quinta-feira, setembro 24, 2009
terça-feira, setembro 15, 2009
Kit de montagem "Faça a sua própria história"

Compre já o nosso Kit de montagem "Faça a Sua Própria História" e habilite-se a ganhar um fantástico brinde!
O Kit é fornecido com o seguinte material:
- Numeração árabe para as horas/dias (0,1,2,3,4,5,6,7,8,9).
- Numeração romana para os capítulos (I,II,III,IV,V,VI,VII,VIII,IX,X).
- Amostra de águas lodosas de um pântano para matar o único herdeiro das terras abastadas.
- Um apito que imita na perfeição a voz de Pushkin sempre que este fazia amor.
- Seis miniaturas de potros brancos (Atenção: são à escala de 1/6000, são efectivamente muito pequenos).
- Um cantil e um ancinho.
- Uma camponesa insuflável.
- Um botão prateado para fazer de Lua e um botão amarelo para fazer de Sol.
- Um módulo lunar para orbitar à volta da Lua ou à volta da camponesa.
- Uma fotografia raríssima de Rimbaud e Verlaine de mãos dadas em Londres.
- Pontos finais, pontos de exclamação, hífens, notas de rodapés, a exclusiva palavra "etc." (de uma só utilização), etc.
Se ligar já para o nosso número, habilita-se a aguardar uns memoráveis dez minutos e a ganhar figuras de estilo fantásticas para dar um maior peso literário à sua história!
Não perca tempo! Ligue já, ligue agora!
sexta-feira, setembro 11, 2009
A rotina dá-te asas (mais cedo ou mais tarde)
Clap clap clap. Grande obação.
segunda-feira, setembro 07, 2009
sexta-feira, setembro 04, 2009
Onde está o Wally
quinta-feira, agosto 27, 2009
Gerard

Gerard pousou a corneta sobre a escrivaninha, abriu a gaveta e pegou numa folha amachucada. A folha dizia para Gerard pedir educadamente à senhora nua que estava estendida no sofá do gabinete para se retirar. No verso da folha, dizia ainda para tirar da segunda gaveta um revólver, uma caneta e duas folhas. Dizia ainda para queimar a folha antes de abrir a gaveta seguinte. Gerard queimou a folha no cinzeiro e a mulher saiu. Abriu a segunda gaveta e retirou os objectos. Uma das folhas estava em branco e outra tinha uma mancha de texto. Dizia para carregar o revólver com as balas que estavam numa terceira gaveta da escrivaninha e para escrever o seguinte texto na folha que estava em branco:
"Caro _____
PF peça à senhora presente na sala para se retirar. Vire a folha e continue a ler.
(...)
Abra a segunda gaveta da escrivaninha; retire o revólver, a caneta e duas folhas; leia com atenção o que está escrito na folha escrita."
Dizia também para colocar a folha que acabara de redigir na primeira gaveta. Gerard abriu a terceira gaveta, retirou as balas e carregou o revólver. Gerard reparou que havia ainda uma factura da luz no fundo da gaveta. Gerard levou as mãos à cabeça e saiu disparado pela porta fora com o revólver na mão. Gerard era um homem terrivelmente distraído. Quem acha que percebe alguma coisa de literatura, sabe como esta história irá acabar.
quinta-feira, agosto 20, 2009
O homem-cacto
- O senhor disse mesmo aquilo que eu acabei de ouvir? - perguntou o guarda.
- Disse sim. Faça o que lhe compete. Prenda-me. - respondeu o homem-cacto.
O homem-cacto trazia uma mochila e aguardava do lado de fora da portaria. Olhava à sua volta, fascinado. Ninguém estava no átrio do presídio aquela hora. Fechou os olhos e inspirou fundo. Sorriu. O guarda prisional media-o de cima a baixo enquanto marcava a extensão do director. Algumas horas antes, tinha ido à igreja mais próxima da sua casa para se confessar ao pároco. O homem-cacto vivia sozinho na rua da Escola Politécnica, no nº 89, não era de esquerda nem de direita e desdenhava o centro. Gostava de touradas de morte, embora não suportasse ver sangue. Ia almoçar com o seu velho pai uma vez por semana, a sua mãe morrera no parto. Era apreciador de cognac e não era muito bom com contas. Aliás, agora que falo nisso, começou a desenvolver um ódio de estimação pelo merceeiro da rua quando se apercebeu tardiamente que este o andava a enganar. E depois foi o senhor do banco, o seu amigo de infância, o seu sobrinho que tinha quase a sua idade, o IRS, o homem da bomba. E foi assim que tudo começou. Os jornais viriam a chamá-lo de homem-cacto, pois para além de ser intocável, raptava as suas vítimas e deixava-as morrer de sede no meio da tórrida planície. Muitas pessoas enganaram o homem-cacto desde que este ganhou o seu primeiro ordenado. Até que chegou a uma altura em que não era necessário vingar-se de mais ninguém. A sua última vítima, o garçon arrogante que o enganara anos a fio no troco, ainda estava a agoniar com a língua de fora e iria morrer em poucas horas.
Ali na prisão, não havia muitas contas a fazer.
sexta-feira, agosto 07, 2009
A marca do camaleão
quinta-feira, agosto 06, 2009
segunda-feira, agosto 03, 2009
O prosador venenoso
quinta-feira, julho 30, 2009
A ida da Lua ao Homem
gostava de fazer parte
das expedições do luar
semear a luz da incerteza
no Senhor Pragmático,
no alfa inabalável
e engasgar-lhe o pensamento
se algum dia morrer
gostava de fazer parte
das expedições do luar
serpentear à volta das
meninas cheias de insónia
que se tocam
sob os lençóis
depois de saborearem o
pau-de-canela do café
se algum dia morrer
gostava de fazer parte
das expedições do luar
iluminar bombas de
gasolina abandonadas,
cataventos enferrujados,
o oceano,
as algas que secam no areal ,
a Praça de S. Marcos,
o adro mais miserável
se algum dia morrer
gostava de fazer parte
das expedições do luar
descer sobre homens que
parecem pouco mais do que homens
querem subir ao palco das estrelas,
querem mais espaço.
sexta-feira, julho 24, 2009
Kitchen Debate

