Antes de ligar o cabo de alimentação CA deste aparelho a uma tomada de parede, ligue todas as colunas ao aparelho quando se trabalha há muitos anos com os mesmos colegas na mesma empresa , acabamos por assimilar tiques singulares, certos trejeitos do colega do lado, a halitose do M. que morde clips a toda a hora já não nos causa repulsa, a F. da logística vai entrar entre hoje e amanhã na red zone e não nos traz o chãzinho de menta do costume, o departamento inteiro boceja em coro às 10.27h, já não pedimos desculpa pelo pequeno arroto involuntário, partilhamos o mesmo bioritmo, só falta darmos as mãos para ir ao WC ao mesmo tempo, homens e senhoras, em procissão mariana, acho que estou a ficar com o lábio leporino do A., perguntamos ao fumador compulsivo porque não foi soltar hoje uma fumaça lá fora, a mulher pediu divórcio, logo divorciamo-nos todos e oferecemos, solidários, aquilo o que não temos e aquilo que eles nunca tiveram, Patrão em viagem de negócios, dia santo na loja, produtividade desce para metade, somos cruéis com o elemento mais fraco, mas já não há paciência para o seu mau gosto musical, arranjamos o colarinho e esticamos as gravatas dos trezentos que compramos ontem depois do expediente, que coincidência, por aqui, para obter os melhores resultados, observe o seguinte:
– Coloque ambas as colunas com uma distância entre si igual à distância em relação à posição de audição (de modo a formar um triângulo isósceles).
– As colunas frontais devem ser colocadas com uma distância entre si de 0,6 m.
- Não deixe um espaço em frente às colunas frontais quando colocadas numa mesa ou estante, etc., por causa do reflexo.
sexta-feira, julho 13, 2007
Greve patafísica

Cildo Meireles
As senhoritas trouxeram as sombrinhas, perfeito. Podiam esperar cá fora. Estava determinado nessa manhã, mãos à obra, não havia tempo a perder. Chega finalmente o patrão.
- Posso saber o que está a fazer?
- Estou a assentar tijolos na entrada, não é bom de ver?
- Mas você está doido?! Assim ninguém pode trabalhar!
- Oiça bem. Antes de vir para aqui, besuntei manteiga nos cantos da boca e na ponta da língua para que as palavras deslizassem melhor. Estavam presas dentro de mim. Agora, basta. Aconselho-o a estar calado. Quer ser útil? Chegue-me esse saco de cimento de 10 Kg que diz Pascal Pia.
- Este? O Pasc.. O quê?! Vou chamar a minha mãe e ela vai chamar o meu advogado.
- Pois vá.
- Palerma! O homem ensandeceu de vez. Isto não fica assim, ouviu?
As estagiárias não sabiam o que fazer, estavam horrorizadas. Tudo isto era inédito. O chefe de produção foi buscar uma cadeira de baloiço à carroça e começou a fazer tricot. Ia ser pai daqui a uns meses, mas a mulher ainda não sabia.
Pouco tempo depois aparece a mãe. Advogado nem vê-lo:
- Mãe, és tu? - interroguei-lhe, enquanto limpava a fronte com um lenço.
- Sr. P! Já lhe disse que eu não sou sua mãe!
- Então nada feito. Retire-se, por favor.
A mulher ficou ensimesmada durante alguns instantes, voltou-se para trás e pregou um sonoro tabefe no filho verdadeiro. Deu um pontapé no balde, virou costas e começou a caminhar em passos curtos e ligeiros, muito senhora de si. O meu patrão ficou incrédulo e paralisado com a mão na face. Antes de entrar no carro, a pobre escorregou e caiu em cima de uma poça esverdeada.
- Que campesina, alguém disse baixinho.
Levantou-se um forte rajada de vento vinda do mar. O céu estava coberto de gaivotas que não paravam de grasnar.
- As gaivotas grasnam, sr. P?
- Chega-me esse tijolo fúcsia que diz "The End".
- Tenho de lhe confessar uma coisa, chefe.
- Sim?
quarta-feira, julho 11, 2007
Em Busca do Tempo Perdido

