quarta-feira, junho 13, 2007

terça-feira, junho 12, 2007

teddy


tenho a dizer que o ted hughes era o stewart granger dos poetas. acham que estou a ser redutor e algo oco, estão no vosso direito. mas ele era mesmo bom. a plath é que não aguentou a pedalada. mas ela era melhor ainda.

sexta-feira, junho 08, 2007

Coffee break


Phyllis Bramson

Trabalho IV

  • dei-me conta agora mesmo que se algum dia precisar de escrever para comer, vou passar muita fome. mais grave ainda, não sei se tenho tendência para ser barregão das editoras e escrever coisas a metro (que porco pretensioso).
  • estou hoje exilado no meu escritório com quase 30 almas à minha volta. estão visivelmente contentes por não terem feito "ponte". parecem japoneses.
  • vou ao WC fazer caretas em frente ao espelho e depois cortar as unhas.
  • quero ser escanção para poder cuspir vinho caro a toda a hora. sempre me pareceu um gesto que transmite alguma luxúria romana, todas aquelas bacantes. preferível a cuspir palavras azedas e impulsivas como estas que me fazem azia. as gavetas são os tonéis dos escritores, servem para amadurecer as palavras.
  • depois de amanhã, se tudo correr bem, é domingo. não trabalharás.

quarta-feira, junho 06, 2007

Maypole dancing

quais são os sintomas? ora bem, são pequenas palavras pretas e cor-de-rosa a dançar de mãos dadas em cima da minha cabeça. bailam e saltam à volta de um post, com fitas transparentes e flores de maio. uma delas tropeçou e fez doi doi em cima do meu olho esquerdo.
e agora tenho o olho um pouco inchado.

prémio "melhor post"

preciso tanto de certos posts como de um cu no cotovelo (onde será que ouvi isto?).
bem, fiquem mais um pouquinho.
isto promete.

Phyllis Bramson

segunda-feira, junho 04, 2007

Erik Satie


Erik Satie por Igor Stravinsky

- Se o meu caro amigo quiser conduzir esta tépida conversa para as áreas minadas do fundamentalismo - prosseguiu o velho ayatollah, visivelmente crispado e curvando as fartas sobrancelhas pretas - então teremos de falar necessariamente do infiel Erik Satie. Quero que compreenda duas coisas: não preciso de sermões inflamados para me fazer respeitar perante o meu povo, o Livro Sagrado é o diário do profeta, devemos a nossa vida ao profeta e a deus, nem tampouco preciso dos ocidentais, sempre foram apêndices ridículos da nossa grande Civilização. A História prova isso mesmo. Porém, olho para os actos do Nazareno da mesma forma que olho para os de um mártir. Presto-Lhe a devida reverência, nada mais. Mas a tafularia dos vossos pregadores diverte-me. Um homem da minha posição não deveria dizer isto, mas Alá sussurra-me ao ouvido e diz-me que posso confiar no meu amigo - o velho inspirou profundamente durante alguns segundos e continuou - reconheço um paladino quando vejo um, de coração puro, ainda que seja infiel e ignore muitos factos. Ora bem, Erik Satie fundou o seu próprio culto, a Igreja Metropolitana de Arte de Jesus Condutor. Satie era músico, como decerto será do seu conhecimento, mas não gostava de ser tratado como tal. Via-se antes como um fonólogo, um cientista do som e da voz, chegando a pesar e a limpar as notas musicais! Exconjurou ateus, ímpios, livres-pensadores simoníacos, judeus e hereges anglicanos apenas por questionarem o seu trabalho. Não olhe para mim assim. Qualquer criança sabe isto. Quer que continue? Foi o único membro da sua Igreja, autoelegendo-se como Papa para emitir encíclicas inflamadas contra os críticos da sua música. E porquê? Pois bem, o francês orquestrava música para motores de aeroplanos, tômbolas de lotaria e máquinas de escrever. Chegava a oferecer as suas composições aos amigos na forma de aviões de papel! E agora pergunto-lhe a si, meu caro amigo: até onde pode ir a loucura de um homem?

sexta-feira, junho 01, 2007

quinta-feira, maio 31, 2007

Golden Brown

Há alguns anos atrás, Golden Brown marcou-me e levou-me consigo. É o soluçar e o beijo dos amantes, a canícula e a água escassa do oásis. As legiões de exploradores. O Mar Vermelho. Vamos todos em direcção ao nosso Deus, só que ainda não o sabemos. Não podemos saber.
Ouçam a melodia ondulante deste cravo, ele diz tudo.


Caros ouvintes, a Rádio Cairo termina a sua emissão por hoje.
Boa noite.

terça-feira, maio 29, 2007

Jack & Corto


Entre 1905 e 1909, Corto Maltese cruzou-se por diversas vezes com Jack London:

- A lua está a minguar, Corto.
- Sim, zarpo antes do nascer do sol.
- Corto, Corto! Como vês, tornei-me num hedonista. Deus é prazer e não castigo. Pró diabo com o monge e as suas ladaínhas! Sou mais velho do que deus e riu-me do demónio.
- Sim... e tresandas a rum, Jack. A tua imaginação é um pássaro fora da gaiola que vai picar-te a cabeça quando acordares amanhã, meu velho.
- Hum. Vês aquele peixe ali a flutuar morto? Traz um pêssego na boca, morreu envenenado. Saltou para terra e o pêssego foi tudo o que encontrou. Aahahahah!
- Estás a tremer e nem te dás conta, pobre imbecil. Nem o álcool te aquece, este vento do norte é um chicote.
- Sabes o que queria agora, Corto Maltese?
- Não tenho mais rum, meu velho.
- Queria pentear os cabelos pretos de uma índia. Passar os meus dedos...
- Sim...cobre-te com o meu casaco, Jack.
- Tens um sorriso trocista, mas preocupaste demasiado com os outros. Vais morrer com esse sorriso idiota estampado na cara.
- Talvez. Morgana disse-me uma vez que eu iria morrer no mar.
- Não podemos ficar muito tempo em terra, Corto, senão acontece-nos como o peixe. É a intoxicação divina, como alguém disse.
- Passa a garrafa, Jack.