I want to show you this kitchen. It is like those of our houses in California.
R. Nixon
N. Khrushchev
Faz hoje 50 anos que, na Exposição de Moscovo, Nixon e Khrushchev trocaram impressões inflamadas sobre electrodomésticos e a qualidade de vida dos respectivos países. A transcrição (em Inglês) pode ser lida aqui. Foi uma boa tentativa para aliviar o clima de guerra fria que se vivia então. Ficou conhecida como o Kitchen Debate. A realidade supera sempre a ficção.
quarta-feira, julho 22, 2009
O caso do falso médico
Até que um dia alguém lhe descobriu a careca. Mal soube do sucedido, Christus não aguentou: apontou um yo-yo à cabeça e matou-se. Mais tarde, veio a saber-se que a careca descoberta não pertencia ao médico, mas à sua bela mulher. Madame Christus nunca fora sua mulher de verdade, mas, uma vez mais, ninguém suspeitara de nada.
sexta-feira, julho 17, 2009
quarta-feira, julho 15, 2009
A Dança de Jasna Góra

sexta-feira, julho 10, 2009
O anacoreta
Sentei-me na poltrona de pele-vermelha e encarei o afamado anacoreta sem nunca desviar o meu olhar do seu. O meu à-vontade desconcertou-o e levantou-se de imediato. O anacoreta era dono e senhor de uma ptose abdominal invejável. Com as costas gordas voltadas para mim, ajeitou o jaquetão e começou a falar para um troféu de caça que irrompia da parede.
"A perversão das mulheres, meu caro", disse. "Você sabe o que o espera se eu o aceitar para o lugar?...O cavalheiro antes de si suicidou-se. Aposto que não sabia disto quando se candidatou ao lugar." Começou a fazer festas à barbicha castanha do alce. Era um troféu de excepção. "Chamava-se Pavel e foi o meu melhor paleontologista." Mal deixou cair a palavra quando se voltou para mim com uma rapidez surpreendente.
Então era mesmo verdade. O velho anacoreta tinha enlouquecido de vez. Chamo-me Pavel Leonov e parto amanhã para a minha segunda expedição no Gobi.
quinta-feira, julho 09, 2009
sexta-feira, julho 03, 2009
Ebook
Recolha de observações e desenhos realizados por Dr. Fausto em papéis de parede antes de ter invocado o senhor da contagem da água disfarçado de Mefistófeles.
Obrigado ao Arq. Miguel e ao Eng. Luís.
quinta-feira, julho 02, 2009
O Único Sobrevivente
chegaram a 1 consenso
foram 139 ou 140 vítimas
mortais? o porteiro aponta
imperiosamente para
o céu e de repente
pára de chover
"vamos aproveitar agora"
enterram os mortos logo ali e
largam 2 risadas verdes que
se misturam com o schlap
dos sapatos pretos nas poças
o jovem porteiro vê-las
partir e torna a ler a
manchete do desportivo:
"Único Sobrevivente do Acidente
no Real por 94 milhões"
sexta-feira, junho 26, 2009
quinta-feira, junho 25, 2009
Forcéps
- Pois não. Sou titular de uma palavra-passe.
- ?
O utente inclinou-se ligeiramente e segredou ao validador:
- Forcéps.
O validador emitiu uma luz verde e um beep de aprovação. O utente sentou-se no lugar das grávidas e inicou a contagem decrescente dos 60 minutos.
sexta-feira, junho 19, 2009
Um cara-de-pau e um cara-de-cu
"Quanto a ti não sei, meu farsante", disse o cara-de-cu, "mas eu, mais do que ninguém, fiz por merecer o meu lugar aqui!"
O cara-de-pau saiu do transe em que estava mergulhado, olhou para o cara-de-cu e pregou-lhe um beijo na cara-nádega, e continuou a contar as belas cornucópias. O cara-de-cu transformou-se então num belo sapo encantado.
Aparece finalmente a terrível virago que brada aos infernos pelo número do cara-de-cu. O cara-de-pau olha para o seu tickete, encolhe os ombros e retoma a contagem. Não se atreve a dar um beijo à terrível virago que ainda hoje chama pelo número do cara-de-cu.
quinta-feira, junho 18, 2009
terça-feira, junho 16, 2009
O gandulo
- Que nome irei dar à minha seita?
Stendhal. Só lhe vinha à cabeça o nome Stendhal. Lembra-se de ter lido Stendhal quando era mais novo, mas porquê agora Stendhal?
- Pois bem, assim seja, vou baptizar o meu culto de "Estendhalismo"!
(O nosso herói é brasileiro).