Ontem foi o 66º aniversário da minha querida tia Adelaide, irmã da minha mãe. Marcel Proust nasceu também a 10 de Julho. São ambos nativos de Caranguejo, primeiro decanato. São um poço sem fundo de emoções e não perdem uma oportunidade para verter a lágrima. A minha tia é catequista e recusa-se terminantemente a celebrar o seu aniversário com Marcel, pois desaprova por completo a sua tradução d' A Bíblia de Amiens de J. Ruskin.
Continuo a gostar muito dos dois.
terça-feira, julho 10, 2007
Os Doidos de Vila Nova
N'A Doida do Candal, Camilo descreve Vila Nova, o sítio onde cresci, como a maior taberna do mundo, asquerosa, cheia de becos imundos, que dá vinho a todo o mundo. Entre uma e outra cheia, inalei, em miúdo, quantidades bastante elevadas de gases libertados pelo vinho do Porto que escorria abundantemente em tintos regatos pela Calçada das Freiras (ou R. Serpa Pinto) abaixo. Mais tarde, turistas gordos americanos exclamariam, fascinados:
- Gee, it's amazing, the wine just grows up in the streets here!
A mãe e a avó falavam-me com alguma nostalgia dos carros de bois que transportavam as enormes pipas de carvalho cheias de vinho. Os pobres dos animais eram brutalmente vergastados enquanto galgavam a íngreme calçada até chegarem aos velhos armazéns. Depois vieram os ruidosos camiões com as cubas metálicas, os Leyland e os Mercedes, provenientes da Régua, largando fumos mortais e inúmeras moedas de chumbo. A avó mandava-me então recolher esses cunhos para vender à Gracindinha, a farrapeira da R. das Sete Passadas. Creio que hoje poderíamos designá-la de técnica do ambiente ou algo parecido. A senhora aparecia sempre sorridente por entre colunas empilhadas de cartão bafiento. É provável que também inalasse acidentalmente vapores de vinho. As paredes esburacadas da loja estavam revestidas aqui e ali por velhas embalagens de fertilizantes agrícolas e cartazes vintage sedutores de várias companhias vinícolas. Os cantos no tecto estavam remendados com teias de aranha centenárias das quais não conseguia desviar o olhar enquanto esperava pela Gracindinha. A Rua das Sete Passadas tem cerca de setenta, oitenta metros de extensão, nem a cavalo seria possível percorrê-la em apenas sete passadas. Toponímia feita por gigantes. Ou por bêbedos, sim.
De tanto snifar vinho, por volta dos meus dez, onze anos, já distinguia as subtis nuances entre o bouquet frutado e prometedor de um vintage e o aroma aveludado, corpulento de um velho tawny. Não estou a exagerar. Posso apresentar-vos aos meus amigos de infância que não me deixam mentir. Alguns ainda estão vivos, outros simplesmente não quiseram seguir a nobre pisada dos pais, enólogos de tasca, e prefiram a poeira ao vinho. Muito antes da febre dos desportos radicais, já faziam bungee jumping do tabuleiro superior da ponte sem cordão. Infelizmente, a ressaca era tão pesada que muitos batiam no fundo e só vinham à tona várias horas depois, nas margens da Afurada ou da Cantareira. De facto, há duas décadas atrás, as únicas riquezas dos lugares de Vila Nova e Sta. Marinha que rivalizavam com o vinho do Porto eram a heroína e a coca que se consumia desenfreadamente nos becos imundos de que falava Camilo. Os garrotes e as rolhas.
N'A Doida do Candal, Camilo descreve Vila Nova, o sítio onde cresci, como a maior taberna do mundo, asquerosa, cheia de becos imundos, que dá vinho a todo o mundo. Entre uma e outra cheia, inalei, em miúdo, quantidades bastante elevadas de gases libertados pelo vinho do Porto que escorria abundantemente em tintos regatos pela Calçada das Freiras (ou R. Serpa Pinto) abaixo. Mais tarde, turistas gordos americanos exclamariam, fascinados:
- Gee, it's amazing, the wine just grows up in the streets here!
A mãe e a avó falavam-me com alguma nostalgia dos carros de bois que transportavam as enormes pipas de carvalho cheias de vinho. Os pobres dos animais eram brutalmente vergastados enquanto galgavam a íngreme calçada até chegarem aos velhos armazéns. Depois vieram os ruidosos camiões com as cubas metálicas, os Leyland e os Mercedes, provenientes da Régua, largando fumos mortais e inúmeras moedas de chumbo. A avó mandava-me então recolher esses cunhos para vender à Gracindinha, a farrapeira da R. das Sete Passadas. Creio que hoje poderíamos designá-la de técnica do ambiente ou algo parecido. A senhora aparecia sempre sorridente por entre colunas empilhadas de cartão bafiento. É provável que também inalasse acidentalmente vapores de vinho. As paredes esburacadas da loja estavam revestidas aqui e ali por velhas embalagens de fertilizantes agrícolas e cartazes vintage sedutores de várias companhias vinícolas. Os cantos no tecto estavam remendados com teias de aranha centenárias das quais não conseguia desviar o olhar enquanto esperava pela Gracindinha. A Rua das Sete Passadas tem cerca de setenta, oitenta metros de extensão, nem a cavalo seria possível percorrê-la em apenas sete passadas. Toponímia feita por gigantes. Ou por bêbedos, sim.
De tanto snifar vinho, por volta dos meus dez, onze anos, já distinguia as subtis nuances entre o bouquet frutado e prometedor de um vintage e o aroma aveludado, corpulento de um velho tawny. Não estou a exagerar. Posso apresentar-vos aos meus amigos de infância que não me deixam mentir. Alguns ainda estão vivos, outros simplesmente não quiseram seguir a nobre pisada dos pais, enólogos de tasca, e prefiram a poeira ao vinho. Muito antes da febre dos desportos radicais, já faziam bungee jumping do tabuleiro superior da ponte sem cordão. Infelizmente, a ressaca era tão pesada que muitos batiam no fundo e só vinham à tona várias horas depois, nas margens da Afurada ou da Cantareira. De facto, há duas décadas atrás, as únicas riquezas dos lugares de Vila Nova e Sta. Marinha que rivalizavam com o vinho do Porto eram a heroína e a coca que se consumia desenfreadamente nos becos imundos de que falava Camilo. Os garrotes e as rolhas.
segunda-feira, julho 09, 2007
A Revolução n"Os Doze"

