Quem disse que a Matemática e a Literatura (epistolar a três mãos) têm de andar de costas voltadas?
Alguém pf crie um prémio à altura da autora deste fantástico estudo. Nunca a taxa de permilagem (ou as caixas-com-bigodes paralelas) e a pontuação ou a fraseologia estiveram tão próximas ou correlacionadas.
Sugestão para o nome do Prémio:
"Agora sim, tudo me parece mais claro agora".
quarta-feira, maio 21, 2008
sexta-feira, maio 16, 2008
Almoço

Na mesa coberta
com papel,
uma lâmpada de
molho verde à espera
de um comensal tardio,
posso muito bem ser eu,
inclino-me sobre a mesa
com o joelho pousado
na cadeira indolente
pelo menos assim me
achei no momento
seguinte
esfrego a lâmpada
vuush! três geniais carapaus
rasgam o ar,
concedendo-me
três desejos
respiro fundo,
não saio daqui tão cedo
com papel,
uma lâmpada de
molho verde à espera
de um comensal tardio,
posso muito bem ser eu,
inclino-me sobre a mesa
com o joelho pousado
na cadeira indolente
pelo menos assim me
achei no momento
seguinte
esfrego a lâmpada
vuush! três geniais carapaus
rasgam o ar,
concedendo-me
três desejos
respiro fundo,
não saio daqui tão cedo
quinta-feira, maio 15, 2008
Deve ler e estar familiarizado
com a Política “Direitos de
Propriedade Intelectual”.
Se tiver dúvidas, consulte o Dep. Legal da
empresa onde reside e procria.
E assim fiz:
"M. Herde, ainda vá que não vá,
tem uma capa glossy, bonita,
lê-se num instante, 45 minutos
para a I parte, 45 min para a II.
Agora, Cavafy? Bzzzzz
A _________ tem a responsabilidade de
proteger a privacidade e a segurança
dos seus clientes. Isto é
absolutamente obrigatório.
A Cavafy Potros, Garranos S.A.
é um cliente-chave, esqueça esse Cavafy,
está fora de questão, intolerável.
Esperamos que você,
como funcionário da empresa,
actue com honestidade e
integridade na execução dos seus deveres."
E assim fiz.
Gosto de sapos.
com a Política “Direitos de
Propriedade Intelectual”.
Se tiver dúvidas, consulte o Dep. Legal da
empresa onde reside e procria.
E assim fiz:
"M. Herde, ainda vá que não vá,
tem uma capa glossy, bonita,
lê-se num instante, 45 minutos
para a I parte, 45 min para a II.
Agora, Cavafy? Bzzzzz
A _________ tem a responsabilidade de
proteger a privacidade e a segurança
dos seus clientes. Isto é
absolutamente obrigatório.
A Cavafy Potros, Garranos S.A.
é um cliente-chave, esqueça esse Cavafy,
está fora de questão, intolerável.
Esperamos que você,
como funcionário da empresa,
actue com honestidade e
integridade na execução dos seus deveres."
E assim fiz.
Gosto de sapos.
quarta-feira, maio 14, 2008
Japão no Porto em Maio

"Primavera Tardia" (1949), de YASUJIRO OZU
Ozu, Kurosawa e os grandes mestres japoneses da 7ª arte no Porto.
segunda-feira, maio 12, 2008
O capelão e a noviça