A Igreja Estendhalista, depois de um período evangelizante muito próspero, viria a fechar as portas, porque todos os fiéis passivos de Cat. B apanharam a terrível febre muar que grassava impiedosamente naquela região.
O gandulo perdeu a sua fé e voltou à antiga actividade.
quinta-feira, junho 11, 2009
Takeway
...
número 143257
...(...)
143258
... (aqui os frangos tem as patas engraxadas)
143259
...
143260
a senhora cheia de salamaleques
que estava ao meu lado
arregalou os olhos,
pegou em mim,
pagou
e saíu disparada
a senhora cheia de salamaleques
gosta de pôr picante
entre as coxas
segunda-feira, junho 01, 2009
quinta-feira, maio 28, 2009
quarta-feira, maio 27, 2009
Problema
R: ______________!!!
terça-feira, maio 26, 2009
Perez Mete-lo
- O que é que aquele mirolha do Perez Mete-lo tem que eu não tenho? E depois toda aquela sapiência financeira! Ó Deus rogai por mim! - exclamo com a voz enrouquecida pelo sono.
E fico assim sentado na cama a olhar para a parede creme horas a fio.
Sccsccchhh
A vizinha a tomar banho para ir trabalhar. Os primeiros raios do sol a furarem o estore. Desperto do transe, deito-me e adormeço.
Gostava de ter uns bons cornos para me defender destes atrasos de vida.
terça-feira, maio 19, 2009
Casado de fresco
Casei-me com uma das minhas personagens pelo civil. Já adivinharam o seu nome. Chama-se Alce Ione ou apenas Alce. Rigaut e o senhor da pastelaria foram as testemunhas. Não foi entediante, de todo. Foi uma cerimónia asseada e com intervalo para vermos um pequeno filme didáctico. No fim, a senhora da conservatória comoveu-se e pediu-me que lhe enviasse as fotos por carta registada.
segunda-feira, maio 18, 2009
O incontinente Capt. Kirk

US Starship Enterprise Blog - year XXII day 009
My head is killing me today. I think Spok said something, not sure. Don't care. Vulcano. What a stupid name for a planet. Forgot to put my lens with cherry flavour again. I don't see a damn thing. Where do we go now? Hmm. That reminds me of an old song that my grandpa used to sing. Beep. What do you know? The yellow LED. My pee bag is full again.
quinta-feira, maio 14, 2009
O nefelibata
Pela cor saudável das suas bochechas deve ser um nefelibata! Mas um nefelibata com os pés assentes na terra?! Onde já se viu? Contratou os serviços de uma aia (uma aiazinha!) para lhe segurar na chávena enquanto toma o seu expresso no balcão. Toda a gente com bicos de pato a olhar. Excepto eu que me in-vejo neste espelho parisiense e solto uma piada de mau gosto que rola pela mesa de mármore rosa e parte-se em mil bocados. Ah, a mim agora!
segunda-feira, maio 11, 2009
Family Frost
os sprinklers novos
não o deixavam dormir
lembravam-lhe o borrifador
do ferro de engomar da ex-mulher
desmontou-os no dia seguinte
e propôs uma troca ao senhor Family Frost
recebeu em troca três gelados de couvete
e dez, onze poemas ultra-congelados
não gostou do que leu e
queimou-os no jardim nessa noite
lembravam-lhe as ancas da ex-mulher, do tempo
em que era feliz, da música FF como banda sonora
quarta-feira, maio 06, 2009
STCP - Sociedade de Transportes Colectivos de Poetas
sábado, maio 02, 2009
Harry Potter foi encontrado morto
A poesia de hoje não passa de
ronhónhó ronhónhó ronhónó:
sou um violino que nunca foi
tocado como deve ser-
até ao dia de hoje
Amanhã, se for esse o Seu
desejo, irei conhecer
o Grande Ilusionista
e a grande Varinha mágica
Hocus Pocus (este é o meu corpo)
Cheers,
H.
terça-feira, abril 28, 2009
Os Genuflexórios
- Sirvo-me da minha senhora como um porquinho-da-Índia, meu querido padre. Faço de tudo para a distrair e ela continua sempre naquele estado de penitente. Nem sempre foi assim, claro está, mas fui aperfeiçoando a minha arte ao longo destes anos. Acaso sabeis que uma mulher pode ficar meio dia de joelhos?
O padre olhou para o tecto de madeira e ficou calado por uns momentos, até que confessou:
- Tenho pena de não o ter conhecido quando era mais novo. Fique nas graças de Deus!
E lá foi à vida dele, a cogitar nas palavras do artífice e a invocar o nome e o ofício da mãe do Marquês.
quarta-feira, abril 22, 2009
Os 9 Passos para a Felicidade