Capa do livro "Teatro" de A. Blok (1909)
(...)
V
Tens uma cicatriz no pescoço,
Kátia, a cicatriz de uma facada.
No peito, Kátia,
tens uma unhada fresca!
Eh, eh, dança!
Que pernas tão bonitas!
Levavas roupas de rendas;
por que não agora?
Fodias com oficiais,
por que não agora?
Fode, fode!
O coração salta-me no peito!
Recordas, Kátia, aquele oficial,
Que não se salvou da navalha…
Não te lembras dele?
Ou não tens a memória fresca?
Eh, eh, refresca-a,
mete-me na cama contigo!
Polainas cinzentas levavas,
e tomavas chocolate,
ias p’rà cama com cadetes…
Agora vais com soldados?
Eh, eh, peca, peca!
Vais sentir a alma mais leve!
Tens uma cicatriz no pescoço,
Kátia, a cicatriz de uma facada.
No peito, Kátia,
tens uma unhada fresca!
Eh, eh, dança!
Que pernas tão bonitas!
Levavas roupas de rendas;
por que não agora?
Fodias com oficiais,
por que não agora?
Fode, fode!
O coração salta-me no peito!
Recordas, Kátia, aquele oficial,
Que não se salvou da navalha…
Não te lembras dele?
Ou não tens a memória fresca?
Eh, eh, refresca-a,
mete-me na cama contigo!
Polainas cinzentas levavas,
e tomavas chocolate,
ias p’rà cama com cadetes…
Agora vais com soldados?
Eh, eh, peca, peca!
Vais sentir a alma mais leve!
(...)
Aleksandr Blok, Os Doze, in "Poetas Russos"
Trad.: Manuel de Seabra
Relógio d'Água
Relógio d'Água
sábado, julho 07, 2007
Agora a ordem quebrou-se
sexta-feira, julho 06, 2007
Outro Despertar
Tenho o triste hábito de cheirar a ponta das minhas trombas mal acordo de manhã. As minhas trombas são relativamente sensíveis e lacrimejam com alguma abundância durante a noite. Creio não exagerar se afirmar que são como os olhos das focas ou leões marinhos que vemos na tv. É um acto irreflectido e concedo que poderá ser visto como algo sórdido ou causar algum assombro aos mais susceptíveis ou a meninas em idade casadoira. Segue-se então o exercício matinal com o meu companheiro de garras: fazer o pino na parede âmbar e esperar pelo segundo toque do despertador. Ao pequeno-almoço, lemos as passagens de bíblia que vêm no verso das embalagens de cereais. A minha formação religiosa é católica, ele é presbiteriano, mas somos ambos tolerantes e gostamos de estar em comunhão um com o outro.
Lemos os textos sagrados em voz sólida e colocada para começar bem o dia.
Lemos os textos sagrados em voz sólida e colocada para começar bem o dia.
segunda-feira, julho 02, 2007

