
Phyllis Bramson










Estava muito calor nessa tarde. A governanta encaminhou o seu doutor para o quarto da menina Laura. O seu doutor já era amigo do papá deste os tempos de Coimbra. Tirou o estetoscópio da maleta e pediu-lhe para abrir a blusa. A menina Laura faz sempre o que lhe pedem. Escorriam lágrimas de suor do seu peito que cheirava a leite de coco. O seu doutor limpa a fronte e tenta a sua sorte:
- não gosto deste tipo que está a falar.
- porquê?
- não gosto de grandes actores. São uns pretenciosos, fingem que são humildes. Representam até quando morrem.
A menina não tirou os olhos da televisão.
- mas a Laurinha gosta de teatro?
- não...isto é, gosto de ver revista na televisão. Sou alérgica ao pó do palco e já tive ataques de epilepsia por causa das luzes.
- ah..é pena, sabe. Tenho aqui dois bilhetes que me arranjaram para uma peçazinha no Maria II.
- eu vou falar com o papá logo, talvez ele queira ir.
- não se incomode menina, eu próprio falo com ele. Vá, respire fundo agora.
Acto II
- Já chegaram as meninas Didascálias? Atrasam-se sempre, é que não já há pachorra. Mais cinco minutos e palavra de honra que me vou embora!
Acto III
Macintosh ama Macbeth perdidamente. Mas Macbeth ama MacDonald. Macintosh rasga Macbeth e formata-se logo em seguida.
MacDonald entra em estado vegetativo e fecha as portas.

Qualquer amante está amaldiçoado
a esquecer, por um só momento,
a sua mulher: como o rio de
amnésia que devora o seu amor.
Qualquer amada está amaldiçoada
a ser esquecida até que o seu segredo
fique preso na rede da memória.
Qualquer criança está amaldiçoada
a crescer orfã de pai
com a sua mão na boca do leão.
K. Satchidanandan







Por ocasião da abertura do festival de cinema Fantasporto, a Casa da Música propõe um programa em torno da banda sonora e da música para a grande tela. De salientar a estreia ibérica do filme de animação "Pedro e o Lobo" de 2006, da realizadora Suzie Templeton galardoada pela BAFTA (British Academy of Film and Television Arts). Com a etiqueta da Breakthru Films, trata-se de uma interpretação intrigante e fantástica da conhecida narrativa infantil e que será acompanhada pela ONP na interpretação do clássico de Sergei Prokoviev. O filme teve, desde o início, a colaboração do maestro Mark Stephenson, que dirigiu a sua première no Royal Albert Hall em 2006.
(Programa realizado no âmbito do 27º Festival Internacional do Cinema do Porto - Fantasporto)








