuflável.
- Um botão prateado para fazer de Lua e um botão amarelo para fazer de Sol.
- Um módulo lunar para orbitar à volta da Lua ou à volta da camponesa.
- Uma fotografia raríssima de Rimbaud e Verlaine de mãos dadas em Londres.
- Pontos finais, pontos de exclamação, hífens, notas de rodapés, a exclusiva palavra "etc." (de uma só utilização), etc.
Se ligar já para o nosso número, habilita-se a aguardar uns memoráveis dez minutos e a ganhar figuras de estilo fantásticas para dar um maior peso literário à sua história!
Não perca tempo! Ligue já, ligue agora!
sexta-feira, setembro 11, 2009
A rotina dá-te asas (mais cedo ou mais tarde)
Clap clap clap. Grande obação.
segunda-feira, setembro 07, 2009
sexta-feira, setembro 04, 2009
Onde está o Wally
quinta-feira, agosto 27, 2009
Gerard

Gerard pousou a corneta sobre a escrivaninha, abriu a gaveta e pegou numa folha amachucada. A folha dizia para Gerard pedir educadamente à senhora nua que estava estendida no sofá do gabinete para se retirar. No verso da folha, dizia ainda para tirar da segunda gaveta um revólver, uma caneta e duas folhas. Dizia ainda para queimar a folha antes de abrir a gaveta seguinte. Gerard queimou a folha no cinzeiro e a mulher saiu. Abriu a segunda gaveta e retirou os objectos. Uma das folhas estava em branco e outra tinha uma mancha de texto. Dizia para carregar o revólver com as balas que estavam numa terceira gaveta da escrivaninha e para escrever o seguinte texto na folha que estava em branco:
"Caro _____
PF peça à senhora presente na sala para se retirar. Vire a folha e continue a ler.
(...)
Abra a segunda gaveta da escrivaninha; retire o revólver, a caneta e duas folhas; leia com atenção o que está escrito na folha escrita."
Dizia também para colocar a folha que acabara de redigir na primeira gaveta. Gerard abriu a terceira gaveta, retirou as balas e carregou o revólver. Gerard reparou que havia ainda uma factura da luz no fundo da gaveta. Gerard levou as mãos à cabeça e saiu disparado pela porta fora com o revólver na mão. Gerard era um homem terrivelmente distraído. Quem acha que percebe alguma coisa de literatura, sabe como esta história irá acabar.
quinta-feira, agosto 20, 2009
O homem-cacto
- O senhor disse mesmo aquilo que eu acabei de ouvir? - perguntou o guarda.
- Disse sim. Faça o que lhe compete. Prenda-me. - respondeu o homem-cacto.
O homem-cacto trazia uma mochila e aguardava do lado de fora da portaria. Olhava à sua volta, fascinado. Ninguém estava no átrio do presídio aquela hora. Fechou os olhos e inspirou fundo. Sorriu. O guarda prisional media-o de cima a baixo enquanto marcava a extensão do director. Algumas horas antes, tinha ido à igreja mais próxima da sua casa para se confessar ao pároco. O homem-cacto vivia sozinho na rua da Escola Politécnica, no nº 89, não era de esquerda nem de direita e desdenhava o centro. Gostava de touradas de morte, embora não suportasse ver sangue. Ia almoçar com o seu velho pai uma vez por semana, a sua mãe morrera no parto. Era apreciador de cognac e não era muito bom com contas. Aliás, agora que falo nisso, começou a desenvolver um ódio de estimação pelo merceeiro da rua quando se apercebeu tardiamente que este o andava a enganar. E depois foi o senhor do banco, o seu amigo de infância, o seu sobrinho que tinha quase a sua idade, o IRS, o homem da bomba. E foi assim que tudo começou. Os jornais viriam a chamá-lo de homem-cacto, pois para além de ser intocável, raptava as suas vítimas e deixava-as morrer de sede no meio da tórrida planície. Muitas pessoas enganaram o homem-cacto desde que este ganhou o seu primeiro ordenado. Até que chegou a uma altura em que não era necessário vingar-se de mais ninguém. A sua última vítima, o garçon arrogante que o enganara anos a fio no troco, ainda estava a agoniar com a língua de fora e iria morrer em poucas horas.
Ali na prisão, não havia muitas contas a fazer.
sexta-feira, agosto 07, 2009
A marca do camaleão
quinta-feira, agosto 06, 2009
segunda-feira, agosto 03, 2009
O prosador venenoso
quinta-feira, julho 30, 2009
A ida da Lua ao Homem
gostava de fazer parte
das expedições do luar
semear a luz da incerteza
no Senhor Pragmático,
no alfa inabalável
e engasgar-lhe o pensamento
se algum dia morrer
gostava de fazer parte
das expedições do luar
serpentear à volta das
meninas cheias de insónia
que se tocam
sob os lençóis
depois de saborearem o
pau-de-canela do café
se algum dia morrer
gostava de fazer parte
das expedições do luar
iluminar bombas de
gasolina abandonadas,
cataventos enferrujados,
o oceano,
as algas que secam no areal ,
a Praça de S. Marcos,
o adro mais miserável
se algum dia morrer
gostava de fazer parte
das expedições do luar
descer sobre homens que
parecem pouco mais do que homens
querem subir ao palco das estrelas,
querem mais espaço.
sexta-feira, julho 24, 2009
Kitchen Debate

I want to show you this kitchen. It is like those of our houses in California.
R. Nixon
N. Khrushchev
Faz hoje 50 anos que, na Exposição de Moscovo, Nixon e Khrushchev trocaram impressões inflamadas sobre electrodomésticos e a qualidade de vida dos respectivos países. A transcrição (em Inglês) pode ser lida aqui. Foi uma boa tentativa para aliviar o clima de guerra fria que se vivia então. Ficou conhecida como o Kitchen Debate. A realidade supera sempre a ficção.
quarta-feira, julho 22, 2009
O caso do falso médico
Até que um dia alguém lhe descobriu a careca. Mal soube do sucedido, Christus não aguentou: apontou um yo-yo à cabeça e matou-se. Mais tarde, veio a saber-se que a careca descoberta não pertencia ao médico, mas à sua bela mulher. Madame Christus nunca fora sua mulher de verdade, mas, uma vez mais, ninguém suspeitara de nada.
sexta-feira, julho 17, 2009
quarta-feira, julho 15, 2009
A Dança de Jasna Góra

sexta-feira, julho 10, 2009
O anacoreta
Sentei-me na poltrona de pele-vermelha e encarei o afamado anacoreta sem nunca desviar o meu olhar do seu. O meu à-vontade desconcertou-o e levantou-se de imediato. O anacoreta era dono e senhor de uma ptose abdominal invejável. Com as costas gordas voltadas para mim, ajeitou o jaquetão e começou a falar para um troféu de caça que irrompia da parede.
"A perversão das mulheres, meu caro", disse. "Você sabe o que o espera se eu o aceitar para o lugar?...O cavalheiro antes de si suicidou-se. Aposto que não sabia disto quando se candidatou ao lugar." Começou a fazer festas à barbicha castanha do alce. Era um troféu de excepção. "Chamava-se Pavel e foi o meu melhor paleontologista." Mal deixou cair a palavra quando se voltou para mim com uma rapidez surpreendente.
Então era mesmo verdade. O velho anacoreta tinha enlouquecido de vez. Chamo-me Pavel Leonov e parto amanhã para a minha segunda expedição no Gobi.