Para ser feliz é imperioso ter uma pequenina infiltração na casa-de-banho. Um homem que me quer bem assim me aconselhou. Talvez tivesse sido o meu agente de seguros, não me lembro muito bem:
1. Acordar, bater palminhas e dirigir-se à casa de banho.
2. Certificar-se de que os seus dois pés se encontram dentro da tijoleira creme com a carpa sorridente e respeitar a distância de segurança de 30 cm do lavatório. Se apenas tiver um pé, a tarefa afigura-se mais fácil.
3. Inclinar ligeiramente a cabeça para cima e aguardar pela queda da gota revigorante.
4. "Piing!": deverá ser este o som emitido pela gota (não mais do que dois "i"s).
5. Fingir uma tosse viril, rouca. Aproximar-se do espelho para analisar o tamanho do buraco na testa. Se o diâmetro da concavidade for superior a 5 cm está no bom caminho e tem tudo para ser um cidadão bem-disposto e até feliz.
6. Repetir o passo anterior se estiver muito mal disposto ou com ressaca.
7. Frühstück!
8. Levar o escaravelho à rua para fazer as necessidades. Ignorar o cadáver hostil estendido no jardim.
9. Pegar nos skis e sair para mais uma incrível jornada de trabalho.
terça-feira, abril 21, 2009
na noite de 25 de Abril de 1974

em Boise (ID), a facção
revoltosa da comunidade basca
preparava-se para um golpe
de estado no estado de Idaho,
até que o responsável
pela Informação
teve conhecimento
que em Portugal
alguém se lembrou de
fazer o mesmo durante o dia:
uma revolução à beira-rio,
com cravos e unhas amareladas
"Duas en el mismo dia!
No me jodas tio!" -
berrou o cabecilha etarra.
A revolução basca em Idaho
ficou adiada por tempo indefinido.
quarta-feira, abril 15, 2009
Minis para usar e deitar fora
- Já não vemos o cuco da irmã da minha avó há dias. Está a ficar ranzinza, diz que não aceita a mudança de hora.
- O velho soldado alemão que fugiu de Berlim para o Rio Grande do Sul e do Rio Grande do Sul para a minha vila amontoa e leva a roupa suja no side-car. Redimiu-se com o passado.
-Em São Petersburgo, os pobres roubam e queimam pernas postiças de madeira para se aquecerem. Não há térmitas nem caruncho que pegue em São Petersburgo.
- Sei de fonte segura que o homem do matadouro gosta de trabalhar dias a fio, sem parar. Chop chop. Não sei o que estou a comer, mas sabe-me bem.
- Gosto de ir ao El Corte Inglés. Sou assediado inúmeras vezes pelas meninas que pintam a cara de várias cores. Uma vez cercaram-me e não consegui fugir. Só Deus sabe o que eu passei.
- Os autocarros deveriam ter lugares reservados para poetas. Quantos belos versos não se perderam por irem de pé.
- Não sou compatível com os romances de capa & espada. Mas gosto dos bigodes do Errol Flynn e do Stewart Granger. O segredo para ter sucesso está no bigode.
terça-feira, abril 14, 2009
Deixem passar os Playboys
O mundo está agora pronto para a era dos Playboys! Todos liderados pelo notabilíssimo e sonâmbulo bisneto do Dr. Faustroll, não há meio tempo a perder! Com corcundas que pescam à linha e passam o tempo a olhar para a cesta do vizinho queimada pelo sol! Com fulanos que ainda vivem na I República e viajam de caleche e entopem as nossas ruas lamacentas! Vamos todos contemplar as bolhas da sopa e as forças ocultas que as impelem! Façam regressar os vice-reis da Índia e os doze velhos capitães donatários para porem cobro ao actual estado das coisas. Greve dos maquinistas do alto-mar, já! Layoff! Fora os gascões, são todos uns morcões! Deixem passar os Playboys! Tantos voluntários, podem baixar os braços, meus senhores.
domingo, abril 12, 2009
Marcar o compasso
Dois compassos rivais cruzaram-se a meio da principal rua da aldeia que delimitava as respectivas jurisdições.
- A vossa sineta foi roubada da pensão mais rasca, parece um besouro! - berrou o testa de ferro de um dos gangs pascoais.
- E o vosso crucifixo, Deus meu?! Tem um Cristo sorridente, onde já se viu? - replicou o segundo da hierarquia do outro compasso.
E logo ali teve início a troca de galhardetes. As velhas sentadas nos bancos do adro levantaram-se e começaram a benzer-se em gestos sucessivos, invocando o nome de Deus. Os rapazolas pararam de jogar à bola e correram em direcção à pequena Aljubarrota. O louco da aldeia, que este ano se vestira de coelho, trocava carícias com a filha do dono do café que tinha ar de inglesa, enquanto os homens se riam cá fora com um copo de tinto na mão.
sexta-feira, abril 10, 2009
Chuenca, Madrid