Nicolas de Staël
Ainda procuro palavras para me entregar. Sinto a boca apertada por um torno, sou de poucas falas e quando falo, avanço com peões sem importância. Levanto a mão e peço licença à menina para pedir cerejas e subir a alça descaída, onde já se viu? Gostaria de ordenar os meus sentimentos por ordem alfabética, assim o Amor viria em primeiro lugar.
Lisboa até já.
domingo, julho 01, 2007
Domingo de manhã

Com a vozinha velada, o gato miou-me ao ouvido, meio a medo:
- Tens de tapar a melena grisalha dessa tua cigana com uma mitra dourada, gasta, a cheirar a incenso. O safado do bispo está no compartimento que serve de quarto da rulote e a porta não pode ser trancada, deixaram-na entreaberta. Sua Eminência esconde-se debaixo dos velhos lençóis de linho que faz questão em abençoar todas as semanas. Ainda não o descobriste, mas está cagado de medo e faz promessas ao Patrão que nunca irá cumprir. Ela olha para dentro dos teus olhos e age, imperturbável, cerimoniosa, como se estivessem só os dois. Pede-te a mão direita para iniciar a leitura. Miau, escreve isso, vá, és um homem ou um rato?
O bichano deu-me uma trinca na orelha, e antes que eu pudesse esboçar qualquer reacção, saltou do meu ombro para cima da colcha com a agilidade de um acrobata chinês e correu em direcção à cozinha para terminar o resto da ração. Anda meio doido, gosta muito do Miró, o gatarrão do último andar do velho prédio da frente. Já me mijou no chã por duas ou três vezes.
sexta-feira, junho 29, 2007
É a lançadeira dos versos
É a lançadeira dos versos
o tear do mal
o zigzag sorridente
dos pontos de sutura.
Se o mundo é um pano encharcado
embebido em morte
cose-o docemente
não o apertes
não deixes fugir a substância
que o mantém unido
sustém a respiração
faz passar o fio
liga se puderes aquela água
ao remendo visível
que me estraga o casaco.
In "A Espinha do P", Valerio Magrelli
Trad. Colectiva, Poetas em Mateus
Quetzal
o tear do mal
o zigzag sorridente
dos pontos de sutura.
Se o mundo é um pano encharcado
embebido em morte
cose-o docemente
não o apertes
não deixes fugir a substância
que o mantém unido
sustém a respiração
faz passar o fio
liga se puderes aquela água
ao remendo visível
que me estraga o casaco.
In "A Espinha do P", Valerio Magrelli
Trad. Colectiva, Poetas em Mateus
Quetzal
quinta-feira, junho 28, 2007
Rebellion (Lies)

Fernand Léger
Everytime you close your eyes: lies-lies!
Everytime you close your eyes: lies-lies!
Não sentem já o cheiro da rebelião no ar?
Gostava de ser o violinista de camisa e calças brancas, lá atrás. Não só pela roupa, como também pela visão privilegiada da actuação do senhor do timbalão.
terça-feira, junho 26, 2007
Os bichinhos