Tamara de Lempicka
O capelão despiu o hábito carcomido para dar de beber à noviça que chegara ontem à noite de Navarra:
- Vês este tracejado no bico desta jarra?
- Sim.
- Mata a tua sede, não te faças rogada.
- Mas estou de vigília, tenho de comunicar à madre...
O capelão largou uma violenta gargalhada que ecoou pelo claustro fora.
- A madre superiora recolhe-se sempre durante três dias depois de uma galopada abençoada. Só assim se explica tantos anos de devoção e amor.
- Oh! Minha santa Madre...
- Eu sou um mero sabre de Deus, minha filha, apago as fráguas da carne com a minha velha jarra. E agora bebe.
quarta-feira, maio 07, 2008
Rabo de Palha
João Rabo de Palha via todos os dias a sua caixa de correio. Gostava de a contemplar, era dos poucos prazeres que tinha. Ninguém (no seu perfeito juízo) sabe as surpresas ou dissabores que uma caixa de correio pode encerrar. Creio não exagerar se afirmar que Rabo de Palha era tão temerário como uma galinha e, por isso, mantinha sempre uma distância de segurança, não vá o diabo tecê-las. O diabo é um tecelão especializado de 1ª e não perde uma oportunidade para mostrar os seus galões. No Reino Unido, um galão equivale a oito pintos (pints) e usa-se para tudo, excepto para pedir um copo de café com leite. Rabo bebe sempre um copo de leite com uma colher de açúcar antes de se deitar. Como quase toda a gente sabe, o leite não carece de açúcar. Rabo também sabia isto, mas sabia-lhe melhor assim. Haverá coisas piores. Chegara finalmente o dia que iria mudar a sua vida. "A.C, antes do correio e D.C., depois do correio", como ele dizia, entre risadinhas mudas. Após um dia de trabalho, deteve-se na entrada do seu prédio. Aproximou-se da caixa com toda a cautela, fez pontaria com a pequena chave e abriu-a cheio de determinação e de sarrabulho no bandulho. Uma carta. Rabo sentiu as carótidas a pulsarem-lhe no pescoço. Ainda com a mão a tremer retirou a missiva. Era da infame Gestão do Condomínio. Cerrou os olhos e ficou logo com a boca seca. As prezadas leitoras podem agora sentar-se, pois vou revelar-vos mais uma inconfidência do nosso herói. Sempre que João Rabo de Palha experimentava algo parecido com a desolação, punha um ovo. Não podia evitá-lo, era uma particularidade involuntária que o acompanhava desde tenra idade. Tentou todas as curas, consultou vários especialistas, obteve segundos, terceiros, quartos pareceres, ingeriu as mais coloridas soluções, xaropes, beberagens, aplicou emplastros e unguentos, fez dietas e sangrias violentas e nada. Até que um dia Rabo lembrou-se de converter as suas capacidades ovíparas num ofício rentável.
Subiu para o seu apartamento e não voltou a por os pés na rua nesse dia. Na manhã seguinte, João Rabo de Palha amarrou uma fita púrpura-selvagem na cabeça e dirigiu-se a pé para o aviário, como era habitual.
Subiu para o seu apartamento e não voltou a por os pés na rua nesse dia. Na manhã seguinte, João Rabo de Palha amarrou uma fita púrpura-selvagem na cabeça e dirigiu-se a pé para o aviário, como era habitual.
terça-feira, maio 06, 2008
Escuta
Isto_______tenho
não_______ tenho um pulgão na orelha
é_________ (não consigo ouvir-te)
um__________tens uma grande rã esfomeada na boca
teste:::::::::::::::::::(tem dó)
de gravidez:______essa tua rã deveria
positivo:merde!!!!!!!esticar a língua e
negativo:reste-là __devorar o meu pulgão
(e lamber-me a fronte quente
para evitar afrontamentos)
Atentamente,
P.A.
Isto_______tenho
não_______ tenho um pulgão na orelha
é_________ (não consigo ouvir-te)
um__________tens uma grande rã esfomeada na boca
teste:::::::::::::::::::(tem dó)
de gravidez:______essa tua rã deveria
positivo:merde!!!!!!!esticar a língua e
negativo:reste-là __devorar o meu pulgão
(e lamber-me a fronte quente
para evitar afrontamentos)
Atentamente,
P.A.
segunda-feira, maio 05, 2008
Bed-glued blues haikus