“How I do love to hear the wolves howl!”
Joseph Smith
Tratavam-se por
Irmão, Irmão Chéri
Irmão Snow (Esnô) e
eram a parelha
Mormon mais bem
sucedida fora do Utah.
Convertiam todos
aqueles que há muito
desejavam ser convertidos e
até aqueles que professavam
outra religão.
Andavam com aquele
ar de quem acabou de
acordar sobre um colchão
de água e teve
um sonho bom.
quinta-feira, abril 09, 2009
quinta-feira, abril 02, 2009
Morangos

Tenho morangos com bolor a estragarem-se no frigorífico. Sr. Perez Mete Lo, a minha questão é a seguinte: os pombos e as pombinhas lá fora gostarão de morangos estragados? Não consigo deitá-los fora com esta crise a martelar-me a cabeça. Que aflição que isto tudo me mete! Ajude-me por quem lá tem sr Perez Mete Lo.
(A senhorita hermofrodita ri-se mas isto não tem piada nenhuma).
terça-feira, março 31, 2009
segunda-feira, março 30, 2009
O êxito do Senhor Rohnes
sábado, março 21, 2009
Escudo de Buenos Aires
Em Buenos Aires, existem homens de baixa estatura que esperam ser redescobertos. Saiem dos trabalhos antes do pôr-do-sol, atravessam e percorrem as intermináveis avenidas para chegarem ao Rio De La Plata. No cais, cumprimentam-se cordialmente sem dizer uma palavra, ocupam as pedras gastas que lhes foram passadas pelos seus pais e tentam encontrar caravelas no horizonte.
terça-feira, março 17, 2009
O Soldador de Almas
segunda-feira, março 16, 2009
Hopper
sábado, março 14, 2009
O Velho Gaiteiro - Cap. II
O Velho Gaiteiro - Cap. I
sexta-feira, março 13, 2009
terça-feira, março 10, 2009
Síndrome de Estocolmo

Jean-Michel Folon
O meu dedo cheira mal.
As cascatas de versos fétidos que segui
com a ponta vermelha do indicador.
A verdadeira questão aqui e ali
não é a honestidade do poeta-oráculo
que acabei de cheirar, vejamos:
os gregos deram-me a
escolher entre
ser refém de alguém, ter medo
para depois criar laços e entre
ler e roubar cânones, água tépida
que não aquece nem arrefece.
Tenho algum tempo
para emendar erros,
afinal a vaidade constrói-se
com baldes de trabalho, contrabando,
paixões capitosas, observar o
outra poeta a observar, a fazer
reféns.
segunda-feira, março 09, 2009
domingo, março 01, 2009
O Tentador Mais Velho do Mundo

Regressei de umas férias tonificantes em Sealand, o país mais pequeno do mundo. Uma semana sem roupa lavada, barba de náufrago, que mais um homem pode querer? Conheci um tipo curioso chamado Papillonete que já tentou todos os meios possíveis para sair daquela ilha artificial. Papillonete gosta muito de tentar. Apelida-se de o Tentador Mais Velho do Mundo.
domingo, fevereiro 22, 2009
Temos um problema de meio-fundo
sexta-feira, fevereiro 20, 2009
S. Rimbaud assim me aconselhou
em aparição num canal codificado
em jeito de homenagem póstuma à Poesia
deixarei de escrever poemas em breve
vou gerar emprego
abrir uma firma de próteses dentárias
no Principado de Liechtenstein,
talvez uma clínica de fertilidade,
no fundo vai tudo
dar ao mesmo
à minha língua,
ao teu castor.
quinta-feira, fevereiro 12, 2009
terça-feira, fevereiro 10, 2009
Personagens