Walton Ford
Bem, se quer saber a verdade, tenho sérias reservas sobre essa sua divisão patranheira e simplista da cigarra e da formiga que se aventuram nos mangues luxuriantes da literatura. O meu venturoso amigo não me levará a mal, pois não? A sua formiga não teme os papa-formigas, não se desvia do seu trilho por nada deste mundo. E não sabe parar, trabalha fustigada pelo seu próprio chicote, trabalha miseravelmente para se precaver contra dias de maior penúria. Já a cigarra, cheia de talento e cheia de si, deslumbra os outros bichinhos com a sua novíssima poesia...mas a maior parte destas cigarras tem uma esperança de vida muito reduzida. Eu consigo vislumbrar mais bichinhos no nosso ecossistema literário, sabe? Há pântanos com velhos crocodilos que passam o tempo a chorar crónicas e que não já comem há anos. E depois temos macacos de imitação e flamingos cor-de-rosa que fazem e vendem best-sellers à velocidade da luz. Que diz? Não sei o que digo? Hum. Desde pequeno que gosto muito de escaravelhos, os meus versos rolam ao sabor daquela matéria quente que é trabalhada pelos escaravelhos. Confesso-lhe que tenho noites em que chego a sentir alguma repugnância por aquilo que faço, mas só vejo um caminho a seguir.
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Cavalheiro adopta poeta em bom estado.
Sou meigo e culto. Bom status.
Compromisso sério. Ternura dos 40.
Sou meigo e culto. Bom status.
Compromisso sério. Ternura dos 40.
sábado, junho 23, 2007
Cartão de Natal

Antoni Tápies
Pois que reinaugurando essa criança
pensam os homens
reinaugurar a sua vida
e começar novo caderno,
fresco como o pão do dia;
pois que nestes dias a aventura
parece em ponto de vôo, e parece
que vão enfim poder
explodir suas sementes:
que desta vez não perca esse caderno
sua atração núbil para o dente;
que o entusiasmo conserve vivas
suas molas,
e possa enfim o ferro
comer a ferrugem
o sim comer o não.
in Obra Completa, João Cabral de Melo Neto
Editora Nova Aguilar, 1994
sexta-feira, junho 22, 2007
Avaria no sistema
Diacho. Entraram partículas de areia na engrenagem primária deste blogue que, pelos vistos, estão a afectar o depósito de comentários e a edição de posts. O actual é um refugo, um dummie, não liguem. Vou ter de chamar o técnico. Nunca fui muito hábil com máquinas.
Bem, fiquem por aí e leiam umas revistinhas enquanto esperam. São do mês passado, mas têm fotos de gente bonita e receitas de culinária.
Bem, fiquem por aí e leiam umas revistinhas enquanto esperam. São do mês passado, mas têm fotos de gente bonita e receitas de culinária.
quinta-feira, junho 21, 2007
Cair
Todos nós acabamos por cair e perder a graça. Tropeçamos em fantasmas que não conseguimos ver. A questão aqui é saber como cair. Temos de aprender a cair.
terça-feira, junho 19, 2007
O Tempo Que Faz Agora (para os petizes e não só)

O Sr. Matias, o velho operador da máquina do tempo e das estações, está prestes a entrar na pré-reforma e está a marimbar-se imperialmente para o serviço. Não muda o filtro do óleo das nuvens há alguns meses e já foi apanhado várias vezes a dormir durante o horário de expediente.
Pedro, o jovem aprendiz, acha-lhe piada e não perde a oportunidade para experimentar os muitos botões e alavancas do aparelhómetro sempre que o velho mestre passa pelas brasas.
O tempo do sr. Matias já era.
Nota:
Na mais remota hipótese de vir a encalhar neste blogue, agradeço-lhe por esta bela imagem. Roubei-a indecentemente do seu blogue (não me recordo do nome, sou desprezível, eu sei), espero que me perdoe.
sexta-feira, junho 15, 2007
Poema-pássaro (rev.)

Marc Burckhardt
jesus chamou-te uma vez
e tu não escutaste
chamou-te uma segunda vez
e pela janela aberta
tu fugiste
não mentirás desta vez
porque jesus tudo vê,
tudo escuta.
meio dia a meio da noite.
os cisnes presos em elipses
repetidas até ao infinito
no papel de parede
olham para mim
só com um olho amarelo
estão proibidos de
grasnar seja o que for
abateram-me este tempo todo
e agora estou deitado
de camisa azul desbotada
e peúgas ásperas de suor seco
confiei no teu Deus
mas libertei-me desse teu pavor
e agora tenho fome.
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