a black ceiling
cat's drinking
lazy moisture drops
a dazzling a.m.
waiting for my turn
to get up
my fishy breath
take no prisoner
no quarter
high-heels from above
over my head
oh damned be!
a white frog
kills the flies
oh blessed be!
Sunday
I got out to pray
to the Lord
to tar-and-feather
the lady
to kill stormy Monday.
sexta-feira, maio 02, 2008
Três pastorinhos
Cansados de percorrer tantas léguas, um casal de romeiros de aljustrel concebem a concepção de não um, não dois, mas três pastorinhos divino-receptores. Maria faz os últimos preparativos: lê as didascálias, escolhe o guarda-roupa e recebe as coordenadas do lugarejo da aparição. Maria sempre gostou de dançar com o sol. O dia do evento ainda está por definir.
terça-feira, abril 29, 2008
Viver na média
Quando alguém tenta ligar uma sirene, soar o alarme, todos ignoram ou tentam abafar esse alguém - pelo menos, numa fase inicial. Tudo por causa desta valente média. Quando alguém mais resiliente, que não se deixa absorver pela média (como, por exemplo, uma mula teimosa, devoradora de cenouras, que não quer trabalhar), está, no fundo, cheio de médias, tenta refazer algo e deseja definir-se no meio desta grande média. Trocadilhos à parte, apenas um número muito restrito de mulas consegue efectivamente sair da média.
segunda-feira, abril 28, 2008
quinta-feira, abril 24, 2008
Roberto Maldonado
- O cafezinho está bom assim sr. Maldonado? Ou quer que encha mais um bocadinho?
Todos cediam a vez a Roberto Maldonado e recuavam sempre que aquela figura vestida de negro da cabeça aos pés se dirigia ao balcão com passos firmes. Maldonado tomava o seu café matinal na cafetaria das Urgências. Além deste seu vício ser significativamente mais barato no hospital, a sua visita permitia-lhe realizar uma prospecção de mercado, estudar a potencial mercadoria. Era bastante eficiente naquilo que fazia, os longos anos de ofício deram-lhe um olho clínico (se é que me permitem a expressão) para casos crónicos e terminais. Apresentava-se diligente aos familiares e entregava o seu cartão em papel fotográfico com o nome em letras douradas.
O olhar perscrutante de Maldonado despia a alma dos pobres diabos naquelas horas de aflição. Até os médicos, besuntados de sangue e de incúria e anestesiados com aquele sofrimento em série, punham-se em sentido na presença do cangalheiro. A sua expressão iluminava-se quando detectava pacientes com pés grandes - sintoma de morte certa. Esfregava discretamente as mãos para, em seguida, retirar um caderninho vermelho do bolso interior da jaqueta. Os que ainda não tinham recebido visitas poderiam, numa única manhã, ocupar duas páginas sem grande esforço. No rol dos condenados a médio/longo prazo, incluía as visitas das visitas que, aparentemente, mostravam preocupação, mas, que, na realidade, escondiam alguma moléstia fatal ou sofriam uma agonia silenciosa e negociavam com Deus a sua permanência neste mundo. Desprezava os teatrais, os acossados por uma súbita cegueira ou torrencial caganeira. Amaldiçoava-os ferozmente, pois sabia que iriam ter uma vida longa pela frente. Por outro lado, sempre fora solidário com órfãos de tenra idade cujos pais tinham sido vítimas mortais de terríveis acidentes, prontificando-se de imediato para oferecer os seus serviços à família que ainda lhes restava.
- Vão ser homens e mulheres inabaláveis, de têmpera! - dizia-lhes. Nada têm a perder a partir deste instante.
Todos cediam a vez a Roberto Maldonado e recuavam sempre que aquela figura vestida de negro da cabeça aos pés se dirigia ao balcão com passos firmes. Maldonado tomava o seu café matinal na cafetaria das Urgências. Além deste seu vício ser significativamente mais barato no hospital, a sua visita permitia-lhe realizar uma prospecção de mercado, estudar a potencial mercadoria. Era bastante eficiente naquilo que fazia, os longos anos de ofício deram-lhe um olho clínico (se é que me permitem a expressão) para casos crónicos e terminais. Apresentava-se diligente aos familiares e entregava o seu cartão em papel fotográfico com o nome em letras douradas.
Roberto Maldonado
Funerais, Cremações, Transladações
O Seu Barqueiro neste Mundo
Funerais, Cremações, Transladações
O Seu Barqueiro neste Mundo
O olhar perscrutante de Maldonado despia a alma dos pobres diabos naquelas horas de aflição. Até os médicos, besuntados de sangue e de incúria e anestesiados com aquele sofrimento em série, punham-se em sentido na presença do cangalheiro. A sua expressão iluminava-se quando detectava pacientes com pés grandes - sintoma de morte certa. Esfregava discretamente as mãos para, em seguida, retirar um caderninho vermelho do bolso interior da jaqueta. Os que ainda não tinham recebido visitas poderiam, numa única manhã, ocupar duas páginas sem grande esforço. No rol dos condenados a médio/longo prazo, incluía as visitas das visitas que, aparentemente, mostravam preocupação, mas, que, na realidade, escondiam alguma moléstia fatal ou sofriam uma agonia silenciosa e negociavam com Deus a sua permanência neste mundo. Desprezava os teatrais, os acossados por uma súbita cegueira ou torrencial caganeira. Amaldiçoava-os ferozmente, pois sabia que iriam ter uma vida longa pela frente. Por outro lado, sempre fora solidário com órfãos de tenra idade cujos pais tinham sido vítimas mortais de terríveis acidentes, prontificando-se de imediato para oferecer os seus serviços à família que ainda lhes restava.
- Vão ser homens e mulheres inabaláveis, de têmpera! - dizia-lhes. Nada têm a perder a partir deste instante.
quarta-feira, abril 23, 2008
quinta-feira, abril 17, 2008
terça-feira, abril 15, 2008

I
não passarás por esta porta
envidraçada
as arestas cortantes desta porta
coçam a bainha das minhas calças,
o inevitável descasque das bainhas
8:32h ontem
8:33h hoje
33:08h amanhã
trasfega atrás de trasfega
II
e agora entram deus e
woody allen em cena,
porque não
deus ouve um transistor
do antigo testamento
com muita estática
e acena com a cabeça
a woody mas
deus não ouve woody
que falta de decoro
a omnipotência
em frequência moderada
por isso,
e apenas por isso,
é usual ver woody
a lavar as suas mãos delicadas
nas fontes de nova iorque.
sábado, abril 12, 2008
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