segunda-feira, maio 28, 2007

ubiquidade


Será que consigo convencer o meu patrão de que possuo o dom da ubiquidade?

quinta-feira, maio 24, 2007

Cartas de Sangue para Jesper Svenbro

"Aqui estou eu, um velho, a ser cortado por uma freira"
seria uma forma de começar este poema,
mas iria soar muito a citação.
Mas nisto um poema, ou um livro, ou uma parábola
da seta, é um só: não interessa muito
como começa, é o fim, ainda que
previsível, que está em jogo, a construção
do mosteiro, a caçada ao cervo,
o soprar da corneta, e todas as farsas heroícas.
E no local onde a seta cai há uma
inscrição "Todos nós temos o direito a
um puzzle, se formos
sucientemente arrogantes. "A flebotomia
foi durante muito tempo a única
prática dos pharmakoi:
bodes espiatórios estocásticos nos seus desportos de tabuleiro.
A História tem tantas pistas engenhosas.
Em mais nenhum lado a sintaxe está tão perto
das silabas furiosas do rasto,
modelando a neve com inúmeros baralhos
de cartas, primeiro as pretas, depois as vermelhas.
Isto é a paciência, o verdadeiro jogo da paciência
dos lobos...
Göran Printz-Pählson
Trad. : a minha

Shooting stars

não sei o que o outro lobo, o antunes, e outros decanos da nossa praceta têm contra as shooting stars? é necessário escrever sempre da mesma forma, recorrer sempre à mesma fórmula, baralhar e tornar a dar títulos diferentes, prolongar a actividade durante décadas para ser um bom autor, para secar a argamassa, para ganhar alguma credibilidade?

Eu não acho.

- Mas quem sou eu?
- Ninguém! - gritou o velhote do fundo do sala, levantando-se num impulso e deixando cair as calças cinza de fazenda.
- Cheiras a leite!

E agora, trabalha.

segunda-feira, maio 21, 2007

Eu sei


Antonio Puccio Pisano

Queres ir embora
Porque mataram todos os coelhos aqui.
Mas tu não és um coelho.
Tenta explicar-lhes isso.

São os coelhos que tornam isso impossível.
Não, és tu.
Porquê eu.
Porquê os coelhos.

Quando atacado por um coelho selvagem.
Finge que estás morto.
Eu sei isso, tu sabes isso.
Mas será que os coelhos sabem isso.

E então o sol pára de brilhar.
Durante quanto tempo.
Durante quatro dias.
Obrigado, por um momento pensei que tivesses dito três dias.

Foi isso ou escureceu?
O que achavas que eu queria.
Sempre a mesma história.
Não quero ninguém no teu lugar.

Nachoem M. Wijnberg
Trad: a minha

sábado, maio 19, 2007

A patroa


Otto Dix

"Jantei no Rendez-vous dos Ferroviários. Como a patroa lá estava, tive de ir para a cama com ela, mas fi-lo por delicadeza. Sinto uma certa repugnância por ela: é branca de mais e, além disso, deita um cheiro de recém-nascido. Apertava-me a cabeça contra o seu peito num transporte de paixão: julgava que era assim que devia ser. Eu, por meu lado, dedilhava-lhe o sexo debaixo da roupa; depois o meu braço entorpeceu. Estava a pensar no Sr. de Rollebon: afinal, porque hei-de escrever um romance sobre a sua vida? Deixei deslizar o meu braço pelo quadril da patroa e vi de súbito um jardinzinho com árvores baixas e largas das quais pendiam imensas folhas cobertas de pêlos. (...)"

in "A Náusea", Jean Paul Sartre
Trad. António Coimbra Martins
Europa-América

quarta-feira, maio 16, 2007

Pedro, o Lobo e o Camaleão


David B. narra "pedro e o lobo".
O homem que vendeu o mundo subiu mais uns patamares na minha consideração.

terça-feira, maio 15, 2007

Recordando Brecht


Vieira da Silva


Nesse Abril, apesar de as árvores estarem cinzentas
com algo mais do que o Inverno, quando
ouvi a tua voz e senti o primeiro tremor
do ânimo recuperado, a minha alegria iludiu-se.

o que não significa que viver encerrada no terror
ofereça protecção. Outras surpresas
aguardam novas lágrimas. Seja o que for
que imaginemos, tudo pode ser ainda pior.

Não chores. Muitas vezes é assim.


Elaine Feinstein, "Médium e outros Poemas",
Trad. colectiva, Poetas em Mateus
Quetzal Editores

A criança e o velho pastor



Um velho pastor do Cáucaso (Georgia) deu à luz um belo rapaz no passado dia 13 de Maio. Os habitantes de aldeia mais próxima afirmam ter visto o ancião numa velha ermida a baptizar a criança com leite de cabra enquanto entoava cânticos estranhos a Philip Larkin.

Em Tblisi, não se fala de outra coisa. Todos cospem caroços de cerejas para a rua para desejar sorte à criança e longa vida ao velho pastor.

sexta-feira, maio 11, 2007

Record


Kurt Schwitters

Estou imparável, acabei de bater algum record pessoal.
Dois posts de qualidade duvidosa em apenas 02:15 seg.
Com direito a imagem e tudo.