O mais galhofeiro dos meus personagens estava a lambuzar-se com um favo de mel, quando, de um jeito arrebatado, atirou-o pela janela fora, ordenando de imediato aos restantes que se levantassem das cadeiras de vime. Era claramente o líder deste escol prometedor. Fizeram-no contrafeitos, naturalmente; o mais velho, antigo campeão de tiro às pombinhas, soltou um gás e pôs a língua de fora. A seu lado estava a senhorita Gigi que me estendeu a mão azulada, enquanto puxava com a esquerda o decote de crinolina que insinuava o seio. A criancinha que puxava o vestido de Gigi fez-me notar que eu tinha lapas cravadas nas costas e avisou-me que as lapas só desgrudavam com espumante reles. Que criança tão esperta! Vamos lá, continuemos. Sarabando, meu camarada de armas, branco e maciço como um tampo de mármore. Entregou-me solenemente o seu livre-trânsito para depois desatar às gargalhadas que emprastaram o ar. Que tipo tão maravilhosamente inconsequente! E que duas palavras tão grandes! Comecei também a rir, a rir, a rir, até ter convulsões, como se tivesse perdido o emprego. E não é que perdi mesmo?! Já estou a rir há quarenta e oito horas e só vou parar quando me derem um trabalho a sério. Um Domador de Feras que regressa triunfante à arena após um longo e amargurado interregno! Um Escanção de reis e presidentes de transição (mas cheios de bom gosto!), um Assessor togado de um ex-magistrado justiceiro!
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
Aviso
Interdita a entrada a coelhos e a anões réprobos.
Obrigado.
domingo, fevereiro 01, 2009
Job, o barman
- Oh! Então?! Está mais do que decidido. Tantas despesas com esta crise! Vá, vamos dormir, amanhã será outro dia.
E com esta verdade scarlettiana ainda no ar, lá se foram deitar. Luzes apagadas. Ele ainda libertou um longo suspiro enquanto olhava para a penumbra do quarto. De súbito, virou-se para o lado da janela com alguma brusquidão, tapou a cabeça com o edredão e adormeceu.
Dois dias depois, Henrique chega a casa, atira o sobretudo para cima do sofá e ajeita-se na sua poltrona. O comando da televisão?
- Já chegaste querido? - pergunta Margarida enquanto rala umas cenouras na cozinha.
- Meu Deus, esta sala é um gelo! - responde-lhe inconsolado.
Levanta-se, puxa o cesto de lenha debaixo do armário e começa a acender a lareira. Pouco depois, sacode as mãos e regressa feliz ao seu trono.
- Ó Job, prepara-me aí um martinizi...
De repente, dá-se conta e cai em si. Num tenebroso e fulminante si maior. Desencosta-se e olha para o barzinho de canto. Job não estava lá. Tinham dispensado os seus serviços na noite anterior. Nove anos de casa.
Lá fora, o camião do lixo recolhia ruidosamente o lixo dos contentores daquela rua sem saída.
terça-feira, janeiro 27, 2009
os Anões e eu
sexta-feira, janeiro 23, 2009
quinta-feira, janeiro 22, 2009
quarta-feira, janeiro 21, 2009
Tudo ou Nada no Dente-de-Fada
Fui um sustenido duro
de roer que achava olhos
de carneiro de mar morto,
filamentos de musgo-real
debaixo de travesseiros
era esta a minha arte
só trabalhava à meia-luz
do gardel, admirava
em sigilo gargantas
fundas, peles de bócio
que não conseguiam
fazer esgotar
o filão da palavra.
Tinham de ser lidos, sim.
Por acerado acaso
a carteira de um
veio parar aos meus pés
em vez de a devolver
ou ingressar nas Forças Armadas
Até Aos Guizos
deixei prescrever
o prazo de entrega
apostei tudo
no Dente-de-Fada:
fiquei dondo e com
um hálito de cabra,
sou um gentilhomme
em Oliveira do Arda
domingo, janeiro 18, 2009
sábado, janeiro 17, 2009
Deus
sábado, janeiro 10, 2009
A Queda do Conselheiro Morno - II
Numa dessas tardes idílicas, o Grande Bastonário da Confraria das Bagatelas, ser insidioso e possuidor de uma língua mais viperina do que a das cortesãs, passeava sozinho pelas veredas da ala norte do labirinto, fumando o seu rapé quando, de repente, deteve a sua marcha. Pareceu-lhe ouvir, do outro lado do ornato verde, alguém a arfar, e depois ais e suspiros cavos, roucos, de profunda agonia.
O fim do meu intricado romance histórico está iminente. Tenho de vos deixar por agora para dar prioridade a esta obra. Não deixem de aquecer os vossos bancos ou cadeiras da melhor forma que entenderem e, sobretudo, não ponham a carroça à frente dos bois, nem enfeitem os bois à frente das vacas. Num piscar de olhos, saberão o desenlace trágico desta história baseada em factos reais e clericais. É de fazer chorar as pedras da calçada.
sexta-feira, janeiro 09, 2009
Longa Quilometragem

E o óscar este ano vai para aquele senhor ao lado daquele senhor que está atrás daquele cavalheiro bocejador de cartola creme. Oh, finalmente foi-lhe reconhecido talento. Ele merece.
sábado, janeiro 03, 2009
Factos ocorridos entre 31 de Dezembro de 2008 e 01 de Janeiro de 2009.

