segunda-feira, maio 07, 2007
Limericks
Who was horribly bored by a Bee;
When they said, "Does it buzz?"
He replied, "Yes, it does!"
It's a regular brute of a Bee!"
There was a Young lady of Portugal,
Whose ideas were excessively nautical;
She climbed up a tree,
To examine the sea,
But declared she would never leave Portugal.
There was an Old Person of Buda,
Whose conduct grew ruder and ruder;
Till at last, with a hammer,
They silenced his clamour,
By smashing that Person of Buda.
in Book of Nonsense, Edward Lear
quarta-feira, maio 02, 2007
Colégio do Sagrado Coração das Cadeiras Perpétuas

segunda-feira, abril 30, 2007
sexta-feira, abril 27, 2007
Franco-atirador
quarta-feira, abril 25, 2007
segunda-feira, abril 23, 2007
Tocata Patafísica Para Dois

José Damasceno
- É tudo?
- Tudo?
- Já terminaste?
- Ainda não.
- Sabes que é difícil encontrares trapézios oblíquos em bom estado, nesta altura do ano.
- Amanhã saio cedo da fábrica, ainda posso encontrá-los no mercado.
- Enfim, não podes deixar de existir até amanhã?
- Sim.
- Na tua condição de dandy dotado não te importas de fechar essa torneira dourada?
- Sim.
Farpa
Tem de haver espaço para tudo, dizem alguns.
Ah pois tem, naturalmente.
quarta-feira, abril 18, 2007
171196
Nunca morei numa rua chamada Vidro. Chutei uma vez paralelepípedos. Cada dia passava como se num espelho - de ecos. Telefones, fios. Uma vez andei de barco num lago. Nunca me vi em meu próprio reflexo. Falas, conversas-uma só figura e pessoa. Alto-falante mudo. Também morei num apartamento minúsculo. Gosto do nome das ruas de alguns amigos. Amherst, Mílvia, Sírius. Não tenho tempo para nada. Meus cabelos caíram. Talvez isto seja tudo.
2
Meus antepassados vieram da Itália. Sicília. Nápoles. Veneza. Alessandro Bonvicino - Il Moretto. Também de Ponte Vedra, na Galícia. Meus antepassados, de mãe, vieram de minas. Meu nome: meu pai tirou de um cartão de visita.
terça-feira, abril 17, 2007
Elevador
- Para onde vai?
- Menos dois, garagem.
O elevador começa a descer como só ele sabe fazer. Encontrei um ponto de fixação visual na placa de manutenção. Silêncio, afinal de contas estamos num elevador. De repente, um deles desvia o olhar e encara o outro, começando a falar em inglês. Não parece nada satisfeito. O outro mantém a postura solene e vai anuindo com a cabeça. Tlin! Zero. Saem os dois e o mais americanado diz até logo. Continuo a minha descida.
Até que ponto o uso indevido de tinta para cabelos loiros pode abalar uma equipa religiosa predestinada a existir até aos Últimos Dias?
quinta-feira, abril 12, 2007
quarta-feira, abril 11, 2007
Conversor

Simplesmente não sei se me considere tradutor técnico ou um mero conversor. Transformo palavras aparafusadas e rebitadas em Euros. Operação tão maquinal e trituradora como a tradução do manual de uma retroescavadora coreana que tenho em mãos.
*Não é requisito obrigatório ter formação superior.
terça-feira, abril 10, 2007
C'era una volta il West
- Mio corpo è una prigione!!
(Não é oficial, mas os meninos da Arcádia voltaram a fazer das suas: dessacralizaram il grand finale de Leone).
segunda-feira, abril 09, 2007
Aguardo
De olhos postos no céu azul (os anjos usam GPS?), estou na margem à espera do incansável barqueiro que traz grinaldas na barcaça em vez de bóias laranja. A brisa quente orquestra negros tambores que ribombam ao longe. Alguém puxa pelo meu casaco. A criança ao meu lado diz-me ao ouvido que este rio não tem nome e que os afluentes são lágrimas de mulheres abandonadas. A corrente é forte.
sexta-feira, abril 06, 2007
quarta-feira, abril 04, 2007
Trabalho
segunda-feira, abril 02, 2007
Eu sou aquilo que falta

Hieronymus Bosch
Eu sou aquilo que falta
ao mundo em que vivo,
aquele que entre todos
jamais encontrarei.
Rodando sobre mim mesmo agora coincido
com o que me foi tirado.
Eu sou o meu eclipse
a revelia, o desconsolo
o objecto geométrico
a que para sempre deverei renunciar.
Valerio Magrelli, "A Espinha do P"
Trad. colectiva (Mateus, 1992)
Quetzal Editores
quinta-feira, março 29, 2007
Efeito borboleta
quarta-feira, março 28, 2007
Super Flumina Babylonis

E ficou escrevendo pela noite adiante.
segunda-feira, março 26, 2007
Estava muito calor nessa tarde. A governanta encaminhou o seu doutor para o quarto da menina Laura. O seu doutor já era amigo do papá deste os tempos de Coimbra. Tirou o estetoscópio da maleta e pediu-lhe para abrir a blusa. A menina Laura faz sempre o que lhe pedem. Escorriam lágrimas de suor do seu peito que cheirava a leite de coco. O seu doutor limpa a fronte e tenta a sua sorte:
- não gosto deste tipo que está a falar.
- porquê?
- não gosto de grandes actores. São uns pretenciosos, fingem que são humildes. Representam até quando morrem.
A menina não tirou os olhos da televisão.
- mas a Laurinha gosta de teatro?
- não...isto é, gosto de ver revista na televisão. Sou alérgica ao pó do palco e já tive ataques de epilepsia por causa das luzes.
- ah..é pena, sabe. Tenho aqui dois bilhetes que me arranjaram para uma peçazinha no Maria II.
- eu vou falar com o papá logo, talvez ele queira ir.
- não se incomode menina, eu próprio falo com ele. Vá, respire fundo agora.
Acto II
- Já chegaram as meninas Didascálias? Atrasam-se sempre, é que não já há pachorra. Mais cinco minutos e palavra de honra que me vou embora!
Acto III
Macintosh ama Macbeth perdidamente. Mas Macbeth ama MacDonald. Macintosh rasga Macbeth e formata-se logo em seguida.
MacDonald entra em estado vegetativo e fecha as portas.