O Exmo. Juíz de Fora bebeu soda caústica
em vez de champanhe. Viveu três minutos de 2009.
Na antiga Rodésia, um caçador furtivo matou
o último leão do Parque Nacional. A sua efígie
será perpetuada nas notas de Z$ 100 000 000.
Os sem-abrigo de Rimini ofereceram as
suas mantas aos banhistas de Ano Novo.
João de Lima Triste reparou que não tinha
as vacinas em dia. Como era hipocondríaco,
morreu de aflição pouco antes da meia-noite.
De repente, calaram-se todos e encostei o ouvido
à parede:
- Filomena, São Benedito está entre nós esta noite.
- Como é que ele entrou no nosso quarto, poderás dizer-me?
O dono de um café de Tróia quis aparecer
no notíciário. Contratou três sem abrigo
de Rimini para assaltar o estabelecimento.
Os worst-sellers de 2008 estão carregados
de histórias inúteis como esta. É bem feito.
O Ministro do Equipamento está feliz porque
estreou cuequinhas novas e recebeu um postal de Ano
Novo do Primeiro.
Rolou a última cabeça condenada em 2008. Se
tivesse a cabeça no sítio chegaria a 2009.
quinta-feira, janeiro 01, 2009
A Queda do Conselheiro Morno - I
Como é frequente nestas histórias, alguns cortesãos, servum pecus de Sua Leviandade, cobiçaram até ao caixão o cargo e o favoritismo real, e até a sua amante, menstruadíssima de sangue azul, conseguia transformar a maledicência numa arte. Os seus ossos ficaram roídos pelo ciúme e quase que desmaiava quando via os dois a passearem pelos intermináveis labirintos verdes. Mas o Conselheiro Morno era um homem de tal forma insigne e magnânimo que desdenhava as "pequenas fraquezas" dos outros (e quando envergava a sua jaqueta preta desdenhava duas vezes mais).
Por hoje é tudo. Dêem-me o prazer da vossa companhia nas próximas madrugadas e contar-vos-ei como teve início da queda do Conselheiro Morno.
sexta-feira, dezembro 19, 2008
Caldos Knorr
vejam-no
vejam-no bem
o chef mira
à sua volta
("sua", estimado leitor)
com extrema unção
confecciona e
apura o tempero
a puxar o picante
usa coagens,
usa alavancagens
usa receitas tradicionais
portuguesas
um gourmet com
o anelar enfiado
no passevit
fez sempre
tudo às claras
até picou carne
que não era sua
("sua", estimado doutor)
os comensais
são cristos-reis
assim redentores
e nunca apresentaram
uma única queixa
até agora
quarta-feira, dezembro 17, 2008
terça-feira, dezembro 16, 2008
Mikado
A memória funciona como as marés. Associei agora a tua prenda à entrevista de trabalho que tive com gestor de hotel japonês que gostava de se vestir de camareira. Um homem de uma cordialidade datada, excessiva, quase incómoda, mesmo para um oriental. Gostava de cirandar pelos longos corredores do hotel com um caniche branco e prestar serviços especiais a todos os executivos ocidentais que usufruíssem do protocolo com multinacionais. Nessa altura, a conduta do gestor já não era segredo para nenhum dos funcionários do hotel. Mas, sabes como são os japoneses, preferem enfiar um sabre na barriga a questionar os seus superiores. Os últimos pisos, os mais luxuosos, estavam sempre ocupados. Um dos serviços consistia em deixar cair um mikado que era uma pequena lembrança do hotel. Quase todos os americanos eram prestáveis e baixavam-se para ajudar o gestor-camareira. Antes que dessem conta, estavam os dois ajoelhados a tentar tirar os pauzinhos com o maior dos cuidados. Assim que o gestor-camareira abandonava o quarto, os clientes pensavam muito nas suas consortes e ligavam para casa para falarem dos filhos e de coisas banais.
terça-feira, dezembro 09, 2008
Os Quatro Velhotes

Leon Kossoff
Eram quatro. Depois de encherem o bandulho com pratos postos sempre em dia, juntavam-se na praceta do município e elaboravam grandiosos espectáculos de água. Um deles chegou a cuspir um dente de ouro mas não se arreliou muito com isso. Era um pouco vagaroso mas sabia expelir pequenos jactos amarelados e intermitentes das orelhas elefantinas. O das sobrancelhas bastas e pretas arrotava ao sabor do vento e era muito teatral, sabia fazer elipses e parábolas que faziam parar as maezinhas e os meninos. O terceiro fora adido de embaixada e era todo bem falante: descrevia uma longa e ornamentada introdução e devolvia educadamente as moedas castanhas no final do espectáculo. O mais novo chamava-se Tristão e usava uma touca de carmelita mas confessava-se devoto de Sta. Valha. Jaculava até onde a vista alcançava enquanto fumava cigarrilhas de baunilha. Executava sempre o solo das águas revoltosas e era o único que verdadeiramente possuía alma de artista.
quarta-feira, dezembro 03, 2008
na cabeça rapada,
o fiel de armazém sai
daquela cena tremenda
coça a barba passa-piolho
do encarregado, trepa
pela escada de metal saudando
os quebra-luzes de design.
Pede inabilmente à menina
Gwendoline gaga da
secretaria para expelir um gemido
convulsivo no sentido contrário
ao dos ponteiros do relógio.
Não deixa de ser possível
que todos os funcionários
dignos dessa categoria
se sintam em dívida
quando ouvem a sirene
naquele final de Acto.
sábado, novembro 29, 2008
segunda-feira, novembro 24, 2008
O quiosque vermelho
A taxa de mortalidade infantil descera a pique nesse período.
segunda-feira, novembro 17, 2008
Doutor preciso de ajuda

Quero adelgaçar o meu bolbo raquidiano e ter a competência para lembrar ao meu superior que amanhã será terça-feira. A minha única função na multinacional é esta: lembrar das mais variadas formas aos meus colegas que amanhã será terça-feira. Se o meu desempenho satisfazer os critérios de conformidade do conselho de administração, serei promovido para as quartas-feiras (que é um cargo muito cobiçado, como poderão calcular) e dentro de alguns anos atingirei o topo da carreira.
Lama
meus camaradas, reptei
de farda limpa
de fim de semana
em direcção aos olhos
do nosso alferes que brilhavam
como dois pequenos escaravelhos
nesse momento,
com a boca cheia de lama
e o pêlo encharcado,
aprendi a tirar partido
da perversidade alheia
e fiz-me homem,
tal como me tinham prometido
ainda assim, preferia
ter ido para
a imaculada Armada,
tal como me tinham prometido
sexta-feira, novembro 14, 2008
quarta-feira, novembro 12, 2008
o espelho do elevador
aprende-me aos poucos
primeiro a testa sulcada
falésia de uma intuição
bravia e à toa
depois os olhos mais
vigias do que janelas
O célebre nariz: demora-se
mais aqui, é um pedinte turco
estendido no meio da cara
que esmola cheiros.
Chega à boca devagar,
é cumpridora
mas submissa
como S. José
depois da Anunciação.
Saio de elevador:
"Que Bocage suburbano
me saíste, que pega vaidosa!"
terça-feira, novembro 11, 2008
E-planes
domingo, novembro 09, 2008
O búlgaro e sua mulher Lucrécia
Gostaria de pensar que as unhas que corto em quarto minguante servem de abrigo a minúsculos peixes-tolos e a vaidosos lagostins cor-de-rosa no fundo do mar. Uma vez conheci um búlgaro muito meticuloso que embalsamava crustáceos e expunha-os no seu vestíbulo que era uma espécie de um pequeno labirinto em espiral. Havia também exemplares impressionantes na sala de estar. Chamava a mulher de Lucrécia quando tinha visitas. O nome de família da senhora, que era muito bela mas não disfarçava o ar ensonado, era impronunciável, doloroso de se dizer. O búlgaro é daquela estirpe de pessoas que sabe exactamente o que quer e para onde vai e, como se costuma dizer, isto joga quase sempre a seu favor.
quarta-feira, novembro 05, 2008
terça-feira, novembro 04, 2008
A limpeza convencional
origina questões sociais
sobre baldes de água suja
e elevação mecânica dos braços
da populaça:
a) verdadeiro
b) falso
c) embora não pareça, assumo-me refractário do actual regime das Caldas. Colaborei com o velho herói de um pretério mais-que-perfeito. Mas arre que me arrependi amargamente, é meu desejo ser vaiado na praceta pública, quero ser linchado à antiga, mereço encolher aquilo que semeei. Juro* pela mãezinha. Embuscadas em instituições bancárias bambas -não estou à altura,a minha paciência atingiu a red line. Não estou em condições de responder a este inquérito insidioso, sinto-me apodrecido e até tristonho.
*Onde se lê "juro", deverá ler-se "taxa de menopausa incontinente"
domingo, novembro 02, 2008
A menina Glande

A menina Glande (que já não era tão menina assim) era o orgulho da família. Tinha as faces ruborizadas e um olhar vivo, luminoso, e a sua boquinha parecia um ponto final trocista. Era muito impulsiva e prazenteira. Nas festas, punha-se sempre de perfil para as fotografias, achava-se mais bela assim. Os rapazes da região queriam todos estar em seu redor e todos a convidavam para dançar. A menina Glande fazia anos no primeiro dia de Primavera e o seu babado e abastado pai ofereceu-lhe um magnífico cavalo branco. A cauda do belo animal arrastava-se majestosamente pelo chão e todos queriam tocar no seu pêlo sedoso. A menina não cabia em si de contente e largava pequeninos jactos de saliva de tão excitada que estava. Como era muito vaidosa, quis logo montá-lo e mostrar-se a todos na aldeia